Eliminatórias da Copa

Thiago Silva defende proposta de reformulação das Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo

Novo formato do Mundial a partir de 2026 deverá ter impacto no modelo de disputa do continente

Enquanto se prepara para mais um aumento no número de classificados para a Copa do Mundo, a Fifa também pensa em dar um tempero às Eliminatórias continentais. Já que ficará mais fácil obter uma vaga para o Mundial, a entidade está conversando com capitães de seleções para propor um novo formato para as fases classificatórias. E isso não necessariamente é uma má ideia, pensando em competitividade, calendário mais enxuto e uma disputa mais emocionante.

Por ora, discussões preliminares indicam que as Eliminatórias na América do Sul voltarão a ser uma disputa por grupos, não mais em pontos corridos com 18 partidas. Vale lembrar que essa fórmula vigorava até a Copa de 1994, quando ainda se tinha 24 países participantes e três vagas diretas (e outra, não garantida, via repescagem) para os sul-americanos. Naquela ocasião, a Argentina ficou em segundo lugar no seu grupo, atrás da Colômbia, e precisou encarar a Austrália para jogar a Copa nos Estados Unidos.

A grande mudança seria no tempo gasto para a definição das vagas: atualmente, vigora um modelo que atravessa o ciclo das Copas, o que permite pouca ou nenhuma flexibilidade de mudança de datas. Em um cenário de pandemia, de 2020 em diante, a Fifa foi obrigada a mexer bastante no seu calendário para poder dar conta da realização de todos os jogos classificatórios. Isso desgastou bastante as seleções ao redor do mundo e serviu como alerta, até por conta dos torneios continentais que ocorrem entre os Mundiais.

A ideia ainda não foi oficializada pela Fifa, mas consiste em dois grupos com no máximo dez rodadas, o que desocuparia um número razoável de datas e pouparia as delegações de viagens constantes. Três equipes de cada chave avançariam de maneira direta para o Mundial, enquanto os quartos colocados fariam uma final entre si para definir o classificado para uma repescagem intercontinental.

As discussões surgiram no fim de 2021, com consulta da Fifa aos capitães. Já havia alguma mobilização entre os atletas, sobretudo por conta da mudança de sede da Copa América, que acabou sendo disputada no Brasil depois da desistência da Argentina em receber o torneio. Por esse motivo, as discussões tem sido mais ativas, pelo menos por parte dos jogadores.

Em entrevista ao site do GE, na última sexta-feira, enquanto era homenageado no Maracanã, Thiago Silva reiterou os pontos positivos da nova proposta para as Eliminatórias: “Não são os 18 jogos, mas as viagens que fazemos. É uma quilometragem muito grande em relação aos europeus que jogam próximos entre si. Isso é um desgaste muito grande. Além do clima, totalmente diferente do que estamos acostumados na Europa. Ontem, eu e os companheiros, passamos um sufoco muito grande. Treinamos em Teresópolis, mais frio que o Rio de Janeiro. Isso pode prejudicar a performance. Se a gente pudesse encontrar, de alguma forma, um equilíbrio nessa viagens, com certeza facilitaria a nossa estadia e as nossas performances. Com certeza é um desgaste, ao meu modo de ver, desnecessário”.

No mês de abril, em Doha, a Fifa fará um congresso durante o sorteio dos grupos da Copa do Mundo de 2022, para deliberar novamente sobre essa questão.

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Felipe Portes

Felipe Portes é zagueiro ocasional, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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