Copa do Mundo

França lida bem com o susto e goleia Austrália na estreia na Copa com grande atuação coletiva

Austrália abriu o placar nos primeiros minutos, mas a França soube reagir e contou com ótima atuação em todos os setores para sair com vitória por goleada

Em um dia que a Arábia Saudita surpreendeu a Argentina, a Austrália deu um susto na França ao sair em vantagem nos primeiros minutos do jogo, mas a França reagiu bem, virou e goleou na sua estreia na Copa do Mundo. A vitória por 4 a 1 veio com a redenção de alguns jogadores muito criticados, como Adrien Rabiot e o centroavante Olivier Giroud, este com dois gols, o que o fez empatar com Thierry Henry como maior artilheiro da história dos Bleus. Além deles, os franceses contaram com atuações de destaque também de Dayot Upamecano e Antoine Griezmann, servindo como um armador do time.

O melhor do time da França foi justamente aquilo que vinha sendo problema: o coletivo. O time conseguiu mostrar boa coordenação, esteve bem em todos os setores e conseguiu produzir muitas oportunidades. O time mostrou capacidade de reação ao sair atrás no placar, em uma estreia de Copa, e conseguirem reverter e golear.

Giroud foi um destaque óbvio pelos dois gols, Rabiot também pelo primeiro tempo, mas vale destacar o papel de Griezmann. Atuando como um meia ofensivo, uma espécie de camisa 10 da equipe, ele tornou o funcionamento do ataque francês muito mais fluido. Não fez gol ou deu assistência, mas sua atuação foi importante para o time. Kylian Mbappé também foi muito bem, muito acionado, como era esperado, e mostrando o quanto é perigoso em velocidade. Ainda deixou o seu gol, além de participar de outros.

Escalações

O técnico Didier Deschamps escalou uma zaga que se conhecia por terem jogado juntos no RB Leipzig, mas que nunca jogou junta pela seleção. Sem Benzema, o técnico escolheu um ataque forte: Ousmane Dembélé pela direita, Kylian Mbappé pela esquerda, Giroud pelo meio, avançado, e Griezmann por trás dele, como um meia ofensivo. Adrien Rabiot e Aurelien Tchouaméni no meio-campo, onde jogaram Paul Pogba e N’Golo Kanté em 2018, ambos machucados.

A Austrália tinha o desfalque do ponta Martin Byole, escape de velocidade do time. Harry Souttar era dúvida, mas foi para o jogo. O time foi montado por Graham Arnold como um 4-1-4-1, de modo a tentar complicar o jogo da França. Funcionou apenas por poucos minutos.

Primeiro tempo: susto e virada

Começou com a França atacando nos primeiros minutos, conseguindo escanteio e dando a pinta sobre como poderia ser o jogo. Só que com oito minutos, a Austrália chamou a zebra para passear no Catar. Um lançamento longo para a direita, Mathew Leckie dominou, passou por Lucas Hernández e cruzou rasteiro para a chegada de Craig Goodwin, lá pela esquerda, que completou de primeira para o gol: 1 a 0.

Lucas Hernández sofreu uma lesão no lance do gol e precisou ser substituído pelo seu irmão, Theo Hernández. O jogador vem sendo um dos grandes destaques do Milan e é uma força ofensiva maior que o irmão, que é mais defensivo, até por ser também zagueiro.

Desencontrada no jogo, Theo Hernández bobeou, perdeu a bola e Mitchell Duke, de fora da área, soltou uma bomba que passou perto e assustou Lloris. A bola era da França, que tocava buscando achar espaço, mas não encontrava seus melhores jogadores com liberdade.

Até que o gol veio, em um rebote de escanteio. Depois da cobrança, afastada pela defesa, a bola sobrou na esquerda, Theo Hernández levantou na área e Rabiot, livre, tocou de cabeça para tirar de Matt Ryan: 1 a 1 no placar, aos 26 minutos.

