Copa do Mundo

Fifa usará sistema semiautomático para impedimento na Copa do Mundo do Catar para acelerar decisões

Uso de tecnologia automatizada deve reduzir tempo de decisão de 70 para 25 segundos; árbitro ainda será responsável por interpretação do lance, quando for o caso

A Fifa confirmou que usará um sistema semiautomático na Copa do Mundo 2022, no Catar, para determinar impedimentos, de forma a acelerar as decisões. Este é um dos pontos de crítica do sistema de vídeo no futebol, o VAR (Video Assistant Referee).

O sistema promete acelerar as decisões de impedimento com um sensor no meio da bola, que manda dados 500 vezes por segundo para determinar o momento exato do chute, 12 câmeras com múltiplos ângulos que estão sincronizadas e serão montadas no teto de cada um dos estádios. O sistema rastreia a bola e 29 pontos em cada jogador, enviando dados 50 vezes por segundo para calcular a posição exata em campo.

Um jogador em posição de impedimento irá disparar o alerta na cabine do VAR, que avisará o árbitro em campo. O sistema foi testado na Copa Árabe, realizada em novembro e dezembro de 2021, no Catar, e no Mundial de Clubes. Os dados dos testes mostram, segundo a Fifa, uma redução do tempo de decisão de 70 segundos para 25 segundos. “Estamos muito otimistas. Está pronto”, afirmou o chefe de arbitragem da Fifa, Pierluigi Collina.

Uma das críticas que se faz ao VAR é que ele tem deixado os árbitros com menos poder de decisão, algo que a Fifa discorda. Collina, eleito o melhor árbitro por seis temporadas consecutivas de 1998 a 2003 e que foi o árbitro da final da Copa de 2002, nega que esse seja o caso. “Eu li sobre árbitros robôs. Eu entendo que é muito bom para as manchetes, mas não é o caso”, afirmou o italiano, chefe de arbitragem da Fifa.

“Os árbitros continuam envolvidos no processo de tomada de decisão. A tecnologia semiautomática apenas dá uma resposta quando um jogador está em uma posição de impedimento quando joga. A avaliação da interferência com um adversário e ver se um toque de mão ou falta cometido permanece está na responsabilidade do árbitro”, continuou Collina.

“Nosso objetivo é fazer os árbitros tomarem decisões corretamente em campo. Se algo errado acontecer, o árbitro tem aproveitar a vantagem da tecnologia para ter uma visão melhor do que aconteceu, mas ainda haverá muito espaço para discussão”, declarou.

Um dos pontos de debate sobre a tecnologia é que há críticas sobre os impedimentos por milímetros. Para Collina, a regra do impedimento é impedido ou não impedido, não dá para dizer que está muito ou pouco impedido. Ele comparou com a tecnologia na linha do gol, que falhou em um jogo entre Aston Villa e Sheffield United, em junho de 2020. O goleiro do Villa, Orjan Nyland, entrou com bola e tudo e a tecnologia não avisou que foi gol – algo que as câmeras de TV mostraram. Foi uma falha da tecnologia.

“A tecnologia funciona na maior parte do tempo. Esse foi uma decisão errada entre milhares de outras corretas. A tecnologia na linha do gol oferece uma precisão muito alta. Se a bola cruzar ou não cruzar a linha por poucos milímetros, todo mundo está feliz. É o mesmo com a tecnologia semiautomática. Se o jogador está impedido ou não, a tecnologia deve ser elogiada”.

“Não podemos reduzir para quatro ou cinco segundos para uma decisão. Essa seria a expectativa errada. Mas reduzimos de 70 segundos para 20 ou 25. Isso é importante. Este sistema será mais rápido e preciso”, disse ainda Collina.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.
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