Eliminatórias da Copa

Aos 19 anos, Bazunu fechou o gol da Irlanda em diferentes partidas e vira uma grata novidade para ficar de olho

Pertencente ao Manchester City e emprestado ao Portsmouth, Bazunu defendeu pênalti de Cristiano Ronaldo e fez uma atuação impecável contra a Sérvia

A Data Fifa apresentou um goleiro que, pela qualidade evidenciada nos últimos jogos, tem totais condições de estabelecer uma era na meta da Irlanda. Aos 19 anos, Gavin Bazunu apareceu pela primeira vez como titular em março e desde então não perdeu a posição. E se os resultados dos irlandeses não chamam exatamente tanta atenção, não é culpa do prodígio. O arqueiro pegou pênalti de Cristiano Ronaldo, antes da espetacular virada comandada pelo craque de Portugal na semana passada. Já nesta terça-feira, Bazunu realizou uma série de defesas incríveis e permitiu que a Irlanda pelo menos buscasse o empate por 1 a 1 contra a Sérvia em Dublin.

Descendente de nigerianos, Bazunu nasceu e cresceu em Dublin, levado para as categorias de base do Shamrock Rovers ainda na infância. O goleiro estreou com apenas 16 anos na equipe principal e acumulou suas primeiras partidas, antes de ser contratado pelo Manchester City em 2019. Na Inglaterra, o irlandês primeiro passou um tempo com as equipes menores dos celestes, até iniciar sua sequência de empréstimos. Atuou na terceira divisão na temporada passada, assumindo a meta do Rochdale. Mesmo com o time rebaixado, acabou se destacando, a ponto de ganhar sua primeira convocação para a Irlanda na Data Fifa de março.

A estreia de Bazunu não foi nada memorável: ele operou seu primeiro milagre, mas não evitou a derrota por 1 a 0 para Luxemburgo, pelas Eliminatórias. Depois, se apresentaria em amistosos contra Catar, Andorra e Hungria – nos quais sua equipe só venceria os andorranos. O momento da seleção irlandesa passa distante da relevância de outros anos e o time é um mero coadjuvante no qualificatório para a Copa de 2022. Mesmo assim, o jovem goleiro distribuiu seus cartões de visitas com ótimas defesas e boas exibições nesta Data Fifa.

Se Portugal demorou tanto para vencer a Irlanda na última quarta-feira, a importância de Bazunu é evidente. Cristiano Ronaldo cobrou bem o pênalti, mas o arqueiro buscou no cantinho. Faria ainda outras boas defesas, mas não evitaria a fúria de CR7 para a virada por 2 a 1. Depois, também trabalhou contra o Azerbaijão em Dublin. O gol dos visitantes não foi sua culpa e ele faria uma defesa decisiva para escapar da embaraçosa derrota, com o empate final por 1 a 1. Já nesta terça, o novato teria sua melhor atuação, contra a Sérvia.

Bazunu realizou dez defesas ao longo da noite no Estádio Aviva. Não impediu o gol sérvio, embora quase tenha realizado um milagre na cabeçada de Sergej Milinkovic-Savic. E o placar só não foi ampliado pelos visitantes por uma série de grandes intervenções do jovem. O melhor de Bazunu aconteceu no segundo tempo, sobretudo nos duelos com Aleksandr Mitrovic. Foram dois milagres à queima-roupa diante do centroavante, que seguraram a diferença mínima e permitiram que a Irlanda arrancasse o empate por 1 a 1 no fim. Uma lambança enorme da zaga adversária garantiu o resultado, que serve mais às pretensões de Portugal na liderança do que propriamente aos irlandeses – antepenúltimos colocados na chave, com dois pontos em cinco partidas.

O nível altíssimo que Bazunu demonstrou deve garanti-lo na posição pelos próximos tempos. O adolescente ainda possui atributos a melhorar, sobretudo nas saídas de gol, mas o senso de posicionamento e a envergadura são ótimos. Talvez torne-se um herdeiro digno da posição que já teve Shay Given e Packie Bonner como grandes expoentes. Ainda que Darren Randolph tenha sua história na seleção, sobretudo pelo bom desempenho na Euro 2016, o momento é mesmo do novato.

Uma Data Fifa não é suficiente para cravar o sucesso de Bazunu no futuro. Contudo, seu talento evidente servirá pelo menos para que o Manchester City o monitore mais de perto. Nesta temporada, o irlandês acumula seu segundo empréstimo à League One e terá melhores chances de buscar o acesso com o Portsmouth. Num clube tradicional, lidará com pressões maiores e também poderá ganhar maior exposição. Quem sabe, para virar uma opção no elenco de Pep Guardiola em breve.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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