A virada não demorou. Aos 31 minutos, a Austrália bobeou na saída de bola, Jackson Irvine tocou na fogueira para Nathaniel Atkinson, que bobeou, foi pressionado por Rabiot, perdeu, Mbappé tocou para Rabiot, que entrou na área e rolou para o meio. Olivier Giroud empurrou para o fundo da rede: 2 a 1 para os Bleus. Se em 2018 ele passou a Copa toda sem balançar as redes, desta vez ele já marca na estreia.

Depois da virada, a França ficou leve e passou a empilhar chances. Ficou fácil. Aos 44 minutos, Upamecano fez um lançamento bonito para a direita, onde estava Griezmann. O camisa 7 fez uma assistência linda, de canhota para a área. Mbappé deu um voleio e errou o alvo por muito.

Só que a Austrália ainda assustou no fim do primeiro tempo. Jogada de linha de fundo de Riley McGree, Irvine chegou cabeceando e acertou a trave. Lloris estava batido no lance. Um susto para a torcida francesa.

Segundo tempo: desfile francês

Assim como o fim do primeiro tempo, o segundo teve domínio total da França. O time tocava a bola buscando chances e estava mais perto de marcar o seu terceiro gol do que levar o empate. O time começou a trocar passes perto da área, com Griezmann e Mbappé, além de cruzamentos perigosos para a área. Habitando no campo de ataque, os franceses estavam tranquilos na partida.

Depois de perder muitos ataques, a França enfim ampliou o placar aos 22 minutos. Mbappé recebeu dentro da área, bateu cruzado, a bola passou por todo mundo e foi recuperada por Dembélé pelo lado direito. Ele esperou a hora certa de cruzar e achou Mbappé dentro da área para cabecear e marcar 3 a 1. O quinto gol de Mnappé em seus oito jogos de Copa até aqui.

Com o jogo controlado, a França ampliou o placar. Mbappé recebeu livre pela esquerda de Upamecano, partiu em velocidade pela ponta, deixando Atkinson para trás e cruzou de pé esquerdo para Giroud, no meio da zaga, subir bonito e cabecear: 4 a 1. Foi o seu 51º gol pela seleção francesa, o que o igualou a Thierry Henry, maior artilheiro da história dos Bleus. Um feito do camisa 9.

A Austrália mal chegava ao ataque. Vieram as mudanças nos times, mas os franceses controlavam o ritmo, atuando em marcha mais lenta, ficando com a bola e se poupando em um jogo que já estava ganho. Só que a França chegaria perto de mais em um escanteio cobrado da esquerda e que Ibrahima Konaté cabeceou com perigo, exigindo grande defesa de Mathew Ryan.

Ficha técnica

França 4×1 Austrália

Local: Estádio Al Janoub, Al Wakrah
Árbitro: Victor Gomes (África do Sul)
Gols: Adrien Rabiot, Olivier Giroud duas vezes, Kylian Mbappé (França), Craig Goodwin (Austrália)
Cartões amarelos: Mitchell Duke, Jackson Irvine, Aaron Mooy (Austrália)

França: Hugo Lloris; Benjamin Pavard (Jules Koundé); Dayot Upamecano, Ibrahima Konaté e Lucas Hernández (Theo Hernández); Aurélien Tchouaméni (Youssouf Fofana) e Adrien Rabiot; Ousmane Dembélé (Kingsley Coman), Antoine Griezmann e Kylian Mbappé; Olivier Giroud (Marcus Thuram). Técnico Didier Deschamps

Austrália: Mathew Ryan; Nathaniel Atkinson (milos Degenek), Harry Souttar, Kye Rowles e Aziz Behich; Aaron Mooy; Mathew Leckie, Jackson Irvine (Keanu Baccus), Riley Mcgree (Awer Mabil) e Craig Goodwin (Garang Kuol); Mitchell Duke (Jason Cummings). Técnico: Graham Arnold

https://www.youtube.com/watch?v=Ag3HQER_J_Q
Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.
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