Eliminatórias da Copa

Agora é fácil falar: De Laurentiis diz que Insigne deveria ter batido pênalti pela Itália, não Jorginho

Ex-meia do Napoli, Jorginho aparentemente não deixou saudade no coração do presidente dos partenopei

Toda vez que um pênalti importante não é convertido, a conversa é a mesma: o responsável pela batida deveria ser outro jogador. Calhou do alvo da ocasião ser o meia Jorginho, da Itália, depois de jogar pelo alto a chance de praticamente colocar a sua seleção na Copa do Mundo de 2022, contra a Suíça, na última sexta-feira.

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Além da importância do momento para a Itália, num contexto geral, o pênalti foi marcado nos minutos finais de jogo, o que agregou uma tensão ainda maior. Jorginho bateu alto e a partida terminou empatada, o que deixou a situação bastante aberta no grupo.

Frustrado, o presidente do Napoli, Aurelio De Laurentiis, disparou contra seu ex-jogador após a partida. Sempre polêmico, o mandatário dos partenopei afirmou que Lorenzo Insigne deveria ter sido responsável pela cobrança do pênalti, não Jorginho. “Eles sempre chamam aqueles que não batem pênaltis. Se Insigne estivesse em campo naquele momento, ele poderia ter cobrado? Talvez fosse melhor”, questionou De Laurentiis.

É sempre fantástico quando figuras do futebol que atuam fora dos campos se posicionam em relação a essas questões. Porque nessas cabeças surgem hipóteses que são baseadas única e exclusivamente no se. “Se Insigne estivesse em campo” já serve para escancarar o clubismo de De Laurentiis, como em outras centenas de situações que costumamos ler nas manchetes, quando as coisas não acontecem como estes atores gostariam. O se vale muito pouco, convenhamos.

Até mesmo porque, é bastante conveniente concentrar em Jorginho a responsabilidade pelo pênalti perdido, eximindo o resto do time de uma atuação bastante fraca diante da Suíça. O tempo passa, o tempo voa, e os personagens seguem utilizando os mesmos expedientes de escolher um bode expiatório para justificar um cenário em que o coletivo falhou. Ainda é cedo para falar em novo drama italiano, com uma rodada por jogar e a missão de vencer a Irlanda do Norte e mantendo a vantagem de pelo menos dois gols de saldo em relação à Suíça, que encara a Bulgária.

As feridas de 2017, quando a Itália caiu na repescagem contra a Suécia, ainda estão abertas, e mesmo com a situação sendo razoavelmente favorável, existe o temor de um novo trauma. Sabemos também que pênaltis batidos para o alto em decisões não são exatamente uma novidade para a Itália, mas o momento bom que vive a Squadra Azzurra deveria suscitar mais otimismo do que medo. Portanto, calma, Jorginho. Haverá chance para uma redenção.

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Felipe Portes

Felipe Portes é editor-chefe da Revista Relvado, zagueiro ocasional, ex-jornalista, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

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