‘Não quero fascismo, racismo ou xenofobia no meu país’: Capitão da Espanha defende Yamal após polêmica
Goleiro do Athletic Bilbao critica excesso de jogos, fala sobre saúde mental e defende Yamal em meio a polêmicas
Unai Simón, capitão da seleção espanhola e referência do Athletic Bilbao, voltou a demonstrar a franqueza que marca sua carreira. Em entrevista ao jornal espanhol “El Mundo”, o goleiro falou sobre humildade, o impacto do calendário no futebol moderno, a gestão da saúde mental e a necessidade de combater intolerância — tudo isso enquanto tenta manter os pés no chão com a ajuda da família.
Mais do que isso, foi novamente voz ativa contra alguns dos preconceitos recorrentes no futebol espanhol: racismo e xenofobia. Também aproveitou para defender seu companheiro de seleção, Lamine Yamal.
Yamal e a política: contra o racismo e a xenofobia
Aos 18 anos, Yamal vive sob os holofotes, e Simón tentou baixar o tom das polêmicas envolvendo a joia da Espanha. Ele disse tratar o jovem “como mais um” e destacou seu enorme potencial, pedindo normalidade:
“Sabemos o que ele pode se tornar, mas aqui é só um garoto trabalhador.”
Sobre política, repetiu a prudência que expressou na Eurocopa: jogadores, na visão dele, não devem assumir o papel de comentaristas sobre temas sensíveis. No entanto, fez uma ressalva categórica: há limites inegociáveis.

“O que é bom para mim não precisa ser para os outros. Não quero fascismo, racismo ou xenofobia no meu país. Isso transcende a política.”
Firme nas opiniões, mas guiado pela simplicidade do cotidiano, Simón mostra por que se tornou uma das vozes mais autênticas da seleção espanhola — e por que seu papel de capitão vai muito além do campo
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Simón fala sobre saúde mental e calendário do futebol na Espanha
Para Simón, seu círculo íntimo é essencial para afastá-lo da bolha do futebol. Ele lembrou uma frase repetida pela mãe durante o auge de 2021: “Lá vem você com ares de Bilbao!”. A piada, segundo ele, funcionava como um freio ao ego.
Hoje, pais, companheira e amigos de infância cumprem esse papel. “Vivemos em um mundo que não é o real”, disse, destacando como tenta se manter ancorado na vida comum.
Simón reconhece que a alta competição já lhe tirou parte do prazer em jogar, mas afirmou ter reencontrado essa sensação no Athletic: “Ver as pessoas vibrarem com nossas vitórias é o que me faz desfrutar fora de campo.” A conexão com o clube, diz, devolveu-lhe algo que havia perdido desde a infância.
🚨 Lamine Yamal é o jogador da LaLiga que recebe o maior número de ataques racistas nas redes sociais.
Em um estudo realizado pelo Observatório do Racismo e da Xenofobia, concluiu-se que Lamine Yamal recebe mais que o dobro da audiência do 2°Vinicius Junior. pic.twitter.com/JsdXLLLlfP
— Culés News Br (@Culernews) November 9, 2025
Sobre saúde mental, o goleiro voltou ao que sentiu após a Copa do Mundo do Catar — quando terminou o torneio “mentalmente afetado”, mas conseguiu se recuperar sem ajuda profissional. Mesmo assim, fez questão de enfatizar: “Recomendo a todos que procurem ajuda se tiverem dúvidas.”
O capitão também comentou a paralisação recente do futebol espanhol contra a partida marcada para Miami, defendendo a união da categoria: “Se acreditamos que algo nos prejudica, temos de nos manifestar.”
Simón foi direto ao falar do calendário e do dinheiro: para ele, falta coerência no debate — e coragem para mudar.
“Todos reclamamos, mas quando há dinheiro envolvido, ninguém recusa. Eu estaria disposto a ganhar menos para jogar menos partidas.”



