Eliminatórias da Copa

O Peru resolveu a parada logo de cara e, com imensa calmaria, disputará a repescagem outra vez

Peru não teve problemas para derrotar o Paraguai em Lima, diante de imenso apoio de sua torcida, e vai encarar a repescagem contra Austrália ou Emirados Árabes em junho

Se Ricardo Gareca já era visto como um herói no Peru, nesta terça-feira ele aumentou sua imagem como ídolo no país. A seleção peruana, pela segunda vez consecutiva, vai disputar a repescagem nas Eliminatórias. Terá a chance de jogar sua segunda Copa do Mundo seguida, depois de um período de 36 anos longe do torneio. Vale lembrar que a campanha da Blanquirroja começou muito mal e o time chegou a frequentar a lanterna. Apesar dos problemas, a federação deu um voto de confiança ao treinador e Gareca recuperou a competitividade da equipe. Na rodada final, apesar das ameaças na tabela, o Peru viveu uma jornada segura. Dependendo apenas de si, a equipe derrotou o Paraguai por 2 a 0 em Lima e assegurou a quinta colocação, sem nem olhar os placares dos perseguidores Colômbia e Chile. Foi uma partida resolvida no primeiro tempo, com a devida calma dos peruanos e uma belíssima festa da torcida que se engaja com sua seleção. A definição da vaga no Mundial ocorrerá em junho, contra Austrália ou Emirados Árabes na repescagem intercontinental em jogo único.

A energia da torcida em Lima pareceu contagiar a seleção peruana. E, num ótimo início da equipe, o primeiro gol saiu com apenas cinco minutos. Christian Cueva deu um lançamento magistral, de trivela. Gianluca Lapadula se infiltrou no meio da zaga e, diante do goleiro Antony Silva, deu um toque de primeira. A bola beijou a trave e pegou um efeito para entrar. A confiança da Blanquirroja se tornava maior, mas isso não podia significar desleixo. Um susto do Paraguai viria logo aos dez minutos. Sebastián Ferreira aproveitou um recuo errado e mandou uma pancada da entrada da área, acertando o travessão de Pedro Gallese. Nada estava resolvido ainda.

O jogo ficaria mais pausado depois disso. O Peru controlava a posse de bola, sem necessidade de acelerar. Vez ou outra tentava acionar Lapadula, mas sem forçar muito. O que a Blanquirroja mais queria era o apito final. Já os temores se restringiam a passes errados no campo de defesa. Quando o Paraguai teve um pouco mais a bola, por volta dos 30 minutos, produziu pouquíssimo. Mas não que os Incas se empenhassem tanto nos contragolpes. O jogo era feio, com muitos erros e poucos motivos de aumentar a intensidade, aos dois lados.

O Peru, ainda assim, se contentaria com a mínima chance. Aos 42 minutos, a festa no Estádio Nacional de Lima se tornou maior, graças a uma bola parada que rendeu o segundo gol. Em falta cobrada na direita, o cruzamento seria tirado no primeiro momento. Cueva pegou a sobra, chapelou a marcação e Édison Flores cruzou. Depois de um leve desvio da zaga, Yoshimar Yotún apareceu no segundo pau e emendou um voleio. Antony Silva até tocou na bola, mas não evitou o tento, que aproximava a Blanquirroja ainda mais de sua missão. Nos acréscimos, o terceiro quase saiu de novo com Lapadula. Após cobrança de falta para a área, o centroavante desviou de cabeça e carimbou a trave. O problema do Peru era o fogo-amigo, e quase Gallese tomou um gol em bola recuada.

O segundo tempo recomeçou morno. O Peru não tinha necessidade de forçar um placar que já era confortável, especialmente considerando as debilidades do Paraguai. O duelo se desenrolava num equilíbrio estéril, sob controle dos peruanos, que seguiam construindo um pouco mais. Nos outros jogos paralelos, para ajudar, as notícias de Lima também pareceram controlar qualquer pressão de Colômbia ou Chile.

Mesmo com tamanha calmaria, o Peru apresentava uma clareza de ideias maior. O Paraguai acionou seu banco e nem assim ganhou novo ímpeto. A partir dos 25 minutos, a Albirroja ficou mais tempo no campo de ataque, o que não significou muito, com o time limitado a chutes de longe. A Blanquirroja nem precisava se esforçar para ser superior e, aos 37 minutos, a conexão entre Cueva e Lapadula funcionou de novo. O meia cruzou para uma cabeçada potente do centroavante no travessão. Durante a reta final, prevaleceu a comemoração dos torcedores peruanos no Estádio Nacional. A bola rolando era mero detalhe, com a espera do apito que confirmasse a missão cumprida e colocasse os Incas a caminho da repescagem.

O Peru encerra sua campanha nas Eliminatórias com 24 pontos. É uma recuperação expressiva, considerando que o time só conquistou sua primeira vitória no sexto jogo e passou as cinco primeiras rodadas com apenas um ponto conquistado. Ricardo Gareca manteve peças importantes, mas viu outros jogadores crescerem, em especial Cueva e Lapadula. O objetivo agora fica para a repescagem. Com o jogo em campo neutro no Catar, há um prejuízo à Blanquirroja sem a sua torcida em Lima. Mesmo assim, não é de se duvidar que uma invasão peruana ocorra para apoiar o time – que, pelo futebol apresentado, será favorito contra Austrália ou Emirados Árabes em busca de sua sexta Copa.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo