Copa do Mundo

A erupção de Barry foi enorme, mas não maior que a frieza de Samaras

A Copa do Mundo existe para possibilitar momentos como o final de jogo entre Grécia e Costa do Marfim. Depois de 90 minutos de uma partida em que os gregos mereceram a vitória, mas na qual os marfinenses encontraram um gol no meio do caminho, Georgios Samaras foi travado com falta na área, aos 46 minutos do segundo tempo. Pênalti para a Grécia. Frente a frente, o explosivo Barry contra o sereno Samaras.

Grécia 2×1 Costa do Marfim: gregos foram melhores, mas só um final épico lhes deu a vaga

A transmissão da Fifa captou a gesticulação intensa do goleiro antes da cobrança. Barry, bombardeado o jogo todo pelos gregos, segurou a bronca o tempo todo. Bony deu o empate aos 29 minutos do segundo tempo para a Costa do Marfim. Era muito injusto que viesse Samaras, ajeitando a bola, definindo o destino dele e de seus companheiros. Depois de todas aquelas defesas?

Barry, que leva em sua camisa o apelido “Copa”, batia no peito, marcando território. A área e o gol eram seus. O goleiro falava que ali, depois de todo o trabalho que havia feito, Samaras não se consagraria. A explosão de Barry contrastava com a calma do atacante. A bola do jogo estava em suas mãos, e ele próprio havia tornado esse momento possível. Se errasse, teria de tomar o caminho para casa. Depois de tanto martelar o adversário, estava com ele a chance de classificação grega. Muita responsabilidade, mas não o bastante para que Samaras deixasse transparecer qualquer exasperação. Por poucos centímetros a bola não encontrou as luvas de Barry. Por apenas alguns centímetros o goleiro não pode alcançar a salvação da Costa do Marfim. Samaras virou herói.

Após o apito final de Carlos Vera, Boubacar Barry caiu inconsolável no gramado, e justamente seu algoz, Samaras, tentou confortá-lo. Inconformado com o que o acaso construíra, com aquela injustiça que foi o pênalti no último suspiro. Sim, a Grécia mereceu vencer, e a sorte de conseguir o gol de tal maneira não pode ofuscar a superioridade grega durante o jogo. Mas vai explicar isso para o goleiro que ficou a alguns minutos de ir às oitavas da Copa pela primeira vez na história do futebol marfinense. Explica isso para ele, que bateu no peito, berrou para Samaras que defenderia, acertou o canto e viu a bola passar poucos centímetros acima. Futebol tem dessas. Um dos dois teria de sair como herói daquele lance, nenhum deles como vilão. O grego ficou com as honras e a vaga, e a Barry restou apenas a lamentação e o sentimento quase literal de algo histórico escapando de seus dedos.

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Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

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