Eliminatórias da CopaItália

Da glória ao vexame: campeã europeia, Itália toma gol nos acréscimos da Macedônia do Norte e está fora da Copa

Pela segunda vez consecutiva, a Itália, agora como campeã europeia, está fora da Copa do Mundo ao perder, em casa, da Macedônia do Norte em um vexame histórico

A Itália está fora da Copa do Mundo pela segunda vez seguida. Nunca antes os italianos ficaram fora de duas Copas consecutivas. Tetracampeã do mundo, atual campeã da Eurocopa e um fracasso histórico. A Macedônia do Norte aguentou pressão o jogo todo, com mais de 30 finalizações italianas, e conseguiu uma vitória dramática, nos acréscimos. Impôs à Azzurra um vexame histórico: está fora de mais uma Copa do Mundo.

A Macedônia do Norte sabia que o roteiro do drama era possível. Sabia que precisava resistir à pressão italiana, transformar o ímpeto da Azzurra em pressão contra ela própria. Tal qual um judoca, sabia que precisava usar a força do adversário contra ele mesmo. A Itália é grande demais e, por isso mesmo, a pressão sobre ela é muitas vezes maior. E assim, o que se viu foi uma Itália que pressionou, mas especialmente no segundo tempo, sentiu o nervosismo.

Foi um jogo que a Itália chutou muito, mas teve imensa dificuldade em criar chances claras. Mais uma vez, teve problemas no centro do ataque. Ciro Immobile, que segue em grande fase com a Lazio, continua sofrendo com a Itália e foi mais uma vez assim. O centroavante pouco conseguiu fazer e viu o seu esforço ser inútil. Dos sete chutes que deu, seis deles foram bloqueados. Afobação de alguém que sentia o peso da má fase com a camisa da Azzurra.

No fim, mais uma eliminação italiana e Roberto Mancini terá muito o que explicar. A Itália saiu de campeã europeia, no que parecia uma redenção do futebol italiano, para uma eliminação vexatória que faz com que os italianos sejam mais uma vez uma ausência na Copa do Mundo. Melhor para a Macedônia do Norte, que seguirá no sonho, desta vez contra Portugal, na terça.

Primeiro tempo

O técnico Roberto Mancini não teve seus dois zagueiros titulares no título da Eurocopa, Giorgio Chiellini, que começou no banco, e Leonardo Bonucci. Assim, escalou Gianluca Mancini e Alessandro Bastoni no centro da defesa azzurra.

Como era de se imaginar, a Itália foi quem tomou a iniciativa e tentava pressionar para chegar ao campo de ataque. A Macedônia do Norte praticamente só se defendia, mas os italianos tinham dificuldades.

Aos 28 minutos, uma saída errada do goleiro macedônio Stole Dimitrievski fez com que a bola fosse de presente para Berardi, mas ele não conseguiu aproveitar o erro: chutou de chapa, fraco, e o goleiro conseguiu se recuperar. Logo depois, aos 30 minutos, a Itália chegou novamente ao ataque, acionando Immobile dentro da área. O atacante recebeu e chutou forte, para defesa de Dimitrievski para escanteio.

Só no primeiro tempo, foram 16 chutes a gol, mas só três deles no alvo. O time chegava ao ataque, pressionava, mas via o adversário encher a área de jogadores para travar o jogo. Foi o panorama que se manteve mesmo depois do intervalo.

Segundo tempo

O reinício do jogo teve a Itália indo ainda mais à frente e tendo em Berardi o seu jogador mais perigoso. Em 12 minutos da etapa final, o atacante do Sassuolo finalizou três vezes com perigo, duas de pé esquerdo e uma de pé direito.

A pressão continuava. Aos 20 minutos de jogo, a Itália tinha finalizado 22 vezes, com apenas cinco delas no alvo. Uma delas de Bastoni, de cabeça, no 12º escanteio do time. E não seria o último. A Macedônia continuava se fechando como podia para arrastar o jogo o mais longe possível.

Sem conseguir fazer o jogo funcionar com Immobile no ataque, Mancini mudou o time. Primeiro, tirou Insigne e colocou em campo Giacomo Raspadori. Pouco mais de 10 minutos depois, tirou Nicolò Barella e Ciro Immobile para colocar Sandro Tonali e Lorenzo Pellegrini. Raspadori ficaria mais centralizado no ataque, com mais movimentação. Eram 32 minutos e a Itália seguia sofrendo.

Com o desespero já no modo de desespero, Roberto Mancini colocou em campo o atacante João Pedro no lugar de Berardi, que não conseguiu fazer um bom jogo. Além do atacante, ele trocou Gianluca Mancini por Giorgio Chiellini para dar mais experiência ao time. Eram 43 minutos e o placar seguia 0 a 0.

Só que as coisas se tornaram dramáticas mesmo aos 47 minutos do segundo tempo. Aleksandar Trajkovski recebeu e, de fora da área, soltou um chute preciso no canto: gol da Macedônia do Norte. O estádio inteiro, atônito, via a Itália ser eliminada.

A Itália, já no drama de ver mais uma vez ficar fora da Copa, foi para tudo ou nada. Só teve mais uma chance, mas não conseguiu converter. Em um cruzamento, João Pedro desviou, pressionado, e mandou fora. O gol não sairia. O árbitro apontou o centro do campo, para comemoração dos macedônios. A Itália está mais uma vez fora da Copa e terá muitas questões para lidar com esse episódio dramático da sua história.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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