Eliminatórias da Copa

A Inglaterra confirmou presença na Copa com um show: 10×0 em San Marino, sua maior vitória em 57 anos

A Inglaterra estava praticamente garantida e, no fim das contas, poderia até perder para San Marino, já que a Polônia tropeçou

Enfrentar San Marino numa rodada final de Eliminatórias não trazia lembranças tão boas à Inglaterra. Em 1993, nem a goleada por 7 a 1 bastou para os Three Lions se classificarem aos Estados Unidos. Porém, 28 depois, a situação era bastante distinta e o destino estava nas mãos da equipe de Gareth Southgate. A partida em Serravalle, então, terminou com um redondo 10 a 0 e a aguardada classificação para o Mundial de 2022, que os ingleses só perderiam mesmo com uma hecatombe. Numa noite com tantos gols, Harry Kane ainda assim roubou a festa para si e balançou as redes quatro vezes, igualando Gary Lineker como terceiro maior artilheiro da equipe nacional. Foi o primeiro jogo desde 1964 em que a Inglaterra anota dois dígitos no placar.

A Inglaterra chega a 16 Copas do Mundo em sua história, classificada para todos os Mundiais desde 1998 – curiosamente, a última vez fora aconteceu exatamente naquela noite frustrante em San Marino, superada por Holanda e Noruega em sua chave. E o elenco atual reforça uma impressão de crescimento desde as semifinais de 2018. A Eurocopa dos Three Lions teve oscilações, mas o time apresentou-se bem em duelos de peso e fez uma campanha muito digna até a inédita decisão. E a margem de crescimento segue visível, até olhando o perfil dos jogadores.

A classificação reforça o papel de Harry Kane como grande talento desta geração. Ainda assim, a partida em San Marino indica como há gente pedindo espaço, mesmo quando alguns dos possíveis convocáveis não atravessam boa fase. Se o momento de Jadon Sancho não é o melhor, surge um Emile Smith Rowe para já pintar como titular e marcar seu gol. Os ingleses podem não ter o melhor conjunto de protagonistas, mas a profundidade do grupo eleva as expectativas para outra longa caminhada também no Catar.

O passeio em Serravalle

Gareth Southgate montou a Inglaterra com uma formação bem agressiva. Harry Kane tinha a companhia de Emile Smith Rowe e Phil Foden no ataque. Bukayo Saka e Trent Alexander-Arnold eram os alas, enquanto Kalvin Phillips e Jude Bellingham preenchiam o meio. O resultado foi construído com extrema facilidade, com quase metade das finalizações resultando em gols. Só o primeiro tempo rendeu seis tentos.

Harry Maguire abriu a contagem aos seis minutos, aproveitando um escanteio batido por Phil Foden. Já aos 15, Saka chutou cruzado e o desvio de Filippo Fabbri valeu o gol contra. Isso até começar o show de Kane. O artilheiro marcou o terceiro de pênalti, aos 27. Quatro minutos depois, seu segundo tento veio num chute no cantinho. O quinto, aos 39, também saiu num penal. E o total de gols de Lineker foi igualado aos 42, com o quarto gol do matador num intervalo de 15 minutos, com um lindo drible na área. Ao longo de todo o primeiro tempo, San Marino deu uma finalização, que quase surpreendeu Jordan Pickford numa defesa difícil.

Para o segundo tempo, a Inglaterra voltou com três alterações. Conor Gallagher, Ben Chilwell e Tammy Abraham saíram do banco. Os Three Lions preferiram reduzir um pouco a intensidade e criaram menos finalizações, mas seguiram maltratando San Marino. O sétimo até demorou aos 13. Tammy Abraham tinha perdido um gol feito e se deu melhor com uma assistência para Smith Rowe.

Para piorar, os samarineses ficaram com dez homens, após a expulsão de Dante Rossi aos 23. O oitavo foi anotado por Tyrone Mings, um minuto depois do vermelho ser mostrado, a partir da falta cobrada por Alexander-Arnold. Por fim, depois de um gol anulado de Bellingham, os golpes de misericórdia aconteceram numa sequência entre os 33 e os 34, com Abraham e Saka deixando suas marcas. O do centroavante nasceu num lindo giro, após matar a bola com a coxa e acertar o chute sem deixá-la cair. O do ala dependeu de uma cabeçada na pequena área, valendo a terceira assistência seguida de Alexander-Arnold.

A Polônia perde, mas está na repescagem

Curiosamente, a Inglaterra poderia ter perdido para San Marino que ainda se classificava para a Copa do Mundo. A Polônia, única com chances de uma reviravolta impensável, poupou vários titulares e perdeu em casa para a Hungria. Os magiares venceram por 2 a 1 em Varsóvia. O resultado, no entanto, não teria maiores consequências aos poloneses – garantidos por antecipação ao menos na repescagem.

Mesmo com a ausência de Robert Lewandowski, a Polônia acumulava boas chances, mas terminou o primeiro tempo já em desvantagem. Aos 37 minutos, András Schäfer aproveitou uma cobrança de falta cruzada para definir na pequena área. Os poloneses empataram aos 16 do segundo tempo, numa cabeçada de Karol Swiderski. Porém, os húngaros saíram mesmo com a vitória, definida aos 35, com Daniel Gazdag desfrutando de espaço para bater no ângulo. No outro jogo da chave, a Albânia foi econômica e só fez 1 a 0 sobre Andorra em Tirana. O gol saiu aos 28 do segundo tempo, em pênalti batido por Endri Çekiçi.

A Inglaterra fechou o Grupo I com 26 pontos e incríveis 39 gols marcados em dez partidas. Harry Kane marcou sozinho 12 tentos e pode terminar como artilheiro das Eliminatórias, um gol à frente de Memphis Depay no momento. A Polônia vai para a repescagem com 20 pontos, sem representar a ameaça que alguns poderiam esperar. A Albânia ainda foi a terceira, com 18 pontos, um a mais que a Hungria. Já na luta contra a lanterna, Andorra fez seis pontos contra San Marino, totalmente zerado na competição.

Classificação fornecida por SofaScore LiveScore

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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