Eliminatórias da Copa

Num jogo fervilhando em plena neve, o Canadá superou o México e assumiu a liderança na Concacaf

O Canadá conquistou uma vitória memorável contra o México, sob nevasca em Edmonton e com o clima muito quente em campo

O Canadá antecipa os planos e se coloca cada vez mais perto da Copa do Mundo. Se o Mundial de 2026 deveria garantir a presença dos Canucks como país-sede, a geração talentosa que eclode por lá encurta os caminhos e apresenta um futebol bastante competitivo já nas Eliminatórias para 2022. E a prova mais concreta de que os canadenses podem voltar ao torneio após 36 anos veio nesta terça-feira, em Edmonton. No “Iceteca”, como foi carinhosamente apelidado o Estádio Commonwealth sob neve, em referência ao Azteca, o Canadá derrotou o México por 2 a 1 – com direito a minutos finais dramáticos e confusão entre os times ao apito final. Além de todo o peso do resultado, os três pontos ainda alçam o time do técnico John Herdman à liderança do octogonal da Concacaf, ultrapassando os Estados Unidos.

O campo castigado, a neve ao redor e a temperatura negativa criavam um ambiente singular ao duelo. E o primeiro tempo seria bastante disputado, apesar das dificuldades das equipes para se impor. As bolas aéreas viravam um caminho, até que o Canadá indicasse um pouco mais de controle. E numa primeira etapa em que apenas os Canucks conseguiram finalizar, o gol surgiu nos acréscimos. Alistair Johnston mandou uma pancada de longe, Guillermo Ochoa rebateu mal, para frente, e Cyle Larin marcou no rebote.

O México voltou com duas mudanças para o segundo tempo, mas o Canadá estava mais aceso e conseguiu o segundo gol aos seis minutos. Stephen Eustáquio cobrou uma falta de longe e a bola atravessou a área. A defesa mexicana apenas assistiu, com Larin entrando sozinho para superar Ochoa sem grandes dificuldades. O gol ainda permitiu que Larin igualasse Dwayne De Rosario como maior goleador na história dos Canucks, ambos com 22 tentos. Na comemoração, o artilheiro sentou na neve e a empolgação no estádio se tornava ainda maior. El Tri, na necessidade de responder, veria Roberto Alvarado finalizar mal.

Apesar desses lances, o México exibia extremas dificuldades contra a bem postada defesa do Canadá. E os Canucks tentavam liquidar a fatura, com Ochoa se antecipando providencialmente num avanço de Alphonso Davies aos 24. Os mexicanos estavam desencontrados e não impunham uma pressão, o que só aconteceu na base do desespero nos minutos finais. El Tri voltou para o jogo aos 45, num cruzamento de Tecatito Corona para a cabeçada no canto de Héctor Herrera, que reduziu a diferença no marcador. Com isso, os visitantes passaram a acreditar e a sitiar o campo de ataque. Foi quando o goleiro Milan Borjan, que fazia uma partida segura, se agigantou. Numa série de rebatidas dentro da área nos acréscimos, o canadense fez milagre em cima da linha, após desvio de Jorge Sánchez. Foram várias tentativas rechaçadas, com a zaga se multiplicando no bloqueio.

Os acréscimos acabaram estendidos e deram margem à confusão quando o Canadá tentava gastar o tempo. O México entrou na pilha e o árbitro já teve problemas antes do apito final. O término do duelo, então, desencadeou um empurra-empurra que levaria um tempo até ser apaziguado. Quando a poeira baixou, os canadenses puderam celebrar aquela que talvez seja a vitória mais significativa desta geração. Vários jogadores comemoravam com a torcida e brincavam com a neve. Alphonso Davies saiu correndo de ponta a ponta empunhando uma bandeira. Esta foi apenas a quarta vitória canadense em 34 duelos com os mexicanos, a primeira desde 2000.

Para o Canadá subir à liderança, o time contou com o tropeço dos vizinhos ao sul. Os Estados Unidos abriram a rodada em Kingston e o empate por 1 a 1 com a Jamaica ficou de bom tamanho aos visitantes. O US Team inaugurou o placar aos 11 minutos, numa grande jogada individual de Timothy Weah. O ponta arrancou pela esquerda, passou pela marcação como quis e finalizou com pouco ângulo. Os americanos seguiam em busca do segundo, mas não tiveram o que fazer aos 22, num gol fantástico de Michail Antonio. O centroavante limpou a marcação fora da área e mandou um foguete direto no ângulo do goleiro Zack Steffen, que saltou em vão. O primeiro tempo seguiu corrido, mas sem novos lances claros.

