Copa do Mundo: Repescagem das Eliminatórias Asiáticas é marcada por polêmicas
Fase concede duas vagas à Copa de 2026, e seleções apontam que Arábia Saudita e Catar conquistaram 'vantagem' com decisões controvérsias da AFC
As Eliminatórias Asiáticas são alvo de polêmica. O torneio entra na repescagem nesta Data Fifa com Emirados Árabes Unidos, Catar, Iraque, Omã, Arábia Saudita e Indonésia na luta por duas vagas na Copa do Mundo de 2026.
A Arábia Saudita, treinada por Hervé Renard, e o Catar, comandado por Julen Lopetegui, foram acusados pelas demais equipes de obter vantagem na competição. Acontece que a fase de repescagem consiste em dividir as seis seleções participantes em dois grupos, e os líderes de cada chave se classificam ao Mundial.
No Grupo A estão Catar, Emirados Árabes Unidos e Omã. No B, Arábia Saudita, Iraque e Indonésia. São duas rodadas para definir os contemplados.
As seleções que ficarem em segundo lugar nas respectivas divisões se enfrentam em jogos de ida e volta em novembro para lutar por um lugar na repescagem geral da Fifa.
Tanto os sauditas quanto os catarianos tiveram o direito de jogar os duelos em casa. As partidas da chave A serão no Catar, e as da B ficarão na Arábia Saudita.
Esse diferencial foi determinado pela Confederação Asiática de Futebol (AFC) em junho, sem dar qualquer justificativa quanto aos critérios adotados, segundo o “The Guardian”.
A decisão frustrou os demais competidores, que pediram à entidade para também sediarem os próprios jogos ou definição de locais neutros, além de endossarem coro por mais transparência nos processos. As solicitações, porém, não foram atendidas.
— Não há estádios no Japão ou no Kuwait em que podemos jogar? Talvez as pessoas que organizam isso tenham uma visão diferente do futebol — declarou Carlos Queiroz, técnico do Omã, ao jornal.
Cronograma de jogos da repescagem também é polêmico: ‘Nunca aconteceu’
Queiroz já conduziu África do Sul, Irã e a seleção de seu país natal, Portugal, à Copa do Mundo em edições passadas, e espera ajudar o Omã a alcançar o torneio pela primeira vez na história. No entanto, afirmou que isso “seria um milagre nesta situação complicada”.

— O que podemos dizer? Temos que jogar na casa de uma das equipes que estamos competindo (por vaga). Colocaram sauditas na Arábia Saudita e o Catar no Catar. Se não conseguem ver o que há de errado com isso, então quem são os jogadores e os técnicos para falar? — questionou o português.
Há ainda outra controvérsia, relacionada ao cronograma de jogos. Os países anfitriões entram em campo nesta quarta-feira (8), e só voltam a atuar na terça-feira (14). As demais seleções têm apenas três dias entre uma partida e outra.
Jogos da repescagem das Eliminatórias Asiáticas
- Omã x Catar – 7 de outubro, às 12h (de Brasília);
- Indonésia x Arábia Saudita – 7 de outubro, às 14h15 (de Brasília);
- Emirados Árabes Unidos x Omã – 11 de outubro, às 14h15 (de Brasília);
- Iraque x Indonésia – 11 de outubro, às 16h30 (de Brasília);
- Catar x Emirados Árabes Unidos – 14 de outubro, às 14h (de Brasília);
- Arábia Saudita x Iraque – 14 de outubro, às 15h45 (de Brasília).

— Jogamos contra o Catar e vamos jogar de novo três dias depois. Catar joga seis dias depois e eles já sabem o resultado e o que precisam fazer. Isso nunca aconteceu antes. As pessoas que fazem as regras não pensaram nisso e não prestaram atenção — disse Queiroz.
A bronca do treinador é maior pelo fato de que cinco jogadores convocados defendem equipes de fora do Omã, e alguns só chegariam na terça-feira (7) à concentração. “E jogam na quarta”, afirmou. “Tenho perguntado aqui como fazer omelete sem ovos”.
— Quando há uma Copa do Mundo, sempre há um anfitrião, e é compreensível, eles pagam por isso, constroem estádios… Mas isso (no meio da repescagem) é estranho, e é estranho que os responsáveis não se sintam incomodados.
A AFC foi procurada pelo “Guardian” para comentar o caso, mas não se pronunciou.
A Ásia tem atualmente seis representantes garantidos na Copa de 2026: Irã, Uzbequistão, Coreia do Sul, Jordânia, Japão e Austrália.

Outra reclamação dessa repescagem foi feita pela Indonésia, que é treinada por Patrick Kluivert. A seleção critica a escalação de um juiz kuwaitiano para o jogo contra a Arábia Saudita.
Neste caso, a queixa tem motivação geopolítica. “Queremos um árbitro neutro, possivelmente da Europa ou de outro lugar, alguém que não tenha envolvimento com a região”, ressaltou o dirigente Kombes Sumardji à imprensa.



