Eliminatórias da Copa

Histórias das Eliminatórias: 18 duelos do passado que se reeditarão no qualificatório europeu rumo a 2022

As Eliminatórias Europeias para a Copa do Mundo de 2022 começam nesta quarta-feira, com apenas uma vaga garantida por grupo e disputas bem mais acirradas do que acontece no classificatório para a Eurocopa. A distribuição de forças no sorteio foi bem equilibrada, sem encontros entre seleções campeãs do mundo. No entanto, isso não garante a vida de ninguém, e o próprio passado indica os perigos. Diversos duelos serão reeditados nas Eliminatórias e guardam lembranças marcantes – boas ou ruins.

Abaixo, elaboramos uma lista com 18 duelos que se repetem neste qualificatório. Privilegiamos uma edição diferente das Eliminatórias por confronto, já que alguns aconteceram várias vezes. Cada um traz uma breve contextualização, além dos vídeos. Aproveite:

Portugal x Luxemburgo (1962)

O poderoso Benfica dos anos 1960 serviu de base à seleção portuguesa que alcançou as semifinais da Copa de 1966. Porém, um Mundial é pouco àquela geração. E a queda dos lusitanos rumo à Copa de 1962 teve a participação de Luxemburgo. Em Lisboa, tudo nos conformes, com os 6 a 0 de Portugal. O problema aconteceu na visita ao principado, com uma surpreendente vitória por 4 a 2 dos luxemburgueses, que já nem tinham mais chances. Ady Schmit fez o jogo de sua vida, com três gols. Já Eusébio, estreante naquela ocasião, deixou seu tento sem que isso adiantasse muito. Com o tropeço, a Seleção das Quinas foi à última rodada de seu grupo precisando derrotar a Inglaterra em Wembley e os Three Lions se confirmaram na Copa, com a vitória por 2 a 0.

Itália x Irlanda do Norte (1958)

Depois da ausência na Copa de 2018, a Itália precisará lidar com um antigo fantasma rumo a 2022. A Irlanda do Norte, afinal, foi capaz de tirar a Azzurra do caminho ao Mundial de 1958. Num triangular que ainda contava com Portugal, só o líder avançaria. A Itália começou batendo os norte-irlandeses por 1 a 0 em Roma, gol de Sergio Cervato. Depois, perderam por 3 a 0 para os lusitanos em Lisboa e ganharam por 3 a 0 em Milão. Assim, a vaga seria decidida na visita dos azzurri a Belfast. O jogo originalmente deveria acontecer em dezembro de 1957, mas a neblina no aeroporto de Londres impediu que o árbitro chegasse a tempo. Assim, os dois times acabaram empatando por 2 a 2 num amistoso, que contou com enorme confusão nas arquibancadas. O jogo para valer aconteceu em janeiro de 1958. A Itália convocou estrangeiros em atividade na Serie A, incluindo Alcides Ghiggia, Dino da Costa e Juan Alberto Schiaffino. Nem assim se safaram, com o triunfo por 2 a 1 levando a Irlanda do Norte para a Copa. James McIlroy e Wilbur Cush anotaram os gols dos anfitriões logo na primeira meia hora. Dino da Costa até descontou no segundo tempo, mas a expulsão de Ghiggia dificultou mais as coisas. Danny Blanchflower e Harry Gregg estavam entre os destaques norte-irlandeses.

Itália x Suíça (1994)

A classificação da Itália à Copa de 1994 também teve sua dose de drama, mas com final feliz aos azzurri. O time treinado por Arrigo Sacchi se classificaria ao Mundial ao lado da Suíça, numa chave que ainda tinha Portugal e Escócia como principais concorrentes. Nos confrontos diretos entre os classificados, primeiro ocorreu um emocionante empate por 2 a 2 em Cagliari. Os suíços fizeram dois gols em 20 minutos, com Christophe Ohrel e Stéphane Chapuisat aproveitando os vacilos do goleiro Gianluca Marchegiani. A reação italiana só aconteceu no fim do segundo tempo, com Roberto Baggio e Stefano Eranio determinando o empate. Já em Berna, Marc Hottiger selou a vitória da Suíça por 1 a 0. A Azzurra só carimbou o passaporte na última rodada, vencendo Portugal por 1 a 0, com um gol de Dino Baggio aos 38 do segundo tempo. Se empatassem, os italianos estariam fora. Já os helvéticos se confirmaram sem esforço, com os 4 a 0 sobre a Estônia.

