Em 1995, o Catar recebia seu primeiro torneio de seleções da Fifa: o Mundial de Juniores
Primeiro torneio da Fifa sediado no Catar aconteceu de última hora e teve Brasil x Argentina na final e festa dos argentinos, campeões do mundo de juniores
A Copa do Mundo de 2022 não é a primeira competição internacional de seleções da Fifa a ser organizada pelo Catar. Em 1995, o pequeno país do Oriente Médio assumiu, na última das horas, o compromisso de realizar o Mundial de Juniores (atual Mundial Sub-20) depois que a entidade retirou a sede da Nigéria. Contamos em detalhes como se desenrolou a competição dentro e fora de campo, com seus problemas e soluções, os casos controversos e as novidades apresentadas, além dos jovens talentos que fizeram seus nomes no torneio.
Como o torneio chegou ao Catar

A princípio, a décima edição do Mundial de Juniores seria realizada na Nigéria, país de tradição nos torneios de base entre seleções. Mas em 10 de fevereiro daquele ano, a um mês da data prevista para a abertura, a Fifa anunciou a retirada da sede do país africano. O motivo alegado apontava para um surto de cólera e meningite que assolava o país, mas o relatório oficial da entidade, publicado ao fim do torneio, citaria ainda problemas de segurança e a relutância de seguradoras internacionais em oferecer garantia de cobertura.
Diante disso, a federação do Catar prontamente acenou com a estrutura necessária para realizar a competição a toque de caixa. Naturalmente, para um torneio de base e que ainda contava com apenas 16 seleções, as demandas eram bem menores do que se exigiria para uma Copa do Mundo nos padrões atuais. Assim, o torneio seria quase inteiramente disputado em apenas dois estádios na capital, Doha, com um terceiro utilizado só para um jogo, logo na rodada de abertura, que, com a mudança da sede, foi adiada para 13 de abril.
Cada um dos quatro grupos teve um estádio como base, utilizando-se do outro apenas na última rodada, para que as duas partidas decisivas fossem disputadas simultaneamente. Os Grupos A e C ficaram sediados majoritariamente no Khalifa Olympic Stadium (o mesmo Khalifa International Stadium que será usado agora), com a partida de abertura do Grupo C entre Argentina e Holanda disputada no estádio do Qatar Sports Club. Já os Grupos B e D tiveram como sede principal o Al Ahli Stadium, também chamado de Hamad bin Khalifa Stadium.
A composição dos grupos definida pelo sorteio realizado em Abuja, na Nigéria, em 9 de dezembro de 1994 foi preservada mesmo com a mudança de sede. Apenas a seleção nigeriana deu lugar à do novo país anfitrião no Grupo A, ao lado de Brasil, Rússia e Síria (o que acabou provocando um confronto entre duas seleções asiáticas na mesma chave). No B, ficariam Espanha, Chile, Japão e o estreante Burundi. O C, por sua vez, contaria com Argentina, Portugal, Holanda e Honduras. Já o D teria Alemanha, Camarões, Austrália e Costa Rica.

Aquela edição da competição também apresentava uma novidade no regulamento em relação à de 1993, realizada na Austrália e vencida pelo Brasil: o aumento na pontuação de vitórias de dois para três pontos, já introduzido na primeira fase da Copa do Mundo de 1994, mas até então ainda não disseminado pelo planeta – só o seria oficialmente a partir de 1º de julho de 1995, embora alguns países já o adotassem por conta própria. Além disso, foi delimitada a “área técnica”, pela qual os treinadores poderiam circular à beira do campo.
Por outro lado, algumas decisões foram criticadas, como o cancelamento pela Fifa da realização de exames antidoping, alegadamente por falta de tempo para montar a estrutura, com a troca de sede. Uma medida que, juntamente com as suspeitas de adulteração da idade de jogadores por algumas seleções e da atuação de uma máfia de apostas clandestinas com sede na Tailândia, numa investigação que chegou a levar alguns acusados de subornar atletas à prisão pela polícia do Catar, acabou solapando a credibilidade da competição.
