Eliminatórias da Copa

Bolívia aumenta o pesadelo do Uruguai e conquista uma vitória categórica em La Paz, que poderia ser maior

Arce e Marcelo Moreno comandaram o triunfo da Bolívia, na quarta derrota consecutiva do Uruguai nas Eliminatórias

A campanha do Uruguai nas Eliminatórias ganha contornos dramáticos. A Celeste emenda tropeços e se distancia da zona de classificação ao Mundial, num momento em que a pressão sobre o trabalho de Óscar Tabárez se torna enorme. E a preocupação charrua contrasta com a empolgação da Bolívia. La Verde continua sendo uma equipe duríssima de se enfrentar no Estádio Hernando Siles e a força na altitude de La Paz se potencializa neste qualificatório. Numa atuação soberana, os bolivianos amassaram os visitantes uruguaios e aplicaram um elástico placar de 3 a 0, mesmo desperdiçando um pênalti. Os veteranos Juan Carlos Arce e Marcelo Moreno aterrorizaram os celestes.

Além dos desfalques já na convocação, o Uruguai deixou Luis Suárez no banco de reservas. O garoto Agustín Álvarez Martínez entrou como referência no ataque, numa formação parecida com a que perdeu para a Argentina. Facundo Torres era outra novidade na ponta. Já a Bolívia seguia com o 3-5-2 usado por César Farías. Marcelo Moreno e Víctor Abrego se combinavam no ataque, com o apoio de Arce na ligação.

O primeiro tempo começou bastante travado, com poucas ações. A posse de bola era da Bolívia, contra um Uruguai que parecia guardar energias para os momentos oportunos. As chances de gol só vieram depois dos 25, com Nahitan Nández dando o primeiro aviso do lado uruguaio. Aos 30 minutos, porém, La Verde abriu o placar graças a uma falha de Fernando Muslera. Juan Carlos Arce cruzou, Marcelo Moreno tentou desviar e a indecisão atrapalhou ainda mais o goleiro uruguaio, que deixou a bola passar.

O Uruguai tentou responder na sequência, mas sentia falta de seus desfalques. Nández era quem mais tentava algo diferente, sem acertar o alvo. Na melhor chance para Agustín Álvarez Martínez, o centroavante não alcançou a bola. E a situação dos charruas se tornou pior aos 44, num momento em que a Bolívia se impunha no campo de ataque e pressionava a saída de bola celeste. O segundo gol saiu num escanteio cobrado por Arce, que Marcelo Moreno concluiu de cabeça para as redes.

Luis Suárez entrou logo na volta para o segundo tempo, no lugar de Matías Vecino. A ofensividade da Celeste, contudo, não deu grandes resultados. A Bolívia conseguia afastar o perigo na área, enquanto muitos arremates eram travados ou iam para fora. Quando Álvarez Martínez conseguiu acertar o alvo num chute de longe, Carlos Lampe fez a defesa. E a perspectiva dos uruguaios se tornou pior aos 15, quando a arbitragem assinalou um pênalti aos bolivianos. Marcelo Moreno cobrou e desperdiçou a chance de fazer mais um, ao bater por cima do travessão. Pouco depois, o centroavante tentou se redimir e fez Muslera trabalhar numa cabeçada.

O jogo não estava totalmente perdido ao Uruguai e uma brecha parecia se abrir aos 29, quando Carmelo Algarañaz deu uma entrada dura em Diego Godín na intermediária e recebeu o vermelho direto. O problema é que a Celeste mal esboçou aproveitar a vantagem numérica. Cinco minutos depois, Fernando Saucedo cruzou e Arce completou sua noite heroica, com mais um gol. Depois disso, os uruguaios ainda rondaram a área adversária, mas sequer conseguiram o gol de honra, parando em Lampe.

O Uruguai cai para a sétima colocação nas Eliminatórias, com 16 pontos. A Celeste vem de quatro derrotas consecutivas e perde força na competição, restando secar a concorrência no restante da noite. Já a Bolívia, embora se prenda aos resultados em casa, segue viva com 15 pontos. La Verde conquistou a terceira vitória nos últimos quatro compromissos. Foi apenas a segunda vitória dos bolivianos sobre os uruguaios neste século.

Classificação fornecida por SofaScore LiveScore

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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