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Uruguai e Argentina fizeram um clássico duro de se jogar, duro de se ver e que pouco ajudou na tabela

Uruguai e Argentina prometiam um jogo para ser lembrado no Estádio Centenário. A ocasião singular era marcada pela candidatura em conjunto dos dois países visando a realização da Copa do Mundo de 2030. Contudo, o contexto ia muito além, pela acirrada disputa rumo ao Mundial de 2018, com os rivais emparelhados na tabela. O próprio clima nas arquibancadas amplificava a noite especial. Entretanto, os 90 minutos de bola rolando foram para se esquecer. Em um jogo de poucas ocasiões de gol, apesar da vontade de ambos os lados e das entradas duras, o empate por 0 a 0 acabou sendo inescapável. E não ajudou nem celestes e nem albicelestes em suas ambições nas Eliminatórias da Copa.

A grande novidade na escalação do Uruguai foi a entrada de Luis Suárez no comando do ataque, ao lado de Edinson Cavani. De molho nas últimas semanas, por conta de uma lesão no joelho, El Pistolero foi para o sacrifício. Era a referência necessária de um time que depende da capacidade individual em seu ataque. Já na Argentina, Jorge Sampaoli imprimia os seus ideias na formação 3-4-3. Surpresa no 11 inicial, Javier Mascherano acabou de fora. E o ataque contou com o trio composto por Lionel Messi, Pablo Dybala e Mauro Icardi.

Quando a bola rolou, porém, a qualidade técnica dos jogadores foi eclipsada pelo jogo truncado. A Argentina tentava se impor no campo de ataque, mas tinha dificuldades para encontrar os espaços. Buscava cavar buracos entre as linhas uruguaias com os passes em profundidade, sem qualquer sucesso. O Uruguai era mais perigoso neste momento. Conseguia se fechar bem e ameaçava nas bolas cruzadas. Diego Godín chegou a balançar as redes aos 12 minutos, em tento anulado por impedimento. Além disso, Luis Suárez quase complicou em um contra-ataque iniciado após bater a carteira de Messi, no qual a zaga albiceleste se safou.

A Argentina se encontrou apenas depois dos 20 minutos. Foi quando Messi passou a chamar um pouco mais a responsabilidade. O camisa 10 era a principal fonte criativa da Albiceleste, através de seus passes e dribles. Enquanto Icardi estava sumido em meio à marcação, o craque se combinava bastante com Dybala. O problema é que a maioria das jogadas argentinas ficava no quase, faltando centímetros para serem finalizadas corretamente ou para acertarem o alvo. Fernando Muslera mal trabalhou, exceção feita a um chute do próprio Messi. Do outro lado, o Uruguai dependia mais dos lampejos de seus craques. Luis Suárez quase marcou do meio-campo, em uma roubada de bola, mas errou a meta de Sergio Romero por pouco. Já Cavani assustou em lance no qual o goleiro argentino bateu roupa.

Para quem esperava um jogo mais solto no segundo tempo, dadas as necessidades dos times, a entrada duríssima de Álvaro González em Messi logo no primeiro minuto deixou bem clara qual seria a tônica. As tentativas da Argentina de aplicar um jogo fluido no campo de ataque eram dificultadas pelo Uruguai entrincheirado em sua defesa. A Albiceleste só conseguiu se aproximar do gol em uma bola parada, com Messi cobrando falta para grande defesa de Muslera. No mais, as alterações surtiram pouco efeito, com as entradas de Lautaro Acosta e Javier Pastore. Messi era o único que tentava fazer algo diferente, especialmente em jogadas individuais. Era parado de maneira firme pelos charruas. E a Celeste teve um grande motivo a lamentar quando Suárez pediu para ser substituído, sentindo lesão. Definitivamente, não era uma boa noite para o futebol no Centenário.

As duas seleções ficaram devendo. Ainda assim, pela sequência péssima de três derrotas nas Eliminatórias, o empate não saiu tão ruim ao Uruguai. A Celeste jogou para se defender e, com Suárez longe das melhores condições, as chances de um lance decisivo eram mais raras. Já a Argentina tenta ajustar o seu novo estilo. Por enquanto, apesar da posse de bola e da postura ofensiva, deu poucos frutos. Lionel Messi continuou como dono da equipe, por mais que a mobilidade tenha surgido em algumas tabelas.

Somando 24 pontos, o Uruguai permanece firme na zona de classificação à Copa do Mundo, ocupando a terceira colocação. Já a Argentina estaciona na zona de repescagem, com um ponto a menos, agradecida pelos tropeços de Colômbia e Chile (que tinham maior obrigação de vencer), mas ameaçada pelo Paraguai em seu encalço. Na próxima rodada, a tabela favorece a Albiceleste, recebendo a Venezuela. Já os charruas terão uma parada duríssima visitando os renascidos paraguaios em Assunção.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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