Eliminatórias da Copa

O Chile vai mandar seu jogo contra a Argentina pelas Eliminatórias em Calama – no deserto e na altitude

Além da intenção de complicar a Argentina nas condições extremas, Chile quer se preparar antes do confronto com a Bolívia em La Paz

O “fator campo” costuma ser muito bem aproveitado nas Eliminatórias Sul-Americanas. E o Chile também tentará se valer do ambiente para buscar sua classificação à próxima Copa do Mundo. Nesta semana, a Fifa autorizou que a Roja mande seu jogo contra a Argentina em Calama. O Estádio Zorros del Desierto, como o próprio nome diz, fica no meio do Deserto do Atacama. Além disso, a altitude passa a ser aliada dos anfitriões: a casa do Cobreloa fica localizada a 2.260 metros do nível do mar e servirá de estágio antes do embate contra a Bolívia em La Paz. Será a primeira vez que os chilenos mandarão uma partida de Eliminatórias fora de Santiago.

Um dos intuitos do Chile em Calama será complicar a Argentina. O duelo será fundamental para as pretensões da Roja em busca da vaga no Mundial. Porém, até mais importante que isso, o compromisso em 27 de janeiro é visto como uma preparação ao time de Martín Lasarte para que enfrente a Bolívia em La Paz (uma altitude superior) no dia 1° de fevereiro. Além do mais, não surpreenderá se a rodada final contra o Uruguai também acontecer no Estádio Zorros del Desierto, considerando as dificuldades dos charruas na altitude. O Chile ocupa a sexta posição nas Eliminatórias, a um ponto da zona de classificação, com uruguaios e bolivianos entre seus perseguidores logo abaixo.

O Estádio Zorros del Desierto passou por uma recente reforma, reinaugurado em abril de 2015. Apesar da modernização, o campo não recebeu os jogos da Copa América daquele ano, embora tenha sido palco de duelos pela Libertadores e pela Copa Sul-Americana desde então. Além dos obstáculos climáticos, o estádio pode servir como um pequeno caldeirão, com capacidade para 12 mil torcedores. Nesta semana, a Fifa deu sinal verde para que ele seja utilizado, também por possuir acesso adequado e rede hoteleira suficiente às seleções visitantes.

Desde a reforma recente, o Estádio Zorros del Desierto passou a ser cogitado como um palco do Chile nas Eliminatórias, o que acabou descartado em outras ocasiões. No entanto, com os atuais riscos da Roja na tabela de classificação, os próprios jogadores sugeriram a possibilidade de atuar em Calama. Gary Medel foi um dos porta-vozes do grupo: “Contra Argentina e Bolívia, temos que arrancar seis pontos para estar na parte de cima da tabela. Vamos conversar sobre o jogo. Mas o que for extra para nós, vamos fazer”.

Como muitos jogadores da seleção chilena não estão acostumados com a altitude, em atividade na Europa, a intenção é de que o time inicie seus treinamentos em Calama seis dias antes de enfrentar a Argentina e, consequentemente, esteja aclimatado também para o confronto direto com a Bolívia em La Paz. Ben Brereton, único do elenco que nunca atuou na altitude, deverá passar por uma preparação especial. Os dirigentes chilenos solicitaram que o atacante faça testes em uma câmara hipobárica para simular as condições de baixa oxigenação que seu corpo enfrentará na altitude.

A seleção chilena disputou apenas duas partidas em Calama ao longo de sua história: um amistoso contra o Vejle Boldklub da Dinamarca em 1985 e um duelo preparatório à Copa de 2010 contra Zâmbia. O time venceu ambos os encontros. Pelas Eliminatórias, todavia, será uma ocasião inédita. O Chile nunca mandou um jogo de qualificatório fora de Santiago, exceto quando teve que cumprir punição e atuar em Mendoza (Argentina) durante um compromisso da classificação à Copa de 1990. A nova jogada é arriscada, mas parece fazer sentido, pensando na tabela e na urgência dos pontos.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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