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Dois jogadores de Honduras deixam partida contra EUA no intervalo por causa do frio de -15ºC; e Canadá fica a um passo da Copa

A vitória dos EUA sobre Honduras em Minnesota foi o jogo mais frio da história da seleção norte-americana masculina e também a aproximou de vaga no Mundial

Dois jogadores da seleção hondurenha teriam sofrido hipotermia durante o primeiro tempo do jogo com temperaturas mais baixas já registradas na história da seleção norte-americana masculina, na última quarta-feira, e não retornaram do vestiário na derrota por 3 a 0 em Minnesota que aproximou os donos da casa de gelo de um lugar na Copa do Mundo de 2022. Não estão tão próximos quanto o Canadá, no entanto, que derrotou El Salvador fora de casa por 2 a 0, venceu pela sexta vez seguida pelas Eliminatórias da Concacaf e pode selar a sua vaga na próxima rodada.

Com um gol de Raúl Jiménez cobrando pênalti, aos 35 minutos do segundo tempo, o México venceu o Panamá pelo placar mínimo, igualou os 21 pontos dos Estados Unidos e também está bem colocado para assegurar vaga no Catar. A briga está boa pela repescagem, com o Panamá em 17 pontos, seguido de perto pela Costa Rica, com 16, após ganhar da Jamaica, fora de casa, por 1 a 0.

Muito, muito frio

Segundo o site oficial da seleção masculina dos Estados Unidos, a bola começou a rolar em St. Paul, Minnesota, com cinco graus fahrenheit, o equivalente a 15 graus celsius negativos. Também houve leituras de meros três graus fahrenreit (16 graus celsius negativos), mas de qualquer maneira a segunda visita da seleção ao Estado no norte do país teve a menor temperatura registrada para uma partida do time nacional, e isso afetou os jogadores de Honduras, acostumados a um clima muito, muito, mas muito, muito muito mais quente.

Após Weston McKennie e Walter Zimmerman abrirem 2 a 0 para os Estados Unidos no primeiro tempo, Honduras fez três substituições no intervalo, e duas delas foram por causa do frio. “Dois jogadores da seleção nacional não retornarão ao segundo tempo do jogo eliminatório contra os EUA pelas condições climáticas extremas que imperam no estádio Allianz Field”, escreveu o Twitter oficial da seleção de Honduras. Segundo um jornalista local, o goleiro Luis López, com hipotermia, precisou ser tratado com soro nos vestiários. O atacante Romell Quioto também teve problemas por causa da temperatura, mas estava “estável”.

O técnico de Honduras, Hernán Darío Gómez, havia dito antes da partida que não era “normal” marcá-la para condições tão precárias, que era inconcebível uma “potência em todos os sentidos” colocar essa partida no frio para conseguir um resultado, e manteve o discurso após a derrota. “É difícil, muito complicado. Futebol não é para sofrer assim. Não consigo analisar os rapazes nesse tipo de ambiente e clima. Os Estados Unidos têm uma diferença importante, mas jogar assim não funciona. Não é um espetáculo do futebol, não é normal. Nesta situação, não consigo analisar os jogadores”, disse.

Enquanto isso, o técnico dos Estados Unidos, Gregg Berhalter, disse que deu até umas roupinhas para os hondurenhos. “O que eu diria é que demos aos jogadores e aos funcionários de Honduras, e aos árbitros, roupas de frio, nós lhes demos balaclavas, tentando deixar o ambiente seguro para que eles jogassem”, disse, depois da partida. “Quando marcamos o jogo neste local, fomos pela temperatura média diária, e foi o nosso melhor chute. Queríamos minimizar a viagem (após enfrentar o Canadá em Hamilton a cerca de 1,4 mil kms no domingo)”.

“Sabíamos que jogaríamos em temperaturas frias em dois dos jogos e pensamos em também fazê-lo no terceiro jogo, em vez de mudar o clima. Uma frente fria chegou e é algo que não podemos controlar. Mas tudo que podemos fazer uma vez que isso acontece é tentar mitigar o risco, com roupas de frio e indo lá e competindo e fizemos isso”, acrescentou Berhalter, que também lembrou que não é comum disputar jogos das Eliminatórias em janeiro, uma Data Fifa extra por causa da pandemia, e que os Estados Unidos  sofrem com o outro extremo da temperatura quando viajam à América Central.

