Eliminatórias da Copa

O Uruguai tomou um susto imenso no fim, mas venceu o Peru e vai à quarta Copa consecutiva

O Uruguai contou com um gol de Arrascaeta para ganhar o confronto direto com o Peru, mas um lance bem duvidoso quase gerou o empate dos visitantes no Centenário

Em certos momentos dessas Eliminatórias, o Uruguai pareceu em risco de não se classificar à Copa do Mundo. A Celeste teve sequências ruins, o que culminou no fim de ciclo de Óscar Tabárez após um histórico trabalho na seleção. Diego Alonso chegou, garantiu novos ares e colocou os charruas no Mundial com uma rodada de antecedência. Os uruguaios emendaram sua terceira vitória consecutiva nesta quinta-feira, num confronto direto contra o Peru. Os charruas fizeram sua parte no Estádio Centenário e venceram por 1 a 0, apesar do susto imenso nos acréscimos. Sem a tecnologia na linha do gol, o VAR não validou um lance peruano no qual a bola deu a impressão de entrar – embora as imagens não sejam conclusivas. Assim, os Incas terão que buscar no máximo a repescagem. Já o Uruguai vai à sua quarta Copa do Mundo consecutiva.

O Uruguai chega a 14 Copas do Mundo. Um detalhe interessante é que a Celeste emendará seu quarto Mundial consecutivo, igualando a maior sequência de seu passado, estabelecida entre 1962 e 1974. A competição no Catar poderá oferecer uma despedida digna à geração que recuperou o prestígio dos charruas – especialmente Luis Suárez, Edinson Cavani e Diego Godín. Enquanto isso, também será um momento de transição com a juventude liderada por Darwin Núñez, Federico Valverde e Ronald Araújo. A importância de Óscar Tabárez é fundamental, na própria mentalidade de formação da equipe. Ainda assim, Diego Alonso já se prova importante pela maneira como deu novos mecanismos ao time e recuperou a motivação.

Nesta quinta, mesmo com a volta de Fernando Muslera, o técnico Diego Alonso manteve Sergio Rochet no gol. O treinador repetiu a base das partidas anteriores, com Ronald Araújo na lateral direita e Facundo Pellistri logo à frente na meia. Já no ataque, Luis Suárez e Darwin Núñez se combinavam. O Peru vinha com seus principais nomes. Christian Cueva e André Carrillo abriam nas pontas, com Gianluca Lapadula no comando do ataque.

O Uruguai começou a partida com muito mais volume de jogo, posicionando-se no campo de ataque. O que não significava muito, já que o Peru era bem mais direto em suas ações e não demorou a criar as melhores chances. Aos cinco minutos, André Carrillo cruzou e Gianluca Lapadula apareceu sozinho para definir de cabeça. A bola veio em cima do goleiro Sergio Rochet, que conseguiu fazer a defesa. Pouco depois, num contra-ataque, Lapadula escapou pela direita e chutou cruzado, para nova defesa de Rochet. Os peruanos se defendiam com muita competência e eram mais conscientes com a bola. Os uruguaios ficavam devendo, apesar da iniciativa.

O principal problema do Uruguai era acertar o passe final. A Celeste acabava abusando dos cruzamentos e não tinha muita inventividade. Darwin Núñez parecia fora de sintonia, com direito a um contra-ataque desperdiçado. O Peru demonstrava mais confiança e dava mais trabalho à defesa adversária em suas subidas, mesmo sem criar outros lances de gol. Os uruguaios só acertaram seu compasso pouco antes do intervalo. Federico Valverde resolveu arriscar um chute de muito longe que Ricardo Gallese rebateu, aos 40. Após o escanteio, saiu o gol. Darwin Núñez cruzou da borda da área e José María Giménez, fechando no segundo pau, acertou o travessão. No rebote, De Arrascaeta mandou uma pancada no alto e balançou o barbante. Os charruas seguiram mais acesos na reta final antes do intervalo.

O Uruguai voltou para o segundo tempo disposto a garantir a vitória. Valverde quase marcou um golaço aos três minutos, em outra bomba do meio da rua. A bola estremeceu o travessão, quase entrando na forquilha. Na sequência, a Celeste passou a cadenciar o jogo e a aguardar o momento para atacar. A segurança dos charruas era evidente, com alguns lances perigosos com Luis Suárez. O Peru não se encontrava mais. No máximo, teria uma cobrança de falta para fora com Cristian Cueva. Logo a primeira substituição de Diego Alonso aconteceria, com o aplaudido Darwin Núñez dando lugar a Edinson Cavani, aos 21.

A reta final da partida ficou mais arrastada. O Uruguai tinha interesse em gastar o tempo, enquanto o Peru tinha extremas dificuldades para ameaçar uma defesa bem postada, sem que os seus substitutos causassem impacto. Todavia, isso não impediu que certa tensão pairasse no ar, com qualquer erro podendo tirar a classificação dos uruguaios. A Celeste teve um contra-ataque ou outro, sem definir bem. Já a Blanquirroja insistia nas bolas alçadas. Numa dessas, o gol quase veio já nos acréscimos. Miguel Trauco deu o balão, a bola tomou a direção do gol e Rochet se complicou na hora de defender, entrando com o corpo para dentro da meta. A impressão era de que a bola também tinha passado a linha, mas o VAR não confirmou o tento. Sem a tecnologia na linha do gol ou imagens conclusivas, ficou o “gol fantasma” que não aconteceu. E, depois de tamanho susto, os charruas finalmente puderam comemorar a classificação ao apito final. Os peruanos, do outro lado, protestaram bastante.

O Uruguai chega aos 25 pontos, igualando-se ao Equador, também classificado com o resultado em Montevidéu. São quatro pontos de vantagem sobre o Peru. A Celeste, além do mais, se classifica de forma direta pelo segundo Mundial consecutivo. É um feito considerável, a quem esteve na repescagem em quatro Eliminatórias seguidas. Já os peruanos, com 21 pontos, só podem buscar a repescagem agora. Na rodada final, os Incas dependem apenas de si, em duelo contra o Paraguai em Lima. Colômbia, com 20 pontos, e Chile, com 19, são as ameaças. Os colombianos visitam a Venezuela e os chilenos recebem o próprio Uruguai.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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