Copa do Mundo

Estupiñán concentrou o jogo do Equador na lateral e sublinhou seu papel como destaque do time

Um dos jogadores com mais cartaz do Equador, Estupiñán teve enorme influência na boa atuação contra a Holanda

O Equador saiu de campo insatisfeito nesta sexta-feira. O empate por 1 a 1 com a Holanda pareceu pouco a La Tri, que foi amplamente superior ao longo da partida – em contraste à também pobre atuação da Oranje. O técnico Gustavo Alfaro mudou a maneira de jogar da equipe equatoriana e apostou numa das forças de seu conjunto, as alas. Poucas seleções, afinal, possuem um lateral tão importante na hierarquia do elenco quanto Pervis Estupiñán é no Equador. O camisa 7 seria um tormento aos holandeses ao longo dos 90 minutos e deu sua contribuição para que os sul-americanos buscassem o resultado.

Diferentemente de outras seleções sul-americanas, o Equador possui historicamente poucos nomes de destaque nas grandes ligas europeias. Até por isso, Estupiñán consegue se diferenciar no elenco de La Tri há algum tempo. O lateral possui uma rodagem respeitável nas principais competições da Europa, aos 24 anos, enquanto seus companheiros mais jovens começam a se firmar no exterior. O camisa 7 até despontou na LDU Quito, mas acumulou experiência em diferentes clubes espanhóis desde 2016. Vestiu as camisas de Granada, Almería e Mallorca, até estourar de vez no Osasuna recém-promovido em 2019/20.

A esta altura, Estupiñán surgia como um protagonista imediato da seleção equatoriana. O lateral estreou pela equipe nacional em outubro de 2019 e ganhou a posição logo de cara. Seria uma grata surpresa na campanha pela Copa América de 2021 e virou intocável no sucesso de La Tri nas últimas Eliminatórias. Paralelamente, também crescia por clubes. Foram duas temporadas pelo Villarreal, que, se não serviram para ser titular absoluto, pelo menos garantiram mais visibilidade e um nível mais alto para se provar. Fez parte do elenco campeão da Liga Europa e manteve-se como dono da lateral esquerda na caminhada até a semifinal da Champions League.

O Brighton resolveu pagar €17,8 milhões por Estupiñán, reposição após a bolada que o clube ganhou com a venda de Marc Cucurella ao Chelsea. O lateral passou a formar uma pequena colônia equatoriana no sul da Inglaterra, ao lado de Moisés Caicedo e Jeremy Sarmiento. Começou a atuar na Premier League e aumentou o seu moral rumo à Copa do Mundo. Estava claro como o Equador aproveitaria muito bem a potência de seu ala, especialmente por sua qualidade no apoio.

Durante a estreia contra o Catar, Estupiñán teve uma boa atuação, mas sem a influência que se imaginava. O destaque do camisa 7 seria bem maior contra a Holanda. Gustavo Alfaro decidiu entrar com três zagueiros exatamente para soltar os seus dois alas, livres para atacar. Pela direita, Angelo Preciado avançou bastante e criou algumas boas jogadas, incluindo a que rendeu a pancada de Gonzalo Plata na trave. Porém, foi mesmo para a esquerda que La Tri pendeu.

Estupiñán foi o principal escape do Equador. O zagueiro participou 79 vezes da partida, o mais acionado de La Tri ao lado do zagueiro Félix Torres. Buscou muito os cruzamentos e criou ocasiões para os companheiros. Mais impressionante foi a maneira como atacou os espaços e acuou os holandeses, mesmo num embate duro contra Denzel Dumfries. O equatoriano se deu melhor. Como prêmio à sua intensidade, teve participação direta no lance do gol. Acelerou no contra-ataque e estava na área feito um ponta, em chute cruzado que resultou no rebote para Enner Valencia guardar. E isso pra não falar de seu tento no primeiro tempo, discutivelmente anulado.

Muitas atuações individuais do Equador agradaram. Nomes como Piero Hincapié, Jhegson Méndez e Enner Valencia funcionaram bastante na ideia de jogo. Mesmo Moisés Caicedo, que falhou no lance do gol da Holanda, proporcionou o desarme no tento equatoriano e mordeu bastante no meio-campo. Estupiñán, ainda assim, se colocou um tom acima dos companheiros. Em sua primeira Copa do Mundo, aos 24 anos, se indica como um daqueles caras que marcam época na equipe nacional.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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