União e ataque forte: Noruega aprende a sofrer e fica muito perto da Copa do Mundo
Vitória sobre a Estônia com quatro gols na etapa final evidencia os pontos positivos do plantel de Solbakken
A Noruega está com um pé e meio na Copa do Mundo e tem tudo para voltar ao torneio pela primeira vez desde 1998. A vaga ficou mais próxima com a vitória sobre a Estônia nesta quinta-feira (13) no Ullevaal Stadion, em Oslo, por 4 a 1. Os gols noruegueses foram de Sorloth (2) e Haaland (2), e Saarma diminuiu.
O grupo de Stale Solbakken agora depende de um tropeço da Itália contra a Moldávia no jogo que começa às 16h45 (de Brasília) para ter a classificação assegurada ao Mundial. Caso os italianos vençam, os nórdicos ainda têm mais uma chance no confronto direto diante da Azzurra e podem até perder dependendo do saldo de gols.
Ou seja: a Noruega só depende de si para estar na Copa de 2026.
Alcançar essa tranquilidade não foi fácil, mas a reconstrução sob o comando de Solbakken ensinou ao plantel “como sofrer”. Além disso, consagrou a equipe ao patamar de seleções difíceis de serem batidas.
Noruega dá a volta por cima em Eliminatórias e encaminha vaga na Copa 2026
O antecessor de Solbakken, Lars Lagerback, assumiu como técnico em 2017 e tinha a missão de conduzir a seleção ao Mundial do ano seguinte, mas não conseguiu. Ficou em 4º no Grupo C, atrás de Alemanha, Irlanda do Norte e República Tcheca.
Ele deixou o cargo em dezembro de 2020, e Solbakken assumiu. O treinador começou bem, três vitórias e uma derrota nos quatro primeiros desafios. Porém, o desempenho de 18 pontos em 10 jogos nas Eliminatórias para a Copa 2022 não foi suficiente sequer para repescagem na época, e a seleção amargou o 3º lugar — Holanda e Turquia foram líder e vice-líder da chave G, respectivamente.
O cenário é diferente agora. Na pior das hipóteses, os noruegueses já têm garantida a repescagem.

Haaland é inegavelmente o protagonista da Noruega, mas o próprio jogador reconheceu que o diferencial é a união.
— Quando olho para a bandeira da Noruega, penso em união. Penso em tudo o que a Noruega representa. É algo muito forte toda vez que vejo a bandeira no peito. Nós representamos a união, representamos muitas coisas. Somos pessoas simples e trabalhamos duro — disse ele à “TV 2”, imprensa local.
Outro fator de desequilíbrio positivo aos noruegueses é a forma atual, que mescla a vivência de veteranos com uma jovem geração muito talentosa. O atleta mais velho entre os titulares contra a Estônia foi o goleiro Nyland, que tem 35 anos. O restante dos titulares sequer passou dos 29 ainda.
O mais novo foi Nusa (20), atacante do RB Leipzig que até tem o apelido de “Neymar da Noruega” devido à habilidade técnica e drible.
O jovem ajudou a exemplificar por que tem sido difícil para adversários superarem a Noruega recentemente. O relógio não havia chegado aos 30 segundos de jogo quando ele disparou na esquerda e quase assistiu Haaland diante dos estonianos.
Houve corte da defesa, mas Berge levou perigo na cobrança de escanteio originada a partir da jogada do camisa 20.
Aliás, as pontas têm sido essenciais na estratégia de Solbakken, e a Estônia percebeu isso.
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Estônia ‘deixa a Itália sonhar’, mas não segura forte ataque da Noruega
O grupo de Jurgen Henn já não tem mais chances de vaga direta ou repescagem, mas isso não facilitaria para os noruegueses conquistarem a vitória.
Os estonianos se fecharam na defesa e focaram em jogar no contra-ataque no primeiro tempo, de forma a minar características fortes da seleção norueguesa, como a velocidade, habilidade e precisão dos atacantes pelas alas.
O meio-campo da Noruega também não encontrou maneiras de reagir à marcação adversária, e a falta de criatividade dos anfitriões fez com que o jogo fosse ao intervalo com o placar zerado.
Italianos certamente estavam felizes com o resultado parcial, mas os nórdicos reagiram na etapa derradeira com mais aproximação entre meias e atacantes, que gerou quatro gols em menos de 20 minutos.
Os dois primeiros foram de Sorloth. Um após assistência de Berge, e outro com passe na medida de Ryerson.
Ryerson voltou a ser garçom no gol de Haaland, que foi o terceiro da Noruega, e o camisa 9 ainda deixou mais um depois de boa jogada de Nusa no lado esquerdo. A bola parou em seus pés após desvio de David Moller Wolfe na área.

Saarma diminuiu na marca dos 20 minutos no contra-ataque, mas não teve jeito. A Noruega se manteve forte com o “caos controlado” na zona ofensiva, a mobilidade e a pressão sobre o adversário, aspectos que têm marcado a campanha em 2025.
Desde março deste ano, foram nove jogos disputados: oito vitórias e um empate — em amistoso contra a Nova Zelândia.
— Há muitos jogadores em ascensão (na seleção). Agora sinto que finalmente descobrimos o segredo. (…) Tenho dito isso há muito tempo. Sinto que estamos em um bom momento. A geração que temos agora é fantástica — declarou Haaland na entrevista.
É um roteiro e tanto ao considerar que faz pouco mais de um ano da dolorosa derrota para a Áustria por 5 a 1, que até fez Haaland se desculpar com a nação.
Agora, a equipe está a um capítulo de manter a trajetória irretocável de 100% de aproveitamento: o duelo contra a Itália no domingo (16), às 16h45 (de Brasília), no San Siro.