Bulgária x Irlanda do Norte (1974)

Um dos motivos para George Best nunca ter disputado uma Copa do Mundo foi a Bulgária. Os búlgaros costumavam se dar bem nas Eliminatórias e confirmaram a classificação para 1974, a quarta consecutiva, num grupo que ainda tinha Portugal e Chipre. A disputa principal foi com os portugueses, mas os resultados contra os norte-irlandeses seriam importantes. Em Sofia, a Bulgária ganhou por 3 a 0, com dois gols de Hristo Bonev, uma das referências naquele período áureo. Para piorar, Best seria expulso. Já a volta aconteceu excepcionalmente em Sheffield, com o empate por 0 a 0 facilitando a vida dos búlgaros. A classificação ao Mundial de 1974 foi confirmada contra Portugal, num empate por 2 a 2 em Lisboa.

Espanha x Geórgia (2014)

Campeã do mundo em 2010, a Espanha precisou confirmar sua classificação para o Mundial de 2014 num jogo contra a Geórgia. A França era a grande concorrente dos espanhóis na chave e, na rodada final, um empate da Roja contra os georgianos bastaria para a viagem ao Brasil. Em Albacete, o time de Vicente del Bosque cumpriu sua missão sem tantas dificuldades, ao ganhar por 2 a 0. Álvaro Negredo e Juan Mata marcaram os gols, com os franceses relegados à repescagem. Na Copa, porém, o favoritismo da Espanha cairia por terra com a péssima campanha que se encerrou logo na fase de grupos.

França x Ucrânia (2014)

A Espanha jogou a França na repescagem da Copa de 2014. E os Bleus se classificaram ao Mundial com uma vitória sobre a Ucrânia, que pode ser considerada um ponto de virada no crescimento da equipe rumo ao título em 2018. O resultado seria fundamental para recobrar a confiança dos franceses e motivar o elenco. Antes da classificação, veio a provação. Os ucranianos venceram a ida em Kiev por 2 a 0, gols de Roman Zozulya e Andriy Yarmolenko. A missão da França era dificílima no Stade de France, mas a equipe de Didier Deschamps buscou a vitória por 3 a 0, numa noite efervescente nas arquibancadas. Mamadou Sakho marcou dois gols e Karim Benzema fez o outro, enquanto a expulsão de Yevhen Khacheridi no início do segundo tempo também ajudou. A partir dali, ficariam para trás os traumas dos ciclos anteriores.

Bélgica x Tchecoslováquia x Gales (1994)

Em 1994, as três seleções brigaram pelas vagas no Grupo 4, que ainda tinha a forte Romênia. No fim das contas, a Bélgica levou a melhor, contando com os resquícios de sua ótima geração dos anos 1980. Os Diabos Vermelhos venceram a Tchecoslováquia em Praga e Gales em Bruxelas. Os galeses chegaram a ameaçar a vaga dos belgas com os 2 a 0 em Cardiff – gols de Ryan Giggs e Ian Rush. Mas, no fim das contas, os dois empates entre galeses e tchecoslovacos atrapalhou as ambições de ambos os times. Romênia e Bélgica apareceram na ponta com 15 pontos, enquanto a Tchecoslováquia (que ainda tropeçou contra Chipre) tinha 13 e Gales somou 12. Na rodada final, os belgas carimbaram a vaga com o empate por 0 a 0 contra os tchecoslovacos em Bruxelas, enquanto os 2 a 1 dos romenos em Cardiff tiraram as últimas esperanças dos galeses. Aquela foi a última competição da Tchecoslováquia, que se desmembrou durante a campanha.

Bélgica x República Tcheca (2002)

Bélgica e República Tcheca disputaram a repescagem para a Copa de 2002. Os belgas ficaram atrás da Croácia em seu grupo, enquanto os tchecos não superaram a Dinamarca. No papel, a República Tcheca era melhor, mas pesou a tarimba da Bélgica rumo à sua sexta Copa seguida. Os Diabos Vermelhos ganharam o primeiro jogo em Bruxelas por 1 a 0, gol de Gert Verheyen, e repetiram a dose em Praga, também por 1 a 0, com Marc Wilmots convertendo pênalti no fim. Seria o canto dos cisnes dos belgas nesta sequência mundialista, num time que ainda deu seu caldo ao complicar para o Brasil. Já a geração de Pavel Nedved, Tomas Rosicky e Karel Poborsky precisou esperar mais quatro anos pela primeira Copa desde a separação da Tchecoslováquia.

Gales x Tchecoslováquia (1982)

Rumo a 1978, as duas equipes foram eliminadas pela Escócia no qualificatório, e se reencontrariam quatro anos depois. Num grupo liderado pela União Soviética, Gales e Tchecoslováquia fizeram uma disputa apertada pela segunda vaga na Copa de 1982. Melhor aos tchecoslovacos, que asseguraram seu retorno ao Mundial após 12 anos graças ao saldo de gols, com os mesmos 10 pontos que os galeses. Em Cardiff, Gales conseguiu vencer por 1 a 0, gol de David Giles. O troco da Tchecoslováquia seria importante, com os 2 a 0 em Praga, graças aos tentos de Dai Davies (contra) e Verner Licka. Na reta final, em jogos atrasados contra os soviéticos, os galeses encerraram sua participação com uma derrota por 3 a 0 e o empate por 1 a 1 bastou para a comemoração dos tchecoslovacos em Bratislava. O resultado permitiu que o lendário Antonin Panenka disputasse sua única Copa.

