Eliminatórias da Copa

O gol sensacional de Di María deu uma suada vitória à Argentina em Montevidéu e aumentou o drama do Uruguai

O gol precoce de Di María garantiu o triunfo da Argentina, que tomou pressão e conseguiu se segurar na defesa

A Argentina continua num alto nível competitivo nas Eliminatórias e, pela segunda vez, derrotou o Uruguai. O embate aconteceu no Campeón del Siglo, por conta das reformas no Estádio Centenario, e guardou suas dificuldades. Se no encontro passado a Albiceleste construiu um placar contundente em casa, mesmo dependendo das defesas de Emiliano Martínez, desta vez a defesa seria muito mais necessária. O gol saiu logo aos dez minutos, numa finalização sensacional de Di María, mas, com Messi poupado no banco, os argentinos pouco ameaçavam no ataque. Precisando dos pontos, a Celeste pressionou muito e teve algumas boas oportunidades, mas não conseguiu romper a defesa dos rivais. O triunfo por 1 a 0 deixa a Argentina ainda mais perto do Catar, enquanto as dúvidas sobre a classificação do Uruguai se tornam maiores.

O Uruguai tem desfalques importantes nesta Data Fifa e deixou Luis Suárez como homem solitário no ataque. Óscar Tabárez preferiu rechear o meio-campo, com Nahitan Nández e Brian Rodríguez abertos, além de uma trinca centralizada com Lucas Torreira, Rodrigo Bentancur e Matías Vecino. Já a Argentina tinha Lionel Messi, retornando de lesão, só no banco. Com isso, Paulo Dybala ganhava uma oportunidade, compondo trinca de meias com Ángel Di María e Giovani Lo Celso. Lautaro Martínez comandava o ataque.

Precisando da vitória, o Uruguai gerou uma blitz durante os primeiros minutos. Logo começou a encurralar a defesa da Argentina e a buscar o gol precoce. A Albiceleste conseguia se safar, até que Emiliano Martínez fizesse uma defesa providencial aos cinco minutos, quando Nández escapou na direita e chegou de frente para o gol. O arqueiro mais uma vez se agigantou contra os charruas, como tinha sido no encontro anterior. E a resposta dos argentinos seria fatal.

Depois de uma bola de Rodrigo de Paul que passou por Lautaro, Di María abriu o placar com seu golaço aos sete minutos. Dybala foi muito bem no lance, ao roubar a bola de Joaquín Piquerez e avançar pela direita. O atacante descolou o passe para Di María, com espaço na área. O veterano dominou e bateu com um tapa perfeito, que saiu do alcance de Fernando Muslera e morreu no ângulo. Era um banho de água fria sobre o Uruguai, que precisaria de muito mais esforço a partir de então.

A Celeste tentou dar sua resposta na sequência. Suárez chamava a responsabilidade. O atacante logo mandou uma cobrança de falta para fora, antes de bagunçar a defesa e acertar a parte externa da rede aos 14. Os uruguaios acionavam principalmente o lado direito do ataque, mas dependiam do Pistolero para ameaçar. Já os argentinos não tinham pressa, com o controle da bola, trocando passes e nada de finalizações. Di María, caindo para cima de Piquerez, era quem tentava dar uma profundidade maior à equipe.

A grande chance de empate do Uruguai aconteceu aos 31. Suárez bateu de primeira na entrada da área e carimbou a trave. O veterano ainda tentou marcar no rebote, mas chutou no susto e mandou para fora. Neste momento, a Celeste se animou no jogo e voltou a aumentar a pressão. O abafa era grande e Cristian Romero aparecia bem no miolo da zaga para afastar as chegadas. Ainda assim, Martínez voltaria a aparecer decisivamente aos 42, num lance preparado de Suárez para Vecino. O volante chutou rasteiro e o goleiro nem deu rebote. Antes do intervalo, Suárez tentou até de bicicleta, sem sucesso.

Os dois times voltaram com mudanças para o segundo tempo. Facundo Torres entrou no lugar de Brian Rodríguez, enquanto Joaquín Correa veio na vaga de Dybala. O que não mudou era a segurança de Martínez, que voltaria a trabalhar com uma defesa tranquila logo no primeiro minuto. O Uruguai tentava se fazer ainda mais presente no campo de ataque e adiantava a marcação, impondo dificuldades na saída de bola da Argentina. Faltava melhorar as conclusões. E a Albiceleste, diante do aperto, logo ganharia Papu Gómez e Ángel Correa aos dez minutos, com um descanso para Lautaro e Di María.

Papu não precisou de muito para garantir a segunda finalização da Argentina, a primeira desde o gol, num lance individual no qual arrematou ao lado da meta de Muslera. E o Uruguai ganharia mais presença ofensiva, com Vecino dando lugar ao garoto Agustín Álvarez Martínez. Era um segundo tempo mais travado, sem que nenhuma das equipes conseguisse prevalecer. A Albiceleste, ao menos, tinha mais escape nos contragolpes. Joaquín Correa foi desarmado numa arrancada aberta, antes de parar em Muslera. Aos 31, os argentinos ainda ganharam Messi, no lugar de Lo Celso.

A reta final do jogo seguiu com o Uruguai tentando forçar no campo de ataque e a Argentina com alguns contragolpes. Joaquín Correa era quem mantinha Muslera atento, enquanto os uruguaios se tornaram mais presentes na área, na base dos cruzamentos. Álvarez Martínez deu uma cabeçada perigosa por cima, pouco antes de Emiliano Martínez quase tomar um frangaço em chute do garoto do Peñarol, mas se recuperar a tempo. O drama seguiu até os últimos suspiros, com Messi isolando em sua única oportunidade e a Celeste sem nunca desistir. Os charruas bombeavam a bola na área e esperavam uma fresta, mas os argentinos se seguraram e preservaram o triunfo.

A Argentina dá mais um grande passo rumo à Copa do Mundo, com 28 pontos, ainda invicta na segunda colocação. Na próxima terça-feira, a Albiceleste poderá diminuir a distância em relação ao líder Brasil, com o embate no Monumental de Núñez. Já o Uruguai fecha a rodada numa situação incômoda, fora da zona de classificação, no sexto lugar. Com 16 pontos, a Celeste fica abaixo de Chile e Colômbia no saldo. A chance de recuperação acontecerá em La Paz, com a necessidade de vencer uma Bolívia que corresponde em casa.

Classificação fornecida por SofaScore LiveScore

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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