Enzo Fernández aproveita cada chance em sua ascensão meteórica e essa atitude se nota em forma de golaço na Copa do Mundo
Enzo Fernández foi um dos últimos nomes a se firmar na convocação da Argentina e pede passagem com seu golaço
A Copa do Mundo é o ápice da ascensão meteórica de Enzo Fernández. O meio-campista esteve entre os últimos adicionados às listas de Lionel Scaloni na seleção argentina, mas seu lugar na Copa do Mundo se tornou imperativo pela fase arrebatadora. O prodígio levantou taça no Defensa y Justicia, arrebentou no River Plate, não precisou de tempo para emplacar no Benfica e também mostrou serviço logo de cara pela Albiceleste. E num início de campanha tenso dos argentinos no Mundial, em que o time às vezes parece até com dificuldades de respirar, o jovem de 21 anos ofereceu um sopro de frescor à equipe. O amarrado duelo com o México só mudou com o lampejo de Lionel Messi. Ainda assim, o gol de Fernández serviu de confirmação – ao triunfo vital por 2 a 0 e ao seu talento em altíssimo nível.
A estreia de Enzo Fernández pela seleção argentina aconteceu apenas em setembro. Não eram grandes testes, em amistosos contra Jamaica e Honduras. Mesmo assim, o meio-campista esbanjou personalidade ao sair do banco e causar impacto no time. Parecia destinado a estar no Mundial. E tal atitude não surpreendia. Ela estava expressa na guinada da carreira do garoto, que explodiu no futebol profissional apenas em 2020.
Formado na base do River Plate, Enzo Fernández deixou uma impressão excelente no Defensa y Justicia, durante sua passagem por empréstimo. Sob as ordens de Hernán Crespo, o novato brilhou no time campeão da Copa Sul-Americana. Quando voltou ao Monumental, Marcelo Gallardo transformou o garoto numa peça dinâmica em seu meio-campo e faturou o tão aguardado título no Campeonato Argentino. Já o Benfica não precisou de muito para guardar o nome de Fernández, encaixe imediato na equipe de Roger Schmidt que domina o Campeonato Português e faz sucesso na Champions.
Pelo momento na temporada, Enzo Fernández parecia cotado para substituir Giovani Lo Celso na equipe titular da Argentina. Entretanto, estava abaixo de outros na hierarquia e ficou na espera. Papu Gómez não entrou bem contra a Arábia Saudita e, quando saiu do banco no lugar de Leandro Paredes, o camisa 24 não conseguiu destravar um adversário trancado, ainda que tenha participado bastante da pressão final. Já diante do México, as mudanças viriam com Alexis Mac Allister e Guido Rodríguez. Ambos também não contribuíram tanto no que era uma pane coletiva e Fernández voltou a campo no início do segundo tempo, no lugar de Guido. Acabaria indo melhor que os companheiros.
A Argentina melhorou o toque de bola no segundo tempo. Enzo Fernández ajudou nesse processo, mas a postura retraída do México também deu larga contribuição. O peso sobre as costas da Albiceleste quem tirou foi Lionel Messi, com seu golaço, numa jogada que o camisa 24 auxiliou na construção. A partir de então, a equipe passou a funcionar um pouco. Evitava a progressão dos mexicanos e parecia mais próxima de ampliar. Uma das características de Enzo é a combatividade, algo que se notou contra o limitado setor ofensivo mexicano. Mas o que fica é a assinatura de seu golaço.
A qualidade no chute é uma marca de Enzo Fernández. Algo que se notou aos 42 minutos, para fechar o placar. A pedalada oferece o tempero na jogada, para abrir a marcação. Ainda assim, a pincelada de beleza está na finalização, o tapa cruzado que entra no alto da meta e faz Guillermo Ochoa saltar em vão. Belíssimo cartão de visitas a um rapaz de 21 anos que disputa sua primeira Copa do Mundo. A leveza que faltou à maioria absoluta dos companheiros despontou no camisa 24.
O nível de atuação da Argentina merece mais questionamentos que elogios. O time foi péssimo nos 45 minutos iniciais, muito espaçado, ansioso, uma pilha de nervos. A chave só virou quando o gol realmente saiu, e nisso ajudou o adversário também medroso. Entretanto, naquilo que deu certo, Enzo Fernández é um dos pontos. O gol é um pedido para que jogue mais minutos, porque os demais meio-campistas da equipe estão bastante abaixo da crítica. Enquanto Lionel Scaloni ainda procura acertos urgentes nesse time muito aquém do que foi a preparação, a pintura surge como um sinal mais do que concreto.



