Eliminatórias da Copa

Um gol contra bizarro frustrou Mali e garantiu a vantagem para a Tunísia na visita a Bamako

Mali foi melhor ao longo do jogo, mesmo quando tinha apenas dez homens, mas pagou pela jornada infeliz de Moussa Sissako

Mali é a única seleção ainda viva nas Eliminatórias na África que nunca disputou uma Copa do Mundo. As Águias têm suas chances contra a Tunísia, longe de ser o adversário mais badalado nesta etapa decisiva. Contudo, os torcedores malineses sairiam frustrados do Estádio 26 de Março, em Bamako. A seleção de Mali foi melhor durante os 90 minutos, com bem mais chances criadas e agressividade. Perdeu por conta da jornada desastrada de Moussa Sissako. O zagueiro marcou um gol contra bisonho e, pouco depois, foi expulso num lance discutível. Assim, os tunisianos garantiram o placar de 1 a 0 no fim do primeiro tempo e seguraram o resultado no restante do duelo. Terão a vantagem do empate em Túnis, na volta, para ficar com a vaga no Mundial.

A Tunísia foi para cima no início, com alguns escanteios. Quando Mali entrou no jogo, cresceu até criar perigos constantes a partir dos 20 minutos. Abdoulay Diaby fez grande jogada e parou no goleiro Bechir Ben Said, enquanto Yves Bissouma bateu duas vezes para fora. Os tunisianos voltaram a atacar depois dos 30, mas o gol, aos 36, viria num momento de pura infelicidade de Moussa Sissako. Num recuo simples, o zagueiro não observou o posicionamento do goleiro Ibrahim Mounkoro e o pegou desprevenido, mandando um passe forte para as redes. Precisou ser consolado pelos companheiros.

Mali tentou responder na sequência, com direito a uma cabeçada perigosa ao lado da trave. Porém, o problema seria maior, já que a desgraça de Sissako não parou aí. Quatro minutos depois, o beque foi expulso com o vermelho direto, por matar uma chance manifesta de gol na entrada da área – embora sua ação faltosa não tenha ficado clara pelas imagens. O árbitro não conferiu no VAR. Na cobrança, Naïm Sliti mandou por cima do travessão e evitou um prejuízo maior aos malineses.

O segundo tempo recomeçou com Mali em busca do prejuízo. Foram três mudanças na equipe, e as entradas de Moussa Djenepo e Adama Malouda Traoré davam força ao ataque. Traoré quase empatou aos seis minutos, num míssil que passou zunindo ao lado da trave. Mesmo que a Tunísia tenha se recuperado pouco depois, os malineses seguiam mais perigosos e, após uma saída ruim do goleiro, Mamadou Fofana viu sua batida ser salva em cima da linha pela defesa alvirrubra. Já aos 22, Diaby bateu de frente para o gol e carimbou a zaga, em mais uma oportunidade dos anfitriões.

Durante a reta final da partida, o abafa de Mali se tornou mais apressado. As Águias buscavam as bolas cruzadas e aceleravam as jogadas pelos lados. Apesar dos sustos, a Tunísia conseguia evitar oportunidades tão claras – mesmo com erros constantes de sua defesa, sobretudo do goleiro Ben Said. Nesta reta final, as vuvuzelas soavam alto em Bamako. Mas, apesar da luta dos malineses, o empate não veio. A tentativa de recuperação ficará para a próxima terça, na visita em Túnis. Os gols fora são critério de desempate, vale lembrar.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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