Quatro duelos do passado que se reeditarão nas semifinais da repescagem na Europa
Relembramos antecedentes dos jogos que abrirão a repescagem das Eliminatórias na Europa nesta quinta-feira
A quinta-feira terá quatro partidas decisivas pelas Eliminatórias na Europa. Começam as semifinais do novo modelo de repescagem, em jogos únicos que levarão os vencedores às finalíssimas, que valerão as vagas na Copa. Deveriam ser seis partidas, mas a invasão russa do território ucraniano provocou a classificação automática da Polônia contra a Rússia e o adiamento de Escócia x Ucrânia para junho. Para esquentar os motores sobre os jogos que ocorrerão, separamos quatro histórias do passado. Quatro vezes em que esses times (ou quase eles) se enfrentaram por Eliminatórias da Copa. Confira:
Portugal x Turquia – Eliminatórias para a Copa de 1966
Portugal passou por cima da Turquia em sua primeira classificação a uma Copa do Mundo, rumo à histórica campanha em 1966. Os turcos eram exatamente o time mais fraco do Grupo 4 da Uefa, que também contava com Tchecoslováquia e Romênia. O italiano Sandro Puppo, que treinou a Turquia na Copa de 1954, era o comandante na época. Já o principal destaque da equipe era o capitão Metin Oktay, seis vezes artilheiro do Campeonato Turco e que hoje batiza o CT do Galatasaray. Também estavam presentes Seref Has e Can Bartu, lendas do Fenerbahçe – o segundo, na época, defendia a Lazio. Ainda assim, os turcos não se comparavam à força da Seleção das Quinas, já dirigida pelo brasileiro Otto Glória. O Benfica formava a base daquele time, com vários nomes do esquadrão encarnado. O protagonismo ficava com Eusébio, bem apoiado por Coluna, Costa Pereira, António Simões, José Augusto, Torres e outras feras.
A primeira rodada do Grupo 4 contou exatamente com o Portugal x Turquia no Estádio Nacional do Jamor. E o que se viu foi um massacre, com os 5 a 1 emplacados pelos lusitanos. Coluna marcou o primeiro numa cabeçada fulminante. Isso até que Eusébio iniciasse seu show, com uma tripleta. O Pantera Negra ampliou num rebote, antes que Fevzi Zemzem descontasse aos turcos. Na volta ao segundo tempo, Jaime Graça anotou o terceiro, em lindo chute na gaveta. Eusébio matou o jogo com mais dois tentos, ambos de falta – o primeiro, num tiro livre indireto dentro da área, e o segundo numa pancada de longe. A segunda rodada contou com o reencontro das equipes em Ancara. Num jogo mais equilibrado e com boas chances dos turcos, os portugueses ganharam por 1 a 0, novo tento de Eusébio. Foi outra pintura de falta, desta vez no canto do goleiro, num míssil direto no ângulo.
Portugal só perdeu a última rodada naquelas Eliminatórias, um 2 a 0 da Romênia em Bucareste, quando o time de Otto Glória já tinha garantido a vaga na Copa do Mundo. Conseguiu eliminar a Tchecoslováquia, vice-campeã de 1962, e a Romênia, que se classificaria para 1970. Já a Turquia terminou na lanterna da chave, com apenas dois pontos, conseguidos numa vitória sobre os próprios romenos.
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Itália x Macedônia do Norte – Eliminatórias para a Copa de 2018
A Macedônia do Norte não inspira boas lembranças para a Itália. As primeiras e únicas vezes que as duas equipes se enfrentaram pelas Eliminatórias da Copa foram exatamente na qualificação para 2018, quando os italianos ficaram de fora do Mundial. Giampiero Ventura era o criticado comandante da Azzurra. Nomes como Ciro Immobile, Lorenzo Insigne, Leonardo Bonucci e Giorgio Chiellini estavam naqueles times, mas a renovação foi ampla desde então. Gianluigi Buffon e Andrea Barzagli marcavam presença. Também estavam jogadores esquecidos na seleção, como Simone Verdi e Nicola Sansone, além de Éder. Já os macedônios eram dirigidos por Igor Angelovski, que levou o time à Euro 2020. Goran Pandev era a referência ao lado de Ezgjan Alioski, Stefan Ristovski, Enis Bardhi e Stole Dimitrievski.
