Eliminatórias da Copa

Intoxicação alimentar afeta todo o elenco de Guiné Bissau, jogo não é adiado pela Fifa e Marrocos aproveita para golear

Federação de Guiné Bissau pediu a mudança da data do compromisso pelas Eliminatórias, mas não foi atendida pelo delegado da partida

O Grupo I das Eliminatórias Africanas para a Copa do Mundo já teve problemas na Data Fifa anterior, quando a tentativa de um golpe de estado na Guiné provocou o adiamento do confronto da seleção da casa contra Marrocos. Já nesta quarta-feira, mais um entrave extracampo aconteceu em Rabat. A seleção de Guiné Bissau estava na cidade para enfrentar Marrocos e, na véspera do duelo, quase todos os jogadores do elenco dos Djurtus tiveram intoxicação alimentar. Os dirigentes da federação bissau-guineense acusam um envenenamento proposital, mas, mesmo com diversos atletas levados ao hospital, o time precisou entrar em campo. Os marroquinos se aproveitaram da situação e golearam por 5 a 0.

Jogadores e também membros da comissão técnica de Guiné Bissau passaram pelo mesmo problema no hotel onde estavam hospedados em Rabat. Eles tiveram diarreia e vômitos após o jantar desta terça. Ao todo, 11 atletas foram levados ao hospital e sete precisaram tomar soro no local. Funcionários da própria federação acusaram que o surto tinha sido proposital, lembrando de um episódio parecido ocorrido com o Gabão em 2017 – quando jogadores tiveram uma intoxicação alimentar no Marrocos após consumo de suco de laranja.

“Após o jantar, os jogadores começaram a sentir um mal-estar que veio com vômitos e diarreia. Rapidamente a situação piorou ao ponto de alguns elementos da comitiva terem de ser levados a um hospital próximo, tendo alguns inclusive vomitado sangue”, afirmou Valdumar Tchongo, representante da federação, à Deutsche Welle. “É tudo muito estranho o que está acontecendo. Porque nós que não jantamos no mesmo hotel que os jogadores, estamos todos bem”. Já o presidente da federação, Carlos Teixeira, apontou à agência de notícias Lusa que “apenas um ou outro” não estava com diarreia e vômitos. “Nessas condições, não vou mandar os jogadores para o campo, seria um ato criminoso da minha parte”.

Apesar da solicitação da federação de Guiné Bissau, o duelo contra Marrocos não foi adiado. A decisão foi tomada pelo delegado do jogo após ter acesso ao relatório médico do hospital. A federação bissau-guineense protestou: “O comissário do jogo, após ter reunido com a delegação guineense, decidiu que se vai jogar, apesar de todas as evidências que há sobre a intoxicação alimentar que abalou os jogadores e a equipe técnica. A FFGB fez chegar através de uma carta o protesto sobre este jogo, junto com o relatório médico, e contamos trazer mais detalhes sobre esse assunto. Lamentamos essa situação, mas seguiremos fortes! Em nome do Fair Play e da verdade desportiva, tem que ser apurada a verdade e responsabilizado o culpado por tudo isso”. Nomes importantes do time, como Piqueti e Frédéric Mendy, não entraram como titulares.

Quando a bola rolou, Marrocos não teve problemas para golear Guiné-Bissau, com seu time afetado fisicamente pela intoxicação alimentar. Achraf Hakimi abriu o placar num chute cruzado da entrada da área e Imran Louza ampliou antes do intervalo. Na volta do segundo tempo, Illias Chair marcou um golaço, mandando a bola no ângulo. Ayoub El Kaabi faria ainda melhor, numa fantástica meia-bicicleta para o quarto tento. Por fim, num contragolpe, Munir El Haddadi fechou a contagem.

No outro jogo do grupo, Sudão e Guiné só empataram por 1 a 1, em duelo excepcionalmente realizado em Marrakesh. Os guineenses até abriram o placar no segundo tempo, com Mohamed Bayo completando de cabeça uma cobrança de escanteio. Os sudaneses buscaram a igualdade 20 minutos depois, numa pancada de Seif Teiri. A virada quase saiu no final, mas o resultado já valeu o primeiro ponto do Sudão na campanha. Marrocos lidera a chave com seis pontos, dois a mais que Guiné Bissau. Guiné tem dois pontos e o Sudão apenas um.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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