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Gavi tem apenas 18 anos, mas estreou na Copa do Mundo como se fosse veterano

O meia foi um dos destaques de uma Espanha muito jovem que abriu o Mundial goleando a Costa Rica por 7 a 0

Entre as teimosias de Luis Enrique, não consta o medo de apostar em garotos. A Espanha está entre os elencos com menor média de idade no Catar, e os caras não foram apenas passear. Ferrán Torres, Pedri e Gavi foram titulares na estreia da campeã mundial nesta quarta-feira, com goleada por 7 a 0 sobre a Costa Rica, e todos deixaram fizeram sua parte. Torres marcou duas vezes, e Pedri esteve em todo lugar. Gavi, o mais novo deles, impressionou (novamente) pela maturidade e pelo golaço que marcou. Aos 18 anos e 110 dias, tornou-se o jogador mais jovem a marcar em Mundiais desde… Pelé, em 1958.

Ele está acostumado com esse tipo de estatística. Não é raro que seja um dos mais novos a fazer alguma coisa, como o quarto a defender o time principal do Barcelona, quando estreou, em agosto de 2021, contra o Getafe. O primeiro gol saiu em dezembro, contra o Elche. Gavi chegou ao Camp Nou aos 11 anos, depois de passar pela base do Betis, e ainda adolescente impressionou o então técnico Ronald Koeman, que o levou à pré-temporada e o promoveu aos adultos.

Passou rapidinho de promessa a um talento raro. Fez 47 partidas em sua primeira temporada e renovou contrato com o Barcelona até 2026, com cláusula de rescisão de € 1 bilhão, igual a de outros jovens que assinaram vínculos novos pelo clube catalão, para evitar uma saída como a de Neymar, para o PSG, que pagou uma multa de apenas, entre aspas, € 220 milhões em 2017. A ideia é que € 1 bilhão ninguém vai pagar mesmo, e o Barça não terá que vender quem não quiser.

Interessados apareceram inclusive enquanto a renovação era discutida porque Gavi é um talento raro. É um meia da estirpe do seu técnico, Xavi, por não ser muito forte ou muito alto, mas possuir inteligência rara para ditar o ritmo do jogo e muita qualidade no passe. São características que cabem perfeitamente no estilo de jogo do Barcelona e, por consequência, também no da Espanha de Luis Enrique. Gavi estreou pela seleção aos 17 anos, sendo titular contra a Itália na semifinal da Liga das Nações. Ele fez todas as partidas do time nacional desde então, a maioria desde o início.

Jogar em um meio-campo que tantas vezes é idêntico ao do Barcelona ajuda. Com Sergio Busquets mais atrás e ao lado de Pedri (meio que o seu Andrés Iniesta). Confortável, fez um grande jogo, acertando quase todos os seus passes – 66 de 73 -, bem nos duelos no meio-campo e participando do primeiro gol, marcado por Dani Olmo. Deu sorte na jogada porque seu passe foi ruim e desviou no meio do caminho antes de chegar ao jogador do RB Leipzig.

Seu grande lance, porém, foi o quinto gol, aos 30 minutos do segundo tempo. Morata cruzou da esquerda, à entrada da área. Gavi chegou sozinho e pegou de primeira, com a parte de fora do pé, sem deixar a bola cair. Acertou tanto no canto que ainda pegou na parte de dentro da trave antes deixar seu nome na história das Copas. Nem costuma ser artilheiro. Foi apenas seu terceiro gol pela Espanha. Pelo Barcelona, marcou dois em 66 partidas.

Gavi fornece muito mais do que gols. A goleada por 7 a 0 sobre a Costa Rica foi impressionante, mas talvez não seja ainda a hora desta Espanha ser campeão do mundo. Ainda é muito jovem e tem umas lacunas no elenco. Mas com tanto talento jovem no coração da equipe, liderado por Pedri e Gavi, é provável que brigue pelo título por muitos anos.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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