Copa do Mundo 2026

Como a Espanha de Yamal quer provar que pode ser campeã da Copa do Mundo 2026

Yamal e Williams prontos para a Espanha: análise do empate sem gols com Cabo Verde e o que precisa mudar contra a Arábia Saudita na Copa do Mundo 2026.

Há o risco de soar algo reacionário, mas a Espanha pode ter perdido prestígio com muita gente após o empate com Cabo Verde na segunda-feira. Amplamente apontada como favorita na Copa do Mundo 2026, a equipe de Luis de la Fuente chegou ao torneio vista como equivalente à França ou logo abaixo desta. O fato de La Roja ter sido colocada por muitos com chances mais sólidas do que a atual campeã mundial Argentina era revelador.

No entanto, não ter vencido Cabo Verde na estreia certamente não fazia parte do roteiro. A seguir, revisitamos o que deu errado contra os Tubarões Azueis e o que a campeã mundial de 2010 precisa corrigir contra a Arábia Saudita no domingo.

Como a Espanha tropeçou na estreia da Copa do Mundo contra Cabo Verde

Os espanhóis se lembrarão da campanha vencedora em 2010, quando a seleção tropeçou ao perder por 1 a 0 para a Suíça na estreia, e do começo ruim da Argentina contra a Arábia Saudita quatro anos atrás, como prova de que um início complicado não indica o que virá no restante do torneio.

No entanto, não foi exatamente o 0 a 0 com Cabo Verde que decepcionou, mas sim a forma como o jogo se desenrolou. Embora os espanhóis tenham tentado 27 chutes no jogo, raramente chegaram perto de marcar.

Uma análise mais profunda dessas tentativas mostra que 16 foram de dentro da área adversária, com 11 de fora. Aprofundando ainda mais, nove dos 16 chutes de dentro da área vieram no primeiro tempo, com quatro de longe.

No entanto, e talvez de forma reveladora, 50% dos 14 chutes de La Roja no segundo tempo foi de fora da área, evidenciando como a atual campeã europeia ficou cada vez mais desesperada após o intervalo para furar uma defesa combativa.

Lamine Yamal em jogo da Espanha na Copa do Mundo
Lamine Yamal em jogo da Espanha na Copa do Mundo. Foto: IMAGO / Crystal Pix

As métricas da Opta após a primeira rodada mostraram que apenas o Uruguai tentou mais cruzamentos (34) do que os 27 da Espanha. A equipe sul-americana foi bem-sucedida em nove dessas entregas pelas alas, enquanto La Roja completou apenas três, com Bubista e seus Tubarões Azuis permanecendo firmes e recusando a ceder.

Sem o talento de Lamine Yamal desde o início e sem Nico Williams pelo outro lado, a Espanha recaiu nos velhos hábitos de posse estéril. Nenhuma equipe completou mais passes do que os 734 da campeã europeia na primeira rodada — sendo 443 no terço final, significativamente mais do que qualquer outro time —, e ainda assim foram frustrados por uma retranca organizada e coesa.

De la Fuente adotou uma abordagem mais direta desde que assumiu o comando em dezembro de 2022; porém, suas limitações sem a ameaça pelos lados de Yamal e Williams ficaram expostas.

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A Espanha vai responder ao tropeço diante da Arábia Saudita?

O empate da Espanha com Cabo Verde foi complicado, mas não precisa atrapalhar suas ambições na Copa do Mundo antes do confronto com a Arábia Saudita. O empate deveu-se tanto ao contexto quanto à crise: De la Fuente ficou sem suas duas armas mais devastadoras, Yamal e Williams, e a estrutura ofensiva espanhola saiu comprometida.

Assim que Yamal entrou, o panorama mudou, mesmo que ele ainda estivesse longe do melhor ritmo após dois meses fora dos gramados. O jogador de 18 anos, ainda assim, deu urgência e variedade de jogadas, lançando sete cruzamentos e recuperando parte da verticalidade que definiu a evolução da Espanha sob De la Fuente. De fato, os problemas de La Roja pareceram táticos e relacionados à equipe utilizada, não existenciais.

A escolha de Gavi pela esquerda, Ferran Torres apagado e um meio-campo sem pontaria deixaram Marc Cucurella como principal válvula de escape — um desequilíbrio facilmente corrigido com escolhas diferentes, ainda que reste saber como Yamal carregará o peso da nação.

Luis de la Fuente, técnico da Espanha (Foto: Imago/ZUMA Press Wire)
Luis de la Fuente, técnico da Espanha (Foto: Imago/ZUMA Press Wire)

A história também oferece perspectiva: a Espanha se recuperou de uma derrota na estreia em 2010 para levantar o troféu, assim como a Argentina o fez após perder para a Arábia Saudita em 2022. Com suas ameaças pelos lados restabelecidas e lições absorvidas, a Espanha ainda parece bem posicionada para dominar o Grupo H e reafirmar suas credenciais para um segundo título mundial.

Uma estreia ruim raramente é sentença de morte, e a Espanha espera que sua experiência de aparente fracasso contra os Tubarões Azuis a motive contra os sauditas no domingo.

Se a equipe de De la Fuente mostrou contra Cabo Verde por que pode não vencer a Copa do Mundo, precisa agora mostrar por que pode com uma exibição significativamente melhor. Não há razão para duvidar de sua capacidade de se impor.

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