Equador 0x0 França: A Tri fez um jogo digno de classificação, mas precisava de mais que isso
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Melhor ataque da Copa do Mundo até o final da segunda rodada, a França travou um duelo interessante com a defesa equatoriana no empate sem gols desta quarta no Maracanã. Com a evidente superioridade técnica, os Bleus é quem propuseram a partida. O Equador foi eventualmente ao ataque, sobretudo no segundo tempo, mesmo com a expulsão de Valencia, mas o domínio da bola e das jogadas ofensivas em geral foi dos franceses, que encontraram na Tri seu maior adversário desta primeira fase. Os equatorianos tiveram uma atuação de classificado, mas dependia também de outros fatores para de fato ficar com a vaga.
Depois dos três gols contra Honduras e dos cinco contra a Suíça (seis, se levarmos em conta o gol anulado de Benzema no fim), a França teve pela frente uma defesa muito bem postada. As jogadas começavam no campo de defesa francês, passavam pelos pés de Pogba, chegava aos pontas ou a Benzema, mas parava no terço final do campo, com a defesa em linha equatoriana se transformando em uma barreira humana.
Os lances de maior perigo do primeiro tempo vieram nos últimos minutos. Aos 37, Griezmann cobrou bem escanteio, e Pogba subiu de cabeça, mandando por cima de Domínguez e forçando o goleiro a espalmar para fora, por segurança. Depois, a resposta do Equador veio aos 40 minutos, com Enner Valencia subindo mais alto que os defensores e cabeceando a bola, mas sem pegar em cheio, o que facilitou a defesa de Lloris.
A barreira formada pela defesa equatoriana, impedindo a entrada dos franceses na área, forçou os Bleus a começarem a arriscar de fora da área, e Benzema foi o que teve a melhor tentativa, batendo colocado, mas Domínguez conseguiu fazer facilmente a defesa.
A pressão francesa seguiu no segundo tempo. Logo no primeiro minuto, Pogba ajeitou para Sagna, que cruzou a meia altura para Griezmann. O garoto chegou chutando de bate-pronto na primeira trave, o goleiro equatoriano espalmou no susto, e a bola caprichosamente foi no poste depois, sobrando para a zaga da Tri.
Enfrentar a equipe que mais havia impressionado em suas duas primeiras partidas já era um baita desafio para o Equador. Para deixar a situação ainda mais dramática, a Suíça ia vencendo facilmente Honduras na Arena da Amazônia, e o capitão Antonio Valencia, ainda aos três minutos da etapa complementar, apresentou a Lucas Digne a sola de sua chuteira e acabou expulso corretamente.

Se a inferioridade numérica sugeria que a partir dali a França teria mais facilidade e chegaria à sua terceira vitória na fase de grupos, tudo isso foi rechaçado por uma atuação grandiosa dos dez guerreiros equatorianos restantes, que se faziam parecer 20. Por ter mais homens em campo, os franceses foram com tudo para ataque, e isso foi deixando espaços para os contra-ataques dos sul-americanos. O primeiro deles foi puxado por Noboa, que tocou para Enner Valencia. O artilheiro equatoriano então demorou para devolver para o companheiro e ainda mandou a bola de maneira que dificultou a finalização, e o meio-campista bateu sem direção.
A França respondeu alguns minutos depois, com Benzema servindo Pogba, que bateu forte, mas teve seu chute bloqueado por um carrinho heroico de Noboa. Depois, foi a vez de Matuidi receber do camisa 10 e ser parado pelo goleiro Domínguez, que se consagraria no restante do jogo com grandes defesas e sendo um verdadeiro ímã.
Aos 27 minutos, o melhor jogador em campo, Pogba, chegou muito perto de abrir o placar para os Bleus. Moussa Sissoko cruzou uma bola com perfeição, e o jogador da Juventus apareceu para cabecear na segunda trave, tirando do alcance do goleiro, mas viu a bola raspar a trave esquerda.
A partir dos 35 minutos, o jogo ganhou um ritmo inacreditável. A França atacava com Benzema, Pogba, Rémy, Giroud, e parava no goleiro Domínguez. O Equador partia nos contra-ataques e conseguia chegar à área, mas parava em finalizações sem direção. Os últimos cinco minutos foram sobretudo de boas chances francesas, mas Giroud, que teve a melhor delas, mandou de cabeça em cima de Domínguez.
O placar do jogo não faz jus ao que foi visto no Marcanã. A França, por exemplo, fez uma boa partida. Pecou em algumas vezes no toque final, mas também teve pela frente uma defesa incrivelmente bem postada. Já o Equador deve ser exaltado pela partida que fez. Primeiro pela aplicação defensiva, pela sincronia em suas linhas de defesa. Depois, pela energia com que contra-atacava, mesmo durante os mais de 40 minutos em que esteve com apenas dez em campo, tendo perdido seu capitão. A Tri teve uma atuação digna de classificado para as oitavas, mas isso nem sempre garante o objetivo de fato. Como aconteceu hoje.
FICHA TÉCNICA
Equador 0x0 França
Equador
Alexander Domínguez; Juan Carlos Paredes, Jorge Guagua, Frickson Erazo e Walter Ayoví; Antonio Valencia, Oswaldo Minda, Christian Noboa (Felipe Caicedo, 44’/2T) e Jefferson Montero (Renato Ibarra, 18’/2T); Michael Arroyo (Gabriel Achilier, 36’/2T) e Enner Valencia. Técnico: Reinaldo Rueda.
França

Hugo Lloris; Bacary Sagna, Laurent Koscielny, Mamadou Sakho (Raphäel Varane, 16’/2T) e Lucas Digne; Paul Pogba, Morgan Schneiderlin e Blaise Matuidi (Olivier Giroud, 22’/2T); Antoine Griezmann (Loïc Rémy, 34’/2T), Karim Benzema e Moussa Sissoko. Técnico: Didier Deschamps.
Local: Maracanã, no Rio de Janeiro
Árbitro: Noumandiez Doue (CMA)
Gols:
Cartões amarelos: Frickson Erazo
Cartões vermelhos: Antonio Valencia
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Paul Pogba
Quase todas as jogadas de ataque da França passaram por seus pés ou terminaram em seus chutes e cabeçadas. Foi de longe o jogador que mais deu toques na bola, 105 no total, enquanto Digne, o segundo nesse quesito, ficou em 88. Pogba driblou, começou jogadas, deu assistências, levou perigo no jogo aéreo e ainda quase marcou um golaço no final do segundo tempo, dando um drible desconcertante em um marcador equatoriano e batendo colocado, de longe, mandando a bola rente à trave esquerda de Domínguez.
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O 4-4-2 do Equador alternava também para um 4-4-1-1, já que Arroyo, um meio-campista, ficava atrás de Enner Valencia em alguns momentos. De resto, assim como fez nas outras partidas, o restante dos jogadores era bastante fixo em suas posições. Já a França tinha muita mobilidade entre os jogadores. Schneiderlin ficava mais estático como cabeça de área, mas o restante do meio de campo e do ataque era bastante móvel, especialmente Sissoko e Griezmann, que constantemente trocavam de lado. Matuidi e Pogba também não se limitavam a seus flancos, enquanto Benzema saía bastante da área para ajudar na troca de passes.
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5
Nas cinco vezes em que passou da fase de grupos de uma Copa do Mundo, a França chegou pelo menos até à semifinal (1958, 1982, 1986, 1998 e 2006).



