Eliminatórias da Copa

A Coreia do Sul realizou um belo tributo a Yoo Sang-chul, um dos heróis da Copa de 2002, que faleceu nesta semana

O