Eliminatórias da Copa

EUA batem México de novo para assumir liderança, Canadá ganha mais uma e Panamá arranca virada incrível

Rodada quente nas Eliminatórias da Concacaf, com destaque para a vitória dos Estados Unidos que quebrou a invencibilidade do México

Os Estados Unidos vivem um ano inspiradíssimo no clássico contra o México. Os últimos meses tinham marcado uma hegemonia incontestável do US Team, que venceu El Tri nas finais da Liga das Nações e da Copa Ouro. Pois a festa ficaria completa nesta sexta, com o triunfo americano também nas Eliminatórias. As duas equipes se enfrentaram em Cincinnati e os mexicanos até eram mais perigosos de início, forçando o goleiro Zack Steffen. Porém, quando os EUA tomaram as rédeas do embate, cresceriam até alcançar o resultado. Christian Pulisic saiu do banco para abrir o placar e Weston McKennie ampliou, embora o grande destaque da noite tenha sido Timothy Weah. O triunfo por 2 a 0 alça os Estados Unidos à liderança do octogonal da Concacaf, ultrapassando o México, que perde sua invencibilidade na competição. Além disso, é apenas a primeira vez na história que o US Team emenda três vitórias consecutivas sobre El Tri – sem contar duelos decididos nos pênaltis.

O clima do jogo era quente, com a torcida inflamada nas arquibancadas de Cincinnati. Os Estados Unidos começaram tomando conta das ações, mas com dificuldades para finalizar com qualidade. O México era mais perigoso neste início, contra uma defesa exposta dos americanos. Steffen apareceu. O goleiro fez uma boa defesa em batida de Edson Álvarez que buscava o canto, aos 11, e realizou seu milagre aos 18. Hirving Lozano arrancou no contragolpe e, diante de Steffen, bateu rasteiro, com o goleiro evitando o gol num fantástico movimento. Já aos 30, Tecatito Corona apareceu livre na área para completar um cruzamento e errou o alvo.

Os Estados Unidos terminaram o primeiro tempo com números melhores em posse de bola e finalizações, mas muitos erros de passes e dificuldades na cobertura. Não era uma boa apresentação da equipe, que mal assustou Guillermo Ochoa. O atacante Ricardo Pepi, protagonista nos jogos anteriores, estava muito bem marcado. O US Team precisava de uma mudança de atitude na volta do intervalo, o que aconteceu. Os americanos recomeçaram a segunda etapa atacando com bem mais velocidade. Logo Ochoa faria uma defesa complicada em batida forte de McKennie. Weah dava uma ótima alternativa pela direita.

O clássico ainda contou com seus momentos de tensão e futebol mais travado, com discussões entre os jogadores e algumas trocas de empurrões. Foram quatro cartões amarelos distribuídos em poucos minutos. A vitória dos Estados Unidos se abriria mesmo a partir dos 24, quando Pulisic, voltando de lesão, saiu do banco. Cinco minutos depois, Weah fez uma linda jogada individual pela direita e, depois de pedalar para cima da marcação, cruzou em direção à pequena área. Pulisic se antecipou e desviou de cabeça para dentro.

O México sentiu o gol e encontrou dificuldades para responder de imediato. Os Estados Unidos eram bem mais diretos em seus ataques e resolveram o duelo aos 40 minutos, com o segundo gol. A partir de um lançamento de Weah, McKennie tentou tabelar e acabou recebendo a bola de volta da própria zaga. Escapou pelo meio da área e deslocou Ochoa para anotar o seu. Na reta final, Miles Robinson foi expulso com o segundo amarelo, mas El Tri não parecia ter o mínimo ímpeto para tentar um milagre. E quase coube o terceiro, numa ótima jogada dos americanos que Jesús Ferreira acabou concluindo para fora.

Além de Estados Unidos e México, o Canadá mantém um ritmo forte nas Eliminatórias e completa a zona de classificação direta. Os Canucks receberam a Costa Rica em Edmonton e ganharam por 1 a 0, num placar magro para o domínio dos anfitriões. O péssimo gramado pareceu atravancar os canadenses no primeiro tempo, apesar das ameaças no jogo aéreo, com direito a uma cabeçada que bateu na trave costarriquenha. Mas foi mesmo na segunda etapa que a superioridade dos alvirrubros se tornou clara.