Curiosamente, outra polêmica daquele torneio foi uma alteração da tabela feita em cima da hora pela organização, a exemplo do que houve poucos meses antes da próxima Copa do Mundo. O jogo da primeira rodada entre Argentina e Holanda foi antecipado de 20h15 (horário local) para as 17h15, o que não só enfureceu as duas seleções pela mudança sem consulta e pelo calor que fazia no novo horário como também tirou do anfitrião o privilégio de fazer o jogo de abertura, contra a Rússia, que acabou atrasado para as 20h15.
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A fase de grupos

Atual campeão, o Brasil chegava como candidato natural a mais um título. E não só por isso: seu retrospecto no torneio era invejável. Das nove edições realizadas até então, havia disputado oito, chegando seis vezes às semifinais e conquistando três vezes a taça. Seus “piores” resultados eram as quedas nas quartas de final em 1981 e 1987. Não por acaso, liderava com muita folga o ranking histórico do torneio, somando 71 pontos contra 41 da União Soviética/Rússia, segunda colocada. O Uruguai, ausente no Catar, vinha em terceiro com 33.
A seleção dirigida por Jairo Leal (auxiliar-técnico no time campeão de 1993) chegava ao Catar com time-base bem definido. O goleiro era Fábio Noronha (Flamengo). A defesa tinha os laterais Dedimar (Vitória) e Leonardo Inácio (Flamengo) e os zagueiros Fabiano (Flamengo) e Marcelo (Guarani). No meio, Zé Elias (Corinthians) e Élder (Novorizontino) eram os volantes e Claudinho (Ponte Preta) e Gláucio (recém-vendido pela Portuguesa ao Feyenoord), os meias. Já a dupla de ataque tinha Reinaldo (Atlético-MG) e Caio (São Paulo).
Além de contar com uma equipe titular considerada forte e experiente, com alguns atletas já consolidados como titulares em seus clubes, entre os reservas também havia nomes badalados, como o lateral Alcir (Atlético-MG), o meia-armador Murilo (Internacional) e os atacantes Denílson (São Paulo) e Luizão (Guarani). Completavam a lista de 18 o goleiro Nilson (Vitória), o zagueiro César Belli (Ponte Preta) e o volante Sérgio Vinícius (Flamengo), que entrou de última hora na vaga do gremista Emerson (aquele mesmo, que estaria nas Copas de 1998 e 2006), cortado por lesão, como aconteceria às vésperas da Copa de 2002, anos depois.
Em tese, o principal adversário no Grupo A era a Rússia do defensor Andrei Solomatin e dos meias Vladislav Radimov, Sergei Semak e Dmitri Khokhlov. Mas o anfitrião Catar sonhava em repetir sua outra participação, em 1981, na Austrália, quando chegou ao vice-campeonato comandado pelo brasileiro Evaristo de Macedo, história que contamos por aqui. E a Síria também buscava emular seu maior feito, mais modesto, porém mais recente: o da edição de 1991, em Portugal, quando alcançou as quartas eliminando Inglaterra e Uruguai antes de cair nos pênaltis para a Austrália.
Confirmando o favoritismo, o Brasil passou em primeiro invicto e sem sofrer gols: atropelou a Síria na estreia (6 a 0 com três gols de Reinaldo e um de Élder, Caio e Murilo), empatou com a Rússia na segunda rodada (0 a 0) e derrotou o Catar no último jogo (2 a 0, Caio e Élder). Os anfitriões chegaram a sonhar com a outra vaga ao arrancarem o 1 a 1 com os russos na abertura, mas logo em seguida caíram para os sírios (1 a 0). Estes, então, passaram a alimentar esperanças, aniquiladas pelos russos na última rodada: 2 a 0.
No Grupo B, a favorita Espanha também confirmou os prognósticos: jogando num ofensivo 3-5-2, obteve classificação tranquila com três vitórias, sendo duas por goleada: 5 a 1 no Burundi e 6 a 3 no Chile. A disputa pela segunda vaga, na qual o Chile do atacante Sebastián Rozenthal tinha ligeiro favoritismo em relação ao Japão do meia Hidetoshi Nakata, acabou definida a favor dos nipônicos depois que os sul-americanos pararam num surpreendente empate com o Burundi em 1 a 1 na segunda rodada, acabando em terceiro.
