Eliminatórias da Copa

Fifa abre investigação contra o Equador após denúncia sobre irregularidade na nacionalidade do lateral Byron Castillo

Denúncia apresentada pela federação chilena alega que o lateral do Equador nasceu em território colombiano

A Fifa confirmou nesta quarta-feira que abriu um processo para verificar os documentos de Byron Castillo, lateral da seleção equatoriana. Em denúncia apresentada pela federação chilena, o defensor teria atuado de maneira irregular pelo Equador ao longo das Eliminatórias. A alegação é de que Castillo nasceu em território colombiano e teria registros falsos. Com isso, os chilenos pretendem impugnar a classificação dos equatorianos para a Copa do Mundo – o que poderia levar a Roja ao torneio. A Fifa ainda não indicou quais as punições cabíveis, mas declarou averiguar a situação.

“Conforme a Fifa confirmou recentemente, a federação chilena de futebol apresentou uma queixa ao Comitê Disciplinar, na qual fez uma série de alegações sobre a possível falsificação dos documentos que concedem a nacionalidade equatoriana ao jogador Byron David Castillo Segura, bem como a possível inelegibilidade do referido jogador em participar das Eliminatórias pela seleção equatoriana. Tendo em mente o exposto, a Fifa decidiu abrir um processo disciplinar em relação à potencial inelegibilidade de Byron David Castillo Segura. Nesse contexto, a federação equatoriana e a federação peruana foram convidadas a apresentar suas posições ao Comitê Disciplinar da Fifa. Novos detalhes virão no momento oportuno”, afirma a entidade, em nota oficial.

As denúncias contra Byron Castillo existem desde 2017. O lateral teria nascido em Tumaco, cidade colombiana próxima à fronteira com o Equador – e não em General Villamil, cidade no sul da costa equatoriana, mais próxima do Peru. Na época, dirigentes da federação equatoriana investigaram os documentos, que poderiam ser falsos. Em 2021, sua nacionalidade equatoriana foi ratificada pela justiça e o jogador do Barcelona de Guayaquil passou a atuar pela seleção principal a partir de setembro. O defensor disputou sete partidas ao longo das Eliminatórias, incluindo um empate e uma vitória contra o Chile.

A federação chilena apresentou a reclamação junto à Fifa, embora outras federações sul-americanas estivessem cientes da questão. O Chile é o maior interessado exatamente por ter sido uma das únicas seleções a enfrentar Castillo duas vezes e por poder ter maior impacto sobre o desempenho. A esperança da Roja é a de que os pontos conquistados pelo Equador nos jogos com o lateral em campo sejam transferidos às demais equipes. Os equatorianos perderiam 14 pontos na competição. O Chile ganharia cinco e, chegando aos 24, se igualaria com o Peru na tabela. Caso fossem registradas vitórias por 3 a 0 nos duelos anulados, os chilenos ainda passariam os peruanos no saldo e ficariam com a vaga direta.

Segundo a justificativa no Equador, as denúncias iniciais foram feitas sob a intenção de que o Barcelona de Guayaquil perdesse pontos na base. Desde então, a história permaneceu. Foi então que a federação local abriu sua investigação e provou que os documentos apresentados por Byron Castillo eram originais. Neste momento, porém, a suspeita é o único recurso que o Chile possui para tentar cavar sua vaga na Copa do Mundo, após perdê-la em campo.

Outra questão será sobre a postura da Fifa, caso Byron Castillo tenha mesmo os documentos adulterados. Será necessário verificar a responsabilidade da federação equatoriana, embora indague-se a influência que o lateral teve sozinho na campanha de La Tri nas Eliminatórias. Mesmo que exista irregularidade, soa como exagero que isso por si custe a vaga dos equatorianos no Mundial.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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