Tajon Buchanan quase marcou um gol espetacular de bicicleta, mas acertou o travessão. Pouco depois, o tento da vitória do Canadá saiu, aos 12 minutos. Substituindo Keylor Navas, o goleiro Leonel Moreira saiu caçando borboletas num cruzamento e Jonathan David não perdoou com a bola viva na área. Os Canucks seguiram bem mais presentes no ataque e insistiam pelo segundo tento, com direito a um gol anulado. Do outro lado, a Costa Rica mal chegou contra a meta de Milan Borjan e o triunfo canadense veio sem sobressaltos.

A quarta colocação permanece com o Panamá, responsável por uma inacreditável virada contra Honduras. Os hondurenhos abriram dois gols de vantagem em San Pedro Sula, mas os panamenhos foram capazes de construir o triunfo por 3 a 2 já na reta final do duelo. Honduras era bem melhor no primeiro tempo e o goleiro Luis Mejía operou um milagre, até o gol sair aos 30 minutos. Alberth Elis ganhou da marcação na força e, diante do gol, bateu no jeito. O Panamá mal atacou na primeira etapa. Para piorar, os anfitriões ampliaram num erro defensivo aos 14 do segundo tempo. A zaga não cortou e Brayan Moya ficou livre para resolver.

O Panamá não fazia um bom jogo e tinha dificuldades para criar. A reação só começou a se desenhar aos 32 do segundo tempo, graças a uma pixotada do rodado Maynor Figueroa. O capitão parou, achando que o goleiro Luis López recolheria a bola, quando Cecilio Waterman bateu a carteira e marcou o gol. Outro cochilo hondurenho facilitou o empate aos 35. Omar Browne lançou por trás da zaga e César Yanis escapou sozinho, tocando por cima do goleiro. E a reviravolta gigantesca se concluiu aos 40, quando Eric Davis cobrou uma falta no canto de Luis López e contou com um desvio para determinar a incrível vitória dos panamenhos.

Fora da zona de classificação, o empate por 1 a 1 entre El Salvador e Jamaica pareceu uma oportunidade perdida por ambas as equipes em San Salvador. No todo, o time da casa exibiu mais volume de jogo, mas os Reggae Boyz saíram em vantagem e tiveram o resultado nas mãos até tomarem um gol no finalzinho. Os salvadorenhos foram melhores durante o primeiro tempo e mandaram duas bolas na trave em sequência, no mesmo lance, em pancada de Alexander Larin e num tiro por cobertura de Brayan Landaverde.

Durante o segundo tempo, El Salvador teve uma postura mais agressiva, mas a Jamaica anotou o primeiro gol. E contou com Michail Antonio, sua estrela recém-naturalizada, que disputava apenas seu segundo compromisso pelos Reggae Boyz. Aos 37 minutos, o centroavante do West Ham disparou feito uma locomotiva e deu um toquinho por cobertura diante do goleiro. Foi seu primeiro gol pela seleção jamaicana. O estrago para os salvadorenhos só não foi maior porque, aos 45, Alex Roldan marcou de cabeça o gol de empate.

O octogonal final da Concacaf chega à sua metade, com quatro claros candidatos às vagas na Copa do Mundo. Estados Unidos e México somam 14 pontos, com a liderança americana graças ao saldo de gols. O Canadá, único que ainda não perdeu nesta fase da competição, soma 13 pontos. E o Panamá conseguiu se manter na cola graças à sua virada, agora com 11 pontos, na zona de repescagem. Precisando correr atrás do prejuízo, são três times com seis pontos: Costa Rica, Jamaica e El Salvador. Por fim, a grande decepção é a lanterna Honduras, com três pontos e ainda nenhuma vitória.

Na rodada da próxima terça-feira, o principal jogo acontecerá no Canadá, com os Canucks recebendo o México. Os Estados Unidos também terão um compromisso importante na visita à Jamaica. A Costa Rica tentará se recuperar em casa contra Honduras, enquanto o Panamá é o favorito diante de sua torcida contra El Salvador. As Eliminatórias na Concacaf terminam em março, com três rodadas em cada uma das duas próximas Datas Fifa.

Classificação fornecida por SofaScore LiveScore

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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