A seleção espanhola comandada por Iñaki Sáez incluía vários nomes que defenderiam a equipe principal dos ibéricos, como o zagueiro César, o lateral-direito Míchel Salgado, o meia Iván De La Peña e os atacantes Raúl, Joseba Etxeberría e Fernando Morientes (este, o reserva imediato do setor). Além de outros jogadores com boas passagens por clubes do país no currículo, a exemplo do zagueiro Luis Cuartero (Zaragoza), os alas Míchel (Rayo Vallecano) e Roger García (Barcelona, Espanyol) e o meia Toni Velamazán (Espanyol), entre outros.
A Argentina de José Pekerman era outra seleção que lançava mão do sistema com três zagueiros à frente do goleiro Joaquín Irigoytía, um dos destaques do torneio. Curiosamente, quem exercia a função de líbero era Juan Pablo Sorín, empurrando o time à frente junto com os alas Gustavo Lombardi e Federico Domínguez. Do meio para a frente, havia uma dupla que mais tarde chegaria a fazer sucesso no Mallorca: o armador Ariel Ibagaza e o atacante Leonardo Biagini. Mas quem terminou à frente no Grupo C foi outra seleção europeia.
Portugal, do técnico Nelo Vingada, do goleiro Quim, do zagueiro Beto, do meia Dani e do atacante Nuno Gomes, também venceu as três partidas e terminou em primeiro. Mas não teve vida fácil na estreia contra Honduras do meia-armador Amado Guevara (que já havia estreado na seleção principal, pela qual disputaria incríveis 138 jogos até 2010): abriu o placar, sofreu a virada e teve que buscar a reação para vencer por 3 a 2. Em seguida, os lusos derrotaram a Argentina (1 a 0) e a Holanda (3 a 0) no grupo mais controvertido do torneio.

Além da decisão criticada de antecipar o jogo entre Argentina e Holanda na rodada de abertura, foi naquela chave – na partida em que os holandeses golearam os hondurenhos por 7 a 1 pela segunda rodada – que estourou a suspeita de manipulação de resultados. O confronto acabou encerrado antes da hora depois que os centro-americanos tiveram quatro jogadores expulsos e um quinto deixou o campo alegando lesão e sem poder mais ser substituído, num caso inédito em competições de seleções organizadas pela Fifa.
Apesar de contar com bons jogadores, a seleção holandesa não tinha tradição no Mundial de Juniores: aquela era apenas sua segunda participação, depois de uma ausência de cinco edições ou 12 anos. A equipe dirigida por Rinus Israël (ex-jogador da Laranja Mecânica) contava com o defensor Denny Landzaat, os meias Nordin Wooter e Kiki Musampa e os atacantes Dave Van Den Bergh e Wilfried Bouma, mas não pode contar com nomes mais afirmados, como Patrick Kluivert e Clarence Seedorf, não liberados por seus clubes.
Com isso, o jogo que decidiria o segundo lugar veio logo na primeira rodada. O goleiro Jim Van Fessem, da Holanda, pegou dois pênaltis num mesmo lance (defendeu a cobrança de Ibagaza, o árbitro mandou repetir, Carlos Arangio se apresentou, mas também parou no arqueiro), e a Argentina teve de esperar até os acréscimos para bater a Laranja por 1 a 0, gol de Andrés Garrone, num jogo em que as condições do gramado do estádio do Qatar Sports Club, utilizado pela única vez naquela partida, foram muito criticadas.
Batida por Portugal com um gol de Dani na segunda rodada, a Argentina se recuperou na terceira ao vencer Honduras por 4 a 2, em tarde de artilheiro do zagueiro Sebastián Pena, autor de uma tripleta, e assim terminou na segunda colocação. Nas quartas de final seu adversário seria o time de Camarões, líder do Grupo D com duas vitórias e um empate, à frente da Austrália (que pegou a segunda vaga) e dos eliminados Costa Rica e Alemanha – que terminou na lanterna, sem vencer nenhuma partida, somando apenas dois pontos.
Curiosamente dirigida por um ex-jogador da Alemanha Oriental, o lendário Hans-Jürgen Dörner, a Nationalelf levou ao Catar uma seleção fraca, em que só um jogador, o zagueiro Mustafa Doğan, chegaria a atuar pela equipe principal, e mesmo assim por apenas duas partidas. Os camaroneses, por sua vez, foram a sensação do grupo. Ainda que a equipe – que incluía o lateral Geremi Ndjitap, o líbero Pierre Wome, o meia-armador Augustine Simo e o meia-atacante Joël Epalle – tivesse que recorrer a gols nos acréscimos nos dois primeiros jogos.