Escócia x Áustria (1998)

Na última vez que Escócia e Áustria disputaram uma Copa do Mundo, ambas compartilharam as Eliminatórias para o Mundial de 1998. Eram tempos bastante distintos às duas equipes, que ainda seguiam com participações relativamente recentes no torneio. Numa chave que ainda tinha a pesada concorrência da Suécia, os austríacos terminaram na liderança, mas os escoceses levaram mais pontos no confronto direto. Primeiro, as equipes empataram por 0 a 0 em Viena. Já em Parkhead, a Tartan Army comemorou a vitória por 2 a 0, com dois tentos de Kevin Gallacher – o segundo, uma verdadeira pintura na gaveta. A Áustria fechou a campanha com 25 pontos, a Escócia chegou a 23 e a Suécia ficou com 21, eliminada muito por conta de uma derrota contra os austríacos em Estocolmo.

Holanda x Noruega (1974)

A Noruega seria um saco de pancadas nas Eliminatórias para a Copa de 1974. Mesmo assim, a vitória da Holanda / Países Baixos contra os noruegueses seria decisiva para a consagração da Laranja Mecânica de Rinus Michels. Afinal, a classificação só veio no saldo de gols em disputa com a Bélgica, e os 9 a 0 aplicados sobre os nórdicos em Roterdã seria importantíssimos. Johan Neeskens comandou o massacre, com três gols. Johan Cruyff fez dois, assim como Willy Brokamp. Completaram o placar Theo de Jong e Piet Keizer. No reencontro com a Noruega, mais aperto nos 2 a 1 em Oslo só garantidos aos 42 do segundo tempo, depois de um passe de calcanhar de Cruyff para Barry Hulshoff definir. Assim, a Oranje chegou à rodada final precisando apenas de um empate contra a Bélgica e o 0 a 0 em Amsterdã se tornou suficiente – mas com um gol mal anulado dos Diabos Vermelhos já no fim. Vinte anos depois, em 1994, o reencontro entre Holanda e Noruega nas Eliminatórias acabou com ambos garantidos nos EUA, para desespero da Inglaterra.

Holanda x Turquia (1998)

Outra geração de ouro da Holanda / Países Baixos que passou aperto nas Eliminatórias foi a de 1998. Curiosamente, outra vez contra a Bélgica, com os holandeses só um ponto acima para assegurar a classificação direta ao Mundial da França. E a Turquia causou suas complicações no caminho da Oranje, mesmo ficando cinco pontos atrás. Os turcos começavam a moldar sua geração histórica para o bronze em 2002 e venceram por 1 a 0 em Bursa, gol de Hakan Sükür. Já na visita a Amsterdã na última rodada, os holandeses estavam praticamente classificados, mas o empate por 0 a 0 seria um resultado digno aos visitantes.

Rússia x Eslovênia (2010)

A Rússia vinha badalada por sua excelente campanha na Euro 2008, mas perdeu a vaga na Copa de 2010 diante da modesta Eslovênia, uma das maiores surpresas da história das repescagens europeias. Os russos tinham passado em segundo no grupo da Alemanha, enquanto os eslovenos ficaram atrás da Eslováquia. Naquele confronto, os gols fora fizeram a diferença. A Rússia ganhou por 2 a 1 em Moscou, com dois tentos de Diniyar Bilyaletdinov, mas o gol de honra de Nejc Pecnik a dois minutos do fim se provaria fundamental. Em Maribor, Zlatko Dedic assegurou o triunfo da Eslovênia por 1 a 0 e colocou o pequeno país em seu segundo Mundial. Aleksandr Kerzhakov e Yuri Zhirkov ainda seriam expulsos naquela melancólica derrota.

Croácia x Eslovênia (1998)

Croácia e Eslovênia são dois países irmanados pela luta de independência. A primeira participação de ambos nas Eliminatórias foi concomitante em 1998, com as duas seleções no mesmo grupo, que ainda contava com a Bósnia. A disputa principal dos croatas ficou com Dinamarca e Grécia, mas foi a partir de um triunfo sobre os eslovenos que o time deu um grande passo para fazer história na França. Os dois times haviam empatado num animado 3 a 3 em Split, com tripleta de Primoz Gliha para os eslovenos, além de dois gols de Zvonimir Boban e outro de Robert Prosinecki aos croatas. Já na rodada final, a Croácia se garantiu na repescagem graças aos 3 a 1 em Ljubljana. Davor Suker, Zvonimir Soldo e Alen Boksic marcaram, enquanto Zlatko Zahovic descontou. O resultado se tornaria suficiente graças ao Grécia 0x0 Dinamarca em Atenas, com os gregos um ponto atrás e os dinamarqueses classificados diretamente. Na repescagem, a Croácia derrotou a Ucrânia.

