Eliminatórias da Copa

Nos acréscimos, Borja impediu uma vitória da Argentina que parecia certa e deu o empate à Colômbia

Argentina abriu dois gols em oito minutos, mas Messi parou em Ospina e Borja salvou o empate no fim

A Argentina parecia ter uma grande vitória nas mãos pelas Eliminatórias. A Albiceleste visitava a Colômbia no Estádio Metropolitano e, com menos de dez minutos, conseguiu abrir dois gols de vantagem. Mesmo com os colombianos descontando no início do segundo tempo, os argentinos poderiam fazer mais, mas paravam na ótima atuação de Ospina. E o goleiro seria decisivo ao agonizante empate dos Cafeteros, ao lado de Borja. Após sair do banco, o centroavante se tornou o herói dos anfitriões em Barranquilla, ao garantir o placar de 2 a 2 nos acréscimos. Os pontos perdidos não são tão custosos à situação da Argentina, enquanto marcam a retomada da Colômbia no qualificatório a partir da volta de Reinaldo Rueda.

A partida em Barranquilla contou com 10 mil presentes, numa decisão questionável. Como 6 mil ingressos já estavam vendidos num pacote para os jogos da Colômbia em casa, a federação preferiu abrir os portões do que ressarcir o público. Tal medida contou com o apoio da Conmebol e também das autoridades locais. A intenção é óbvia, num momento em que o governo colombiano tenta transmitir uma situação de normalidade em meio à revolta popular. Para abafar possíveis protestos, 4,5 mil policiais fizeram parte do efetivo na noite. Além disso, foram 4 mil convidados a mais nas tribunas. Convenientemente, a partir desta terça são permitidos eventos esportivos com 25% do público no país, desde que as cidades não tenham mais de 85% das UTI’s ocupadas – o que soa uma temeridade. Em Barranquilla, ao menos, a situação não é tão preocupante, com 38% de ocupação.

Voltando ao campo, a Argentina vinha com diversas modificações em relação ao empate com o Chile. Apenas Emiliano Martínez, Cristian Romero, Leandro Paredes, Rodrigo de Paul, Lionel Messi e Lautaro Martínez foram mantidos pelo técnico Lionel Scaloni. A principal novidade era Nicolás González na linha de frente. Já a Colômbia repetia dez titulares que derrotaram o Peru na rodada anterior. Reinaldo Rueda apenas preferiu aumentar o poder de marcação no meio, com Jefferson Lerma no lugar de Luis Muriel.

As escolhas da Argentina surtiram muito mais efeito. Afinal, a Albiceleste precisou de três minutos para sair em vantagem. De Paul cobrou falta e Cristian Romero apareceu na área para conferir de cabeça. Pois teria mais: num início insaciável dos argentinos, Paredes já anotou o segundo aos oito. O volante invadiu a área, escapou da marcação na marra e definiu. O resultado dava uma tranquilidade aos visitantes, que administravam a vantagem e evitavam os sufocos dos colombianos. Lautaro e González ainda quase fizeram o terceiro numa mesma jogada, até Rueda promover a primeira troca logo aos 30. O treinador admitiu o erro, botando Muriel na vaga de Lerma.

Pouco depois, a Argentina também queimou sua primeira mudança. Emiliano Martínez disputou uma bola pelo alto na área e levou a pior, sofrendo um choque na cabeça durante a queda no gramado. O arqueiro precisou ser encaminhado ao hospital e foi substituído por Agustín Marchesín. Mesmo assim, o fim do primeiro tempo poderia ver um placar mais elástico da Albiceleste. Messi exigiu defesa de David Ospina em cobrança de falta. Já nos prolongados acréscimos, Duván Zapata teria a principal chance de descontar e não acertou a pontaria.

Rueda mexeria mais no segundo tempo. A Colômbia voltou do intervalo com as entradas de Wilmar Barrios, Edwin Cardona e Miguel Borja. Então, os Cafeteros realmente melhoraram. Borja logo concluiu sua primeira chance para fora e logo depois Nicolás Otamendi cometeu pênalti sobre Mateus Uribe. Na cobrança, Muriel descontou aos seis minutos. Apesar do controle inicial dos colombianos na segunda etapa, logo a Argentina responderia e parecia mais próxima do terceiro. Ospina manteve sua equipe no jogo.

Messi de novo quase marcou de falta aos 13, mas Ospina conseguiu buscar a bola no ângulo. O goleiro deu um leve desvio no chute, que ainda bateu no travessão. O camisa 10 era muito participativo e conseguia aproveitar a boa atuação de Lautaro Martínez. O jovem tentaria ampliar, mas duas vezes parou em intervenções de Ospina. Do outro lado, Muriel também perdoou quando teve a brecha. Por fim, Ospina operou seu último milagre aos 39, parando a batida de canhota de Messi rente ao solo. Com isso, permitiu que a Colômbia sobrevivesse. E o empate saiu nos acréscimos. Num cruzamento de Juan Guillermo Cuadrado da direita, Borja subiu no meio da área e arrematou de cabeça. A bola passaria por baixo de Marchesín e entraria.

A situação da Argentina nas Eliminatórias ainda é confortável. A equipe ocupa o segundo lugar, com 12 pontos. Se a Albiceleste vê o Brasil já distante, pelo menos sustenta uma vantagem de três pontos sobre o Equador logo abaixo. Já a Colômbia fica com oito pontos e permanece na zona de classificação, aproveitando a Data Fifa para somar resultados importantes numa campanha até então morna. O empate em Barranquilla é valioso nessa perspectiva dos Cafeteros.

Classificação fornecida por SofaScore LiveScore

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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