Primeiro no empate em 1 a 1 com a Alemanha, quando Simo salvou um ponto após os teutônicos abrirem o placar com gol de pênalti de Carsten Hinz. Depois na vitória de 3 a 2 sobre a Austrália, quando os africanos saíram em desvantagem com um gol de Mark Viduka, viraram no segundo tempo com Valery Ntamag e Macdonald Ndiefi e viram os Socceroos buscarem o empate de novo com Viduka. Mas outro gol de Ntamag no apagar das luzes deixou os Leões Indomáveis bem perto da classificação, vinda com um 3 a 1 na Costa Rica.
Os australianos, que estrearam derrotando os costarriquenhos por 2 a 0, não tiveram nem tempo de lamentar a derrota no fim para os camaroneses. Na rodada decisiva, o empate em 1 a 1 com a Alemanha – graças a outro gol de Viduka, que balançou as redes em todas as partidas da fase de grupos – garantiu a passagem às quartas de final. Já a Costa Rica, do atacante Paulo César Wanchope, acabou eliminada na terceira colocação, mas teve o consolo de um grande resultado: a vitória de 2 a 1 sobre a Alemanha no segundo jogo.
O mata-mata

Todos os jogos das quartas de final foram disputados no dia 23 de abril em duas rodadas duplas. No Khalifa Olympic Stadium Brasil e Japão mediram forças mais cedo, às 17h15, e em seguida foi a vez de Portugal e Austrália, às 20h15. Já no Al Ahli Stadium, Espanha e Rússia se enfrentaram na preliminar, enquanto Argentina e Camarões fizeram o jogo de fundo. E este último confronto registraria a única vitória de um segundo colocado, a Argentina, com Brasil, Portugal e Espanha ratificando o bom início com a classificação às semifinais.
Nos jogos do Khalifa Olympic Stadium, o Brasil venceria o Japão de virada por 2 a 1 com dois gols de Caio, ainda no primeiro tempo, depois que Daisuke Oku colocou os nipônicos em vantagem logo aos 15 minutos. Portugal, por sua vez, teve de recorrer ao “gol de ouro” (colocado em prática pela primeira vez na edição anterior do Mundial, em 1993) do atacante Agostinho para derrotar a Austrália pelos mesmos 2 a 1. No tempo normal, Agostinho já marcara o primeiro, enquanto Carlos Felipe (contra) fez para a equipe da Oceania.
Já no Al Ahli, a Espanha passou por cima da Rússia: com pouco mais de 20 minutos, já balançara as redes três vezes com um gol de Raul e dois de Etxeberría, que anotaria mais um na etapa final, antes de Aleksandr Lipko, de pênalti, diminuir e fechar o placar em 4 a 1 para os ibéricos. No jogo de fundo, a Argentina confirmou sua ascensão e derrotou Camarões por 2 a 0 com um gol em cada tempo, e ambos perto do intervalo: Francisco Guerrero fez o primeiro aos 37 da etapa inicial e Walter Coyette ampliou aos quatro do segundo tempo.
Para os observadores internacionais, eram resultados justos: premiando trabalhos de base bem feitos, os quatro melhores times do torneio haviam alcançado as semifinais. E nelas os confrontos colocariam de um lado Brasil e Portugal e do outro Argentina e Espanha. Mais uma vez os jogos aconteceriam em rodada dupla no mesmo dia, 25 de abril, nos mesmos horários da fase anterior e agora no mesmo estádio, o Khalifa Olympic. E neles, a dupla sul-americana prevaleceu sobre os europeus, mas em circunstâncias bem distintas.
O Brasil jogou mais cedo e dominou amplamente a seleção de Portugal, mas só marcou no fim. Antes, acertou a trave numa cobrança de falta de Dedimar, num lance em que a bola correu sobre a linha sem entrar. Viu o goleiro Quim brilhar em várias defesas. Teve dois pênaltis negados pela arbitragem: primeiro num lance em que o árbitro preferiu marcar falta fora da área no início da jogada e depois quando ele ignorou um toque de mão na área lusa. E teve ainda um gol de Luizão anulado por impedimento de Gláucio, fora da jogada.
