Eliminatórias da Copa

Depois de jogaço na Bombonera, Messi deixa no ar possível adeus à seleção argentina

Capitão da albiceleste afirma que repensará seu futuro com a Argentina depois da Copa do Mundo

Aos 34 anos e em uma temporada complicada pelo Paris Saint-Germain, Lionel Messi também está pensando no seu futuro como jogador de seleção. Capitão da Argentina na vitória por 3 a 0 contra a Venezuela, o craque admite que irá rever sua presença nas convocações de Lionel Scaloni após a Copa do Mundo de 2022, no Catar.

A verdade é que a relação de Messi com a Argentina mudou da água para o vinho em 2021, com a conquista da Copa América no Brasil. Ainda que o título mais esperado não tenha vindo, os anos do atacante vestindo a camisa da Albiceleste tiveram a glória continental como redenção de um país que não conquistava absolutamente nada desde 1993 e que amargava derrotas doloridas em decisões, como no Mundial de 2014, para a Alemanha, e nas finais da Copa América de 2004, 2007, 2015 e 2016, para Brasil e Chile, respectivamente.

Presente ao longo de diferentes gerações argentinas desde 2005, Messi teve alguma dificuldade para se firmar como liderança técnica da Argentina, e durante esse processo ainda sofreu críticas por ter feito fora do país a parte final de sua formação como atleta, jamais tendo defendido equipes locais. Questões que ele superou, como em outros contextos, com a bola nos pés e entregando muitos gols.

A grande chance de título mundial ficou para trás na derrota sofrida diante da Alemanha, no Maracanã, em 2014, com uma seleção organizada e competitiva, treinada por Alejandro Sabella. Mas isso não quer dizer que Messi vá encerrar seu histórico internacional apenas com frustrações em Copas. A Argentina que chega para 2022 com Scaloni conseguiu reunir um elenco de alto nível e cheio de confiança com a ótima campanha nas Eliminatórias.

O grande problema para o craque do PSG, portanto, seria o tempo, que passa cada vez mais rápido. E o fato de que não jogará mais em estádios argentinos até a estreia na Copa do Catar. Reflexivo, Messi deu entrevistas, ainda no gramado de La Bombonera, deixando aberto seu futuro com a seleção, na última sexta-feira (25): “Eu penso no que vem agora, no Equador (fora de casa, pelas Eliminatórias). Depois da Copa eu vou ter que repensar muitas coisas. Faz tempo que sou feliz aqui, mesmo antes de ganhar a Copa América. As pessoas demonstram que gostam de mim, e sou agradecido por isso. Tudo flui naturalmente, é mais fácil dentro e fora de campo”, reconheceu o camisa 10.

Pensar em outra Copa do Mundo, na qual Messi teria 38 anos em 2026, é um pouco precipitado. Até por conta da queda de rendimento físico, é apropriado que tenhamos o torneio no Catar como o último de grande projeção pelo atacante. Fazer a Argentina ser campeã novamente, ele já fez, na Copa América. Agora a pergunta é: dessa cartola que já saíram tantos jogos mágicos poderá sair a taça dourada que o povo argentino tanto sonha em ver de novo?

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Felipe Portes

Felipe Portes é zagueiro ocasional, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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