Eliminatórias da Copa

A seleção da Venezuela ganha boas perspectivas ao escolher José Pekerman como seu novo técnico

Aos 72 anos, Pekerman conciliará o comando da seleção principal com a coordenação das equipes de base

A Venezuela é a única equipe completamente fora da disputa nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2022. Com o desempenho ruim da Vinotinto, chegou a hora de já pensar no próximo ciclo e preparar o terreno com um treinador de ponta. E os venezuelanos serão dirigidos a partir de agora por um nome respeitável do futebol de seleções da América do Sul: José Pekerman assumirá a equipe nesta reta final do qualificatório. O argentino levou seu país à Copa de 2006 e participou de dois Mundiais à frente da Colômbia. O tempo de contrato não foi revelado pela FVF, em trabalho que também incluirá a coordenação das seleções de base.

“Muito obrigado pela recepção. Sei que estou no lugar certo. Começamos com esperanças. Abre-se um caminho com o objetivo que temos. Para a seleção não há amanhã, o jogador deve pensar no hoje. Vamos deixar o coração e a alma levar adiante a Vinotinto. Estamos aqui para acreditar. Com paciência, trabalho e continuidade. Temos os recursos, as pessoas e a confiança. Vejo grandes jogadores na Venezuela, temos mais recursos e devemos evoluir”, declarou o treinador de 72 anos.

Após o frutífero período com Rafael Dudamel até 2019, a Venezuela apostou no português José Peseiro durante o início das Eliminatórias. O comandante não engrenou e foi demitido após a participação na Copa América de 2021, com apenas dez jogos no cargo. Saiu em litígio por conta dos salários atrasados, em débitos pagos apenas nesta semana. Nas últimas três Datas Fifa, os venezuelanos acabaram comandados de maneira interina por Leo González, técnico vitorioso com o Deportivo Lara. Todavia, em oito jogos, o time sofreu sete derrotas e só conquistou uma vitória.

Pekerman dá outra percepção à seleção da Venezuela. Por nome, o argentino pode ser considerado o treinador de maior peso a passar pela casamata da Vinotinto. Seu histórico fala por si. O comandante fez um trabalho excepcional na seleção da Argentina especialmente nas categorias de base, até conduzir o ciclo mundialista rumo à Copa do Mundo de 2006. Já na Colômbia, o técnico encerrou um hiato de 12 anos do país longe dos Mundiais e dirigiu a histórica campanha de 2014, antes que os Cafeteros fizessem também bom papel em 2018. Todavia, o fim de ciclo resultou em sua saída após o torneio na Rússia.

Pekerman não tinha dirigido mais nenhuma equipe desde 2018. A Venezuela surge, então, como uma oportunidade de reafirmar seu nome no futebol de seleções da América do Sul – embora ofereça a missão mais difícil que já aceitou. O argentino deve emprestar seu prestígio à federação, diante das dificuldades para cumprir seus compromissos financeiros. Além do mais, que a atual geração da Vinotinto tenha bons talentos, as dificuldades coletivas da equipe ficaram bem claras com o péssimo rendimento dessas Eliminatórias. Não será das tarefas mais simples moldar o time e impulsionar o desempenho.

A contratação de Pekerman pode significar um novo empurrão ao processo formativo da Venezuela, levando em conta sua experiência principalmente na Argentina e a própria maneira como assumirá a direção das equipes de base. Outro ponto é que o veterano não costuma ser um adepto do futebol defensivo, como o que permitiu os bons resultados com Dudamel. A própria implementação de uma nova filosofia de jogo demandará tempo. Nada melhor, então, que as ideias comecem a ser trabalhadas desde as últimas rodadas das Eliminatórias, mesmo com irrisórias chances matemáticas de classificação.

Os primeiros jogos de Pekerman à frente da Venezuela acontecerão na Data Fifa de janeiro, contra Bolívia em casa e Uruguai fora. Depois, a Vinotinto encara a Argentina e a Colômbia nos compromissos de março. O novo treinador poderá atrapalhar alguns dos candidatos à Copa, assim como terá dois reencontros com os times que dirigiu no passado. Os problemas de organização da federação venezuelana, que passou recentemente por mudanças no comando, e o próprio contexto socioeconômico no país oferecem obstáculos consideráveis à evolução da equipe nacional. Ainda assim, a partir de agora, a Vinotinto contará com um dos nomes mais capacitados no mercado para conduzir seu desenvolvimento.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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