Eliminatórias da Copa

Federação da Dinamarca anuncia plano para evidenciar suas críticas à Copa no Catar e patrocinadores sequer exibirão suas marcas

Dinamarqueses listaram sete iniciativas para apresentar seu questionamento quanto à exploração de trabalhadores no país

Com a classificação da Dinamarca assegurada à Copa do Mundo, a federação dinamarquesa apresentou nesta quarta-feira um plano de ações em relação à presença da equipe nacional no Catar. Os nórdicos prometem um posicionamento crítico em relação ao país-sede do Mundial, com algumas atitudes específicas quanto à exploração de trabalhadores na construção dos estádios e ao desrespeito aos direitos humanos. A postura da Dinamarca inclui sete iniciativas, que marcarão o protesto da seleção e dos patrocinadores contra a realização do torneio no Catar.

A iniciativa mais significativa anunciada pela Dinamarca é a ausência dos patrocinadores nas ações da seleção no Catar. Os parceiros comerciais não vão participar dos eventos e abrirão mão inclusive de estampar suas marcas nos uniformes de treino. Conforme a DBU, apenas iniciativas que promovam o ativismo e o diálogo crítico terão apoio dos patrocinadores. A intenção é, através da ausência, transmitir uma mensagem sobre direitos humanos.

A federação dinamarquesa também promete levar o mínimo de pessoal ao Catar e participar apenas de atividades relacionadas ao esporte. No entanto, a entidade permitirá eventos que podem contribuir politicamente na melhora das condições para os trabalhadores imigrantes. A federação também falará com torcedores sobre a presença no Catar, com informações sobre a situação no país.

Indo além das questões internas, a federação dinamarquesa quer manter um diálogo com a Fifa e com a organização da Copa do Mundo no Catar, para evidenciar suas críticas e tentar melhorias no respeito aos direitos dos trabalhadores. As próprias negociações em busca de um hotel e de outros serviços locais avaliarão o respeito aos direitos trabalhistas. E a Dinamarca ainda seguirá em sua colaboração com a Anistia Internacional, acompanhando diretrizes e participando de iniciativas para até depois do Mundial.

“Após a classificação, a federação dinamarquesa está lançando uma série de iniciativas críticas para marcar a luta contínua pela melhora dos direitos humanos no Catar. Isso significa, entre outras coisas, que os parceiros comerciais da seleção masculina não participarão das atividades oficiais no Catar, e que os dois patrocinadores das camisas abrem mão de sua exposição nas camisas de treino, a favor de posicionamentos e mensagens críticas. Além disso, a federação vai reduzir o número de viagens ao Catar de funcionários e parceiros, para que a participação na Copa seja principalmente voltada à parte esportiva e não para promover os eventos dos organizadores”, afirma a nota da DBU.

Chefe-executivo da federação, Jakob Jensen afirmou: “A seleção masculina conquistou uma excelente classificação e garantiu a vaga para a Dinamarca em tempo recorde. Há muito tempo a DBU critica fortemente a Copa do Mundo no Catar, mas agora estamos intensificando ainda mais nossos esforços e um diálogo crítico, para aproveitarmos o fato de que estamos classificados em prol de mais mudanças. Além disso, há muito tempo chamamos atenção para os desafios diante da Fifa e do Catar, e continuaremos fazendo isso”.

O dirigente também agradeceu o apoio oferecido pelos patrocinadores, inclusive ao abrirem mão da exposição que teriam no Mundial: “É um sinal muito forte quando nossos parceiros também se engajam na luta por melhores condições no Catar. Os patrocinadores apoiam o futebol dinamarquês, a seleção masculina e a participação nas competições, mas não o anfitrião do torneio”.

A federação dinamarquesa se manifestou pela primeira vez contra a Copa do Mundo no Catar em 2015. A entidade promoveu visitas ao país e também discussões com organizações não-governamentais para questionar os problemas ocorridos no país. Os pontos principais são as condições dos trabalhadores imigrantes e o respeito aos direitos humanos. Com outras federações de países nórdicos, a Dinamarca lançou uma ação em conjunto. no último mês de setembro Por enquanto, apenas os dinamarqueses se confirmaram no torneio – com a Noruega, outra bastante ativa no debate, eliminada nesta terça.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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