O primeiro duelo aconteceu pela terceira rodada. A Itália sofreu para vencer em Skopje por 3 a 2. Andrea Belotti abriu o placar aos 24 minutos. No início do segundo tempo, Ilija Nestorovski e Ferhan Hassan viraram o placar para a Macedônia do Norte, que só não anotou o terceiro porque Buffon fez milagre. O herói seria Immobile, primeiro ao empatar aos 30. E, depois de um gol anulado erroneamente, o centroavante decretou o triunfo por 3 a 2 nos acréscimos. Quando o reencontro aconteceu, pela penúltima rodada, a Itália já tinha perdido por 3 a 0 na visita à Espanha e não dependia mais de si. De qualquer maneira, empatar por 1 a 1 com a Macedônia do Norte em Turim não ajudou nada no clima, em rodada que selou a classificação dos espanhóis. Chiellini inaugurou o marcador para os italianos aos 40 do primeiro tempo, mas Aleksandar Trajkovski deixou tudo igual aos 32. A Azzurra foi para a repescagem, onde caiu diante da Suécia, enquanto os balcânicos terminaram na quinta posição da chave.
Suécia x Tchecoslováquia – Eliminatórias para a Copa de 1986
Suécia e República Tcheca nunca se enfrentaram pelas Eliminatórias. O antecedente aconteceu com a Tchecoslováquia, no caminho dos suecos nas Eliminatórias para a Copa de 1986. E nenhum dos times conseguiu se classificar ao México, numa chave dura que teve as passagens de Alemanha Ocidental e Portugal. Os tchecoslovacos eram dirigidos pelo lendário Josef Masopust, Bola de Ouro em 1962. A equipe contava com jogadores que disputariam a Copa de 1990, como Ivan Hasek, Jozef Chovanec e Lubos Kubík. Já os suecos eram dirigidos por Lars Arnesson, que comandou a equipe por cinco anos. Thomas Ravelli era o goleiro de um time cheio de nomes que fariam carreira fora do país, como Glenn Strömberg, Robert Prytz e Glenn Hysén. De qualquer maneira, aquela geração também precisou esperar até a Copa de 1990.
Os dois jogos entre as equipes só aconteceram na reta final da campanha, quando os tropeços se acumulavam. A Suécia venceu o duelo em Solna por 2 a 0. Os gols só vieram nos 15 minutos finais, com Prytz convertendo pênalti e Lasse Larsson fechando a conta. Já o reencontro em Praga aconteceu pela penúltima rodada, com o troco da Tchecoslováquia por 2 a 1. Dan Corneliusson até abriu o placar aos escandinavos, mas Andreas Ravelli (contra) e Ladislav Vízek viraram para os tchecoslovacos. As duas equipes morreram abraçadas naquela data. A Alemanha Ocidental estava classificada e Portugal, agradecendo o tropeço dos suecos, carimbou sua vaga ao conquistar uma histórica vitória por 1 a 0 em Stuttgart.
Gales x Áustria – Eliminatórias para a Copa de 2006
Gales e Áustria se enfrentaram em duas edições distintas das Eliminatórias para a Copa. Nenhuma delas foi boa para os times, que sequer chegaram à repescagem em ambas. A primeira foi no qualificatório para 2006, em grupo que teve Inglaterra e Polônia classificadas ao Mundial. Dirigidos pelo antigo craque Hans Krankl, os austríacos conviviam com uma escassez de talentos. Andreas Ivanschitz, Martin Stranzl e Emanuel Pogatetz eram dos raros nomes dignos de menção. Já Gales tinha um treinador tarimbado em John Toshack. Nada que surtisse efeito, mesmo com estrelas do calibre de Ryan Giggs, Craig Bellamy e John Hartson. O atual treinador dos Dragões, Rob Page, também fazia parte daquela equipe como jogador.
Os dois times acumulavam resultados ruins quando se enfrentaram pela quinta rodada, em Cardiff. Gales só tinha dois pontos e perdeu para a Áustria por 2 a 0, diante de 47 mil no Millenium Stadium. Os gols vieram na reta final, com Ivica Vastic e Martin Stranzl, depois de muitas chances desperdiçadas pelos anfitriões. Os dois times se reencontraram quatro dias depois, em Viena. E de novo um gol no fim decidiu a parada para os austríacos, com René Aufhauser (graças a um frangaço do goleiro Danny Coyne) selando o triunfo por 1 a 0. A Áustria ficaria na terceira posição, mas longe de brigar pelas duas vagas na Copa. Gales terminou a campanha lastimável na penúltima posição, atrás ainda da Irlanda do Norte. Galeses e austríacos voltaram a se cruzar no qualificatório para 2018. As duas equipes empataram por 2 a 2 em Viena, enquanto os Dragões venceram por 1 a 0 em Cardiff. Mesmo assim, a Sérvia levou a vaga na Copa e a Irlanda foi para a repescagem.



