Eliminatórias da Copa

As classificações de Gana e RD Congo para a fase final das Eliminatórias correm o risco de ser revertidas nos tribunais

A África do Sul reclama da arbitragem favorável a Gana, enquanto Benin pode contar com uma substituição irregular de RD Congo

O domingo contou com duas partidas decisivas pelas Eliminatórias Africanas à Copa do Mundo: Gana x África do Sul e República Democrática do Congo x Benin faziam confrontos diretos pela última rodada da fase de grupos, valendo vagas na etapa decisiva do qualificatório. E os dois jogos devem acabar nos tribunais de justiça desportiva. Os sul-africanos reclamam da arbitragem na vitória ganesa por 1 a 0, sobretudo do pênalti que resultou no gol decisivo, e enviarão um protesto. Já os beninenses podem ter mais sucesso em seu apelo, já que os congoleses fizeram uma alteração irregular que pode anular a vitória por 2 a 0.

A vitória de Gana por 1 a 0 sobre a África do Sul aconteceu graças a um pênalti bastante escandaloso. Daniel Amartey mergulhou no meio da área, sem qualquer contato tão forte, e o árbitro apontou a marca da cal. Sem VAR na competição, a cobrança foi mantida e André Ayew determinou o triunfo dos Estrelas Negras. Os sul-africanos jogavam pelo empate em Cape Coast, por terem a melhor campanha, mas não fizeram muito num jogo amarrado e de outras decisões contestáveis dos árbitros.

Agora, a federação da África do Sul apresentará uma reclamação formal à CAF e à Fifa, com o pedido para que o jogo seja disputado outra vez. “Os árbitros decidiram o jogo, o que não deveria acontecer. Vamos escrever tanto à CAF quanto à Fifa, primeiro para investigar a maneira como o jogo foi conduzido, depois para contestar algumas das decisões. Já registramos com o delegado da partida que faremos essa reclamação formal”, declarou Tebogo Mothlante, chefe-executivo da federação sul-africana, à BBC.

“Estamos muito frustrados e não podemos permitir que isso destrua os jogadores. Quando tivermos a chance de questionar, vamos questionar. A gente se sente roubado, porque não é um incidente isolado de um pênalti. Aconteceram várias decisões questionáveis dos árbitros e vamos pedir para um especialista dissecar os incidentes, para que possamos apresentar um caso forte”, complementou o dirigente.

Vale lembrar que o atual presidente da CAF é o sul-africano Patrice Motsepe. E, além da força política, os Bafana Bafana se agarram a um precedente: nas Eliminatórias para a Copa de 2018, a África do Sul teve uma partida remarcada contra Senegal. Na ocasião, os sul-africanos venceram por 2 a 1, mas a Fifa concluiu que o árbitro ganês Joseph Lamptey participou de um esquema de manipulação de resultados para facilitar apostas. Com o novo encontro, os senegaleses reverteram a situação com o triunfo por 2 a 0, que auxiliou na classificação posterior ao Mundial.

Já a vitória da República Democrática do Congo sobre Benin por 2 a 0 contou também com um pênalti tão ou mais questionável que o visto em Gana. Porém, não é nessa reclamação que os beninenses confiam. Conforme as regras para as cinco substituições, as trocas só podem ser feitas em três paralisações distintas do jogo, não mais que isso. O experiente técnico Héctor Cúper, contudo, fez quatro trocas na seleção congolesa em quatro paradas diferentes. Com isso, os Esquilos têm argumentos para reverter a situação contra os Leopardos.

A federação beninense não se manifestou publicamente sobre o apelo, mas, segundo o site sul-africano Kickoff, os dirigentes entrarão com recurso na CAF. Benin também dependia apenas de um empate contra RD Congo em Kinshasa e, caso o placar seja revertido, os Esquilos avançarão à fase decisiva das Eliminatórias.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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