Eliminatórias da Copa

Numa grande atuação de Alexis, o Chile volta de La Paz com uma crucial vitória sobre a Bolívia

O duelo no Hernando Siles seria emocionante, com os bolivianos lutando até o fim, mas parando no goleiro Cortés

O Chile ressurgiu na disputa por uma vaga na Copa do Mundo durante o segundo turno das Eliminatórias, mas duas derrotas seguidas nas últimas rodadas freavam os ânimos da equipe. A Roja subiu os Andes precisando da vitória sobre a Bolívia em La Paz. E o Estádio Hernando Siles contou com uma atuação de gala de Alexis Sánchez. O camisa 7 comandou a equipe chilena, num duelo muito difícil, em que os bolivianos lutaram até o final. O goleiro Brayan Cortés também seria decisivo aos visitantes, com uma série de grandes defesas. O triunfo por 3 a 2 reaviva as esperanças do Chile, enquanto praticamente encerra as chances da Bolívia em busca do Mundial.

O pontapé inicial da partida em La Paz seria atrasado em 30 minutos. As fortes chuvas afetam a Bolívia e o gramado estava encharcado no horário marcado. Funcionários do estádio precisaram secar o campo com rodos e até uma cena pitoresca ocorreu, com o uso de canequinhas e baldes para tirar as poças. O VAR também seria afetado e não funcionaria durante a primeira etapa – por sorte, sem grandes problemas para a arbitragem.

O Chile não tinha problemas com o mando de campo e também superava o gramado pesado para controlar o início do jogo. A Roja se mostrava uma equipe mais organizada e apertava sua marcação no setor ofensivo. Aos 14 minutos, na primeira chance real, saiu o gol. Numa cobrança de falta mais à esquerda, Alexis Sánchez resolveu mandar a pancada para o gol e contou com a ajuda do ar rarefeito. A bola fez uma curva e enganou o goleiro Carlos Lampe, que poderia ter ido melhor no lance.

O Chile continuou um pouco melhor na sequência e Lampe faria boa defesa em cabeçada de Paulo Díaz, por mais que houvesse impedimento. Mas não era a melhor atuação da Roja, que aos poucos reduziu seu ritmo e viu o duelo ficar mais truncado. A Bolívia tinha dificuldades para responder, mas cresceu na reta final do primeiro tempo e achou o empate aos 37. Primeiro, Erwin Saavedra chutou de longe e o goleiro Brayan Cortés espalmou para escanteio. Na cobrança, Juan Carlos Arce cruzou e Marc Enoumba chegou com tudo para o cabeceio, no barbante. Os minutos anteriores ao intervalo eram mais abertos, mas o melhor lance foi dos chilenos, numa pancada de Marcelino Núñez que passou próxima da trave.

O segundo tempo começou com um chute travado de Marcelo Moreno dentro da área, mas seguiu truncado. A Bolívia tinha mais iniciativa e o Chile demorou a acertar sua saída de bola. Só que, num momento em que os chilenos ensaiavam a melhora, os bolivianos quase viraram. O goleiro Cortés, substituindo o lesionado Claudio Bravo, salvou três vezes. Primeiro, num contra-ataque aos 21, o arqueiro espalmou o chute de Arce. Depois, na cobrança de escanteio, pegaria também a cabeçada de Marcelo Moreno. Já aos 23, Ramiro Vaca bateu de longe e Cortés deu um leve desvio, em tiro que ainda bateu na trave antes de ser neutralizado. A Roja parecia sentir o cansaço e só então fez suas primeiras trocas.

As alterações não safaram o Chile tanto assim e a Bolívia voltou a ficar no quase aos 26. Em mais uma bola aérea, Enoumba tentou marcar de novo de cabeça e Cortés fez o milagre, contando com a ajuda do travessão. Nesta sequência, a resposta chilena seria de Pablo Parra e Lampe se fez presente, se esticando todo para espalmar o petardo à linha de fundo. E a Roja seria mais efetiva para retomar a vantagem, aos 32. Alexis Sánchez inverteu uma linda bola e Mauricio Isla apareceu livre na área. Rolou para o meio, onde Marcelino Núñez chutou de primeira e venceu Lampe.

A Bolívia ainda tentou uma resposta, mas tinha claras dificuldades e se limitava às bolas paradas. Outro golpe duro surgiu aos 40, com o terceiro gol do Chile. Num contragolpe, Alexis Sánchez recebeu na entrada da área. O atacante girou para deixar Enoumba no chão e, mesmo com o caminho congestionado, deu um chute cruzado que entrou manso no cantinho, diante do vendido Lampe. Atuação de gala do camisa 7. La Verde, porém, não se daria por vencida ainda.

A Bolívia retornou ao jogo, com seu segundo gol aos 43. Cortés espalmou um chute de longe e, na sequência, Henry Vaca fez uma linda jogada pela direita, para Marcelo Moreno descontar de cabeça. O tento botou tempero no duelo, que ficou insano nos minutos finais, com seis de acréscimos. Aos 47, quase saiu um golaço de falta do Chile, em batida direta de Alexis Sánchez (quem mais?) que estalou o travessão. Havia uma certa tensão no ar, e uma revisão longa de pênalti para os chilenos, mesmo que negado, atrapalhou os bolivianos. No máximo, La Verde mandaria alguns chuveirinhos travados pela zaga adversária. A Roja conseguiu gastar o tempo e comemorou a vitória crucial.

O Chile alcança os 19 pontos e volta a ganhar fôlego na briga pela classificação à Copa do Mundo, pelo menos em busca da repescagem. Fica em sexto. Já a Bolívia aparece em uma situação bem mais difícil nas duas rodadas finais e a vaga no Mundial se torna praticamente impossível. Não dá mais para buscar o G-4, depois do triunfo do Uruguai sobre a Venezuela. O sonho de La Verde sofreu um golpe e tanto com a derrota para a Venezuela na rodada passada, enquanto a queda é La Paz é muito custosa.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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