Eliminatórias da Copa

RD Congo teve boa atuação e Marrocos saiu satisfeito com o empate no primeiro duelo em Kinshasa

Com ótima presença do público em Kinshasa, RD Congo teve suas chances de vencer, contra Marrocos abaixo da crítica

Marrocos possui uma das seleções mais fortes da África, mas os conflitos internos causam problemas às suas pretensões. O técnico Vahid Halilhodzic tem problemas com algumas estrelas do país e não convoca mais as “laranjas podres” do grupo, incluindo Noussair Mazraoui e Hakim Ziyech. Sem eles, os Leões do Atlas tiveram dificuldades no primeiro embate com a República Democrática do Congo, valendo vaga na Copa. Empurrados pela torcida em Kinshasa, os Leopardos foram mais perigosos ao longo da partida, mesmo que a posse ficasse com os visitantes. Assim, o empate por 1 a 1 seria satisfatório aos marroquinos. O reencontro na próxima semana acontece em Casablanca e o vencedor estará no Mundial.

A posse de bola superior de Marrocos significou pouco durante o primeiro tempo. RD Congo era bem mais direta em suas ações e não demorou a abrir o placar. Yoane Wissa aproveitava muito bem a ponta esquerda, nas costas de Achraf Hakimi, e ganhou espaço para o chute aos 12. A bola desviou na marcação e tirou o goleiro Bono da jogada. Nem o tento acordou os marroquinos, letárgicos na primeira etapa. Os congoleses eram bem melhores e exploravam as pontas, com forte apoio de seus laterais. O time deu mais alguns sustos por volta dos 30, com direito a uma bola que pipocou na pequena área até Bono salvar em cima da linha. Do outro lado, os visitantes mal finalizaram, restritos basicamente a uma cabeçada de Youssef En-Nesyri pouco antes do intervalo.

O desenho do jogo não mudou muito para o segundo tempo, com a posse de Marrocos e a verticalidade de RD Congo. O time dirigido pelo experiente Héctor Cúper se mostrava bem treinado e com um plano de jogo claro. Os Leopardos quase ampliaram com Wissa, em tiro cruzado que passou ao lado da meta. Os Leões do Atlas, apesar disso, tentaram abafar mais. E, numa sequência de cruzamentos, ganharam um pênalti aos dez minutos. Ryan Mmaee teve a chance de empatar, mas bateu por cima do travessão, para delírio da torcida congolesa. Apesar do baque, os marroquinos não se retraíram.

Nesse momento, a partida parecia aberta. Dieumerci Mbokani poderia ter ampliado a RD Congo, mas perdeu uma chance imensa no segundo pau aos 15 minutos. Na resposta, Hakimi finalmente conseguiu fazer algo, sem direção no seu arremate. As substituições custaram um pouco da intensidade do duelo. Isso até que o empate de Marrocos saísse aos 31, num lance lá e cá. O contra-ataque era dos congoleses e o desarme veio na hora exata dentro da área. A roubada permitiu uma ligação direta. Ayoub El Kaabi ajeitou de cabeça e Tarik Tissoudali acertou um lindo chute cruzado no canto. Dois substitutos faziam a diferença, cinco minutos após entrarem.

RD Congo buscou retomar a vantagem aos 35, numa cabeçada de Ben Malango. Bono realizou uma ótima defesa para evitar o pior. Com o aumento do nível de tensão no jogo, entretanto, a pegada também aumentou e muitas foram as paralisações. Aos 40, os Leopardos ficaram com um a menos, quando Ngonda Muzinga recebeu o segundo amarelo. Os ventos sopravam a Marrocos, considerando a forma como os congoleses se mandavam à frente. O empate parecia satisfatório aos marroquinos e o placar se manteve.

As duas equipes voltam a se enfrentar na próxima terça-feira, em Casablanca. Os gols fora entram na conta, o que garante a vantagem do 0 a 0 para Marrocos.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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