Na segunda etapa, os Estados Unidos mantiveram a posse de bola, enquanto a Jamaica achou os espaços para ensaiar a virada. Bobby Decordova-Reid perdeu um gol absurdo aos oito minutos, num presente da zaga. O atacante estava sozinho na risca da pequena área e chutou por cima. Os EUA ganharam a entrada de Christian Pulisic, o que não gerou uma melhora na criação. O US Team parecia no limite, com os Reggae Boyz apostando na velocidade. O segundo gol até aconteceu aos 39, numa cabeçada de Damion Lowe após escanteio, mas a arbitragem anotou uma falta do jamaicano que evitou o pior aos americanos.

O Panamá completa o G-4, graças a mais uma virada alcançada nesta terça. Os Canaleros tomaram um gol relâmpago de El Salvador no Estádio Rommel Fernández, mas buscaram o triunfo por 2 a 1 no segundo tempo. Os salvadorenhos precisaram de 10 segundos para marcar o seu tento, numa escapada de Jairo Mauricio Henríquez pela direita, antes do chute com pouco ângulo que surpreendeu o goleiro Luis Mejía. Depois disso, os panamenhos abafaram os visitantes durante toda a primeira etapa. Foram 16 finalizações antes do intervalo, incluindo duas bolas na trave, sem que o tento saísse.

A torcida do Panamá precisou de paciência, mas o jogo se resolveu na retomada do segundo tempo. Aos cinco minutos, Freddy Góndola cruzou da direita e Cecilio Waterman subiu mais que a marcação para gerar o empate. Dois minutos depois, o herói seria o próprio Góndola, que recebeu o passe de cabeça e só escorou de peixinho no meio da área. El Salvador até assumiria a iniciativa e ficaria mais com a bola na sequência do duelo, mas as oportunidades eram raras e os panamenhos seguiram mais agressivos para consumar o triunfo.

Por fim, a Costa Rica arrancou na unha uma vitória por 2 a 1 sobre Honduras em San José. O gol decisivo surgiu aos 50 do segundo tempo e sustenta as chances dos Ticos, afundando um pouco mais La H na lanterna. Os costarriquenhos já tinham mandado uma bola na trave com José Guillermo Ortíz, até que o primeiro gol acontecesse aos 20 minutos. Após cobrança de escanteio de Joel Campbell, Óscar Duarte assinalou de cabeça. Honduras cresceu na sequência do primeiro tempo e fez Keylor Navas trabalhar, com direito a um chute na trave de Edwin Rodríguez. A pressão rendeu o empate aos 35, num lançamento que Romell Quioto dominou tirando da marcação e chutou cruzado. Ainda assim, quase Costa Rica marcou o segundo antes do intervalo, com um milagre do goleiro Luis Lopes na pequena área contra Ortíz.

Mesmo fora de casa, Honduras seguiu melhor no segundo tempo. La H era mais presente no campo de ataque e, embora tenha exigido mais uma grande intervenção de Navas, tinha dificuldades para finalizar com tanta clareza. A Costa Rica precisou resistir ao constante perigo, até que o gol milagroso surgisse aos 50 minutos. Joel Campbell rabiscou pela direita, Johan Venegas ajeitou de cabeça e Gerson Torres surgiu para definir também numa testada, no cantinho de Luis Lopes. O resultado é fundamental às perspectivas dos Ticos.

O Canadá encerra a Data Fifa com 16 pontos e a liderança isolada, mas não desfruta de uma situação tão tranquila. Os Estados Unidos vêm logo atrás com 15 pontos. México e Panamá contabilizam 14 pontos, com vantagem dos mexicanos na zona de classificação direta graças ao saldo de gols. Em quinto, Costa Rica precisará remar muito contra o prejuízo, com nove pontos. A Jamaica soma sete e El Salvador tem seis, com Honduras segurando a lanterna ainda sem vencer e só três pontos. Vale lembrar que, na Concacaf, os três primeiros ganham vaga direta na Copa e o quarto vai à repescagem. Faltam mais seis rodadas para o término do octogonal decisivo.

Classificação fornecida por SofaScore LiveScore

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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