“Quando descemos a esses países, são 90 graus (fahrenheits, cerca de 32 graus celsius), e uma umidade insuportável, e os rapazes ficam desidratados e têm cãibras e ficam exaustos pelo calor. É a natureza da nossa competição. Você (o repórter) está fazendo a pergunta insinuando que somos os únicos que jogam nesses tipos de condição. O Canadá marcou o jogo em Hamilton, e a temperatura estava na casa dos 10 (de novo, fahrenheits). Para nós, de novo, tentamos minimizar a viagem nesta janela e tentamos manter a consistência do clima. Foi esse nosso foco. E a terceira coisa é que queremos ganhar nossos jogos em casa”, completou.

Logo aos oito minutos, McKennie apareceu na primeira trave para desviar de cabeça a cobrança de falta de Kellyn Acosta. Em outra bola parada, Walker Zimmerman dominou na pequena área e girou batendo no canto para ampliar. Christian Pulisic fechou o placar pegando a sobra de uma terceira bola parada, agora em escanteio. Depois do jogo, Tim Weah e o goleiro Matt Turner brincaram com a temperatura publicando imagens de Jack Nicholson congelado no filme O Iluminado.

Canadá a um passo

Enquanto isso, o Canadá, mesmo sem Alphonso Davies nesta Data Fifa, venceu as três partidas, contra Honduras, Estados Unidos e El Salvador, emendou seis vitórias consecutivas pelas Eliminatórias da Concacaf e está praticamente garantido em uma Copa do Mundo pela primeira vez desde 1986. Basta uma vitória contra a Costa Rica em março, ou em qualquer um dos outros dois jogos restantes, ou um tropeço do Panamá, atualmente o quarto colocado.

O triunfo mais recente foi por 2 a 0 contra El Salvador. O goleiro Kevin Carabantes fez uma maravilhosa defesa para impedir que Jonathan David abrisse o placar, aos 19 minutos do primeiro tempo e o marcador ficou zerado até os 20 minutos do segundo tempo, quando saiu o gol mais estranho de todos os tempos. Cyle Larin caiu pela direita e cruzou à meia altura. Atiba Hutchinson se jogou na primeira trave para desviar de cabeça, a bola pegou no pé do goleiro Carabantes, bateu nas costas de Hutchinson, pegou uma curva bizarra e entrou no ângulo.

Jonathan David arrancou nos acréscimos e deu uma cavadinha para fechar o placar. O Canadá fecha sua campanha contra Costa Rica (F), Jamaica (C) e Panamá (F). Com nove pontos na tabela, e outros nove em disputa, El Salvador tem chances apenas teóricas de alcançar o quarto colocado Panamá, com 17 pontos na zona da repescagem.

México ganha no aperto

O México entrou em campo para enfrentar o Panamá longe da sua melhor forma. Vinha de derrotas para Estado Unidos e Canadá, empate com a Costa Rica e uma solitária vitória diante da Jamaica. E o resultado demorou para sair ao time do técnico Tata Martino. Raúl Jiménez teve uma boa chance no começo da partida, mas deu um ou dois dribles a mais do que o necessário. No outro lado, Héctor Herrera afastou uma bola muito perigosa na cara do gol.

O ataque mexicano se esforçava, sem conseguir criar chances claras, o que valia também para o Panamá, que levou muito perigo com um chute colocado de César Yanis perto do ângulo de Ochoa. Jiménez chegou a marcar no começo do segundo tempo, mas o assistente de vídeo notou que a bola havia saído pela linha de fundo na jogada de Hirving Lozano. O atacante do Wolverhampton chegou a ficar cara a cara com o goleiro Luis Mejía, mas perdeu um gol inevitável – e no fim estaria impedido na jogada de qualquer maneira.

Alexis Vega também teve uma chance muito boa, na segunda trave, mas a isolou. A oportunidade de ouro apareceu quando Abdiel Ayarza derrubou Diego Laínez dentro da área. Jiménez bateu com elegância e garantiu os três pontos importantes para o México também ficar próximo de vaga na Copa do Mundo, com 21 pontos, quatro à frente do Panamá. Os mexicanos ainda recebem os Estados Unidos e jogam contra Honduras, fora de casa, antes de fechara a campanha em seus domínios diante de El Salvador.

A briga pela vaga na repescagem ficou quente. A Costa Rica encostou no Panamá após ganhar da Jamaica, fora de casa, com um gol solitário de Joel Campbell, que dominou o passe dentro da área e deu um drible antes de bater rasteiro. Tanto Costa Rica quanto Panamá têm duelos contra EUA e Canadá nas últimas três rodadas. A vantagem dos costarriquenhos é que ambos são em casa, enquanto os panamenhos precisarão viajar para enfrentar os norte-americanos.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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