Portugal, por sua vez, bloqueava a frente da área e se defendia com oito, raramente se arriscando no ataque. Mas depois de ter expulsos o lateral Alfredo e o zagueiro Beto perto do fim do jogo, não houve mais como conter a pressão brasileira. Aos 49 minutos, Caio recebeu na intermediária, avançou, abriu na ponta direita e apareceu na pequena área para concluir o cruzamento e dar a vitória por 1 a 0 ao Brasil. A seleção tinha ali uma espécie de revanche da derrota para os lusos nos pênaltis na decisão do Mundial de 1991, em Lisboa.

Na outra semifinal, a Espanha chegava embalada por seu ataque arrasador, que havia marcado impressionantes 17 gols nas quatro primeiras partidas – sete deles antes dos 25 minutos de jogo. Mas contra a Argentina, essa eficiência faltou logo de saída, quando a equipe desperdiçou muitas chances de abrir o placar e acabou castigada com de Biagini aos 21 minutos. No segundo tempo, a tônica se repetiu: Lombardi salvou em cima da linha uma cabeçada de César. E, do outro lado, Coyette aproveitou falha da defesa para ampliar.
Quando a Espanha perdeu o meia-armador Toni Velamazán, expulso ao receber o segundo cartão amarelo após um toque de mão, já estava entregue. Assim, a Argentina, após acertar a trave com Sorín numa cobrança de falta, acabou fechando o placar em 3 a 0 por meio de Chaparro em outro contra-ataque, aos 31 minutos. Os rivais sul-americanos seguiriam para repetir o confronto final do Mundial de 1983, no México, enquanto a dupla ibérica decidiria o terceiro lugar. Outra vez, ambos os jogos no mesmo dia e no mesmo estádio.
A decisão do terceiro lugar foi disputada sob o sol forte das 14h45 locais e, mesmo sem contar com sua dupla de ataque titular, Raúl e Etxeberría, a Espanha voltou a abrir vantagem no primeiro tempo com um belo gol de Míchel Salgado e outro de De La Peña. No entanto, acabou perdendo o fôlego na etapa final e, com três lançamentos em profundidade nas costas de sua defesa, cedeu a virada aos vizinhos portugueses, que marcaram com Nuno Gomes aos 23, Dani aos 28 e de novo Nuno Gomes aos 37 minutos, vencendo por 3 a 2.
Num torneio que registrou uma das menores médias de público da competição até ali, junto com as das edições sediadas na Austrália em 1981 e 1993 e no Japão em 1979, a final disputada em 28 de abril até que levou um número divulgado de torcedores bem expressivo ao Khalifa Olympic Stadium: cerca de 65 mil. E a Argentina, consolidando seu crescimento ao longo da competição, derrotou o Brasil por 2 a 0 com uma grande exibição técnica e tática, levando seu segundo título mundial – e o primeiro dos três com José Pekerman.

A Albiceleste começou melhor o jogo e abriu o placar aos 25 minutos com Biagini completando uma envolvente troca de passes. Aos poucos, porém, o Brasil foi crescendo e tomando o controle das ações. Dominava e parecia perto do empate, sem ceder o contra-ataque aos argentinos. Mas na única vez em que este encaixou, foi letal: aos 44, numa descida rápida, Francisco Guerrero foi lançado na direita do ataque, nas costas da defesa, saindo de frente para Fábio Noronha. Com um indefensável toque de cobertura, fechou o placar em 2 a 0.
Ao Brasil, sobrou o consolo da premiação individual de Caio, eleito o melhor jogador do torneio, com o português Dani em segundo e o goleiro argentino Irigoytía em terceiro. Já a Chuteira de Ouro, entregue pela Adidas ao artilheiro da competição, ficou com o espanhol Joseba Etxeberría, autor de sete gols. O prêmio Fair Play, de equipe mais disciplinada, coube ao Japão. Já o Catar, que agiu com presteza num momento crítico para a realização do torneio, ganhou sua primeira experiência como anfitrião de um torneio da Fifa.