Inglaterra x Polônia (1974)

Um dos jogos mais famosos da história das Eliminatórias, cabal para tirar a Inglaterra da Copa de 1974, mas também decisivo para consagrar um timaço da Polônia que se firmaria no cenário internacional. Os dois países integravam a chave com Gales e só o líder se classificaria. Os galeses seriam importantes no fracasso inglês, ao arrancarem o empate em Londres na segunda rodada. Já no primeiro encontro com a Polônia, os Three Lions perderam por 2 a 0 em Chorzów, gols de Robert Gadocha e Wlodzimierz Lubánski. No reencontro em Wembley pela última rodada, um empate classificava os poloneses. Foi o que aconteceu, no lendário 1 a 1. Jan Domarski abriu o placar aos visitantes e Allan Clarke empatou logo depois aos anfitriões. Mas o destaque mesmo foi a atuação impecável do goleiro Jan Tomaszewski, que colecionou milagres e evitou o triunfo da Inglaterra. A geração que ainda tinha Kazimierz Deyna e Grzegorz Lato avançou à Copa. Enquanto isso, Alf Ramsey se despediria da seleção, mesmo contando com um elenco estrelado por Bobby Moore e Martin Peters. Curiosamente, as duas seleções se pegariam em outras seis edições de Eliminatórias desde então, já contando 2022.

Inglaterra x San Marino (1994)

Outro trauma famoso da Inglaterra aconteceu em 1994, com o time incapaz de se classificar ao Mundial dos Estados Unidos. Holanda e Noruega foram as algozes, numa chave dura que ainda tinha Polônia e Turquia. Os ingleses não conquistaram uma vitória sequer contra holandeses e noruegueses, o que foi crucial à eliminação. Ainda assim, o jogo mais marcante naquela derrocada aconteceu contra San Marino, na rodada final. Com a Noruega já garantida na liderança, os Three Lions precisavam vencer e torcer por uma derrota da Oranje contra a Polônia, tirando ainda a diferença no saldo. Pois o inacreditável ocorreu nos primeiros segundos de bola rolando em Bolonha: Davide Gualtieri fez 1 a 0 para San Marino. O susto não durou tanto, com os 7 a 1 da Inglaterra, incluindo quatro gols de Ian Wright. Mas a goleada pouco adiantou, já que a Holanda derrotou os poloneses por 3 a 1 e foi ao Mundial.

Romênia x Islândia (1998)

Romênia, Islândia, Macedônia do Norte e Liechtenstein estavam no mesmo grupo das Eliminatórias em 1998 e se reagruparão novamente para 2022. Naquela época, ainda mais sem um adversário como a Alemanha pelo caminho, os romenos sobraram na chave que contava também com Irlanda e Lituânia. O time liderou com uma vantagem de dez pontos, vencendo nove dos dez compromissos. Duas vitórias expressivas aconteceram contra a Islândia, longe de representar uma ameaça. Em Reykjavík, a Romênia venceu por 4 a 0 – gols de Gheorghe Hagi, Gheorghe Popescu, Dan Petrescu e Dorinel Munteanu. Também fizeram 4 a 0 em Bucareste, com mais dois de Hagi e outro de Petrescu, além de mais um anotado por Constantin Galca. Os irlandeses ficariam com o lugar na repescagem.

Alemanha x Liechtenstein (2010)

Bem cotada após a Copa de 2006, a Alemanha iniciou sua caminhada nas Eliminatórias de 2010 contra Liechtenstein. E, como era de se esperar, a Mannschaft aplicou uma goleada impiedosa. Os alemães enfiaram 6 a 0 em Vaduz. Lukas Podolski (duas vezes), Simon Rolfes, Bastian Schweinsteiger, Thomas Hitzlsperger e Heiko Westermann anotaram os gols no triunfo tranquilo da equipe de Joachim Löw. Em Leipzig, o placar seria até mais econômico, por 4 a 0. Podolski e Schweinsteiger marcaram de novo, enquanto Michael Ballack e Marcell Jansen fecharam a conta. A Alemanha conquistou a classificação à frente da Rússia. Já Liechtenstein foi o lanterna, arrancando apenas empates de Azerbaijão e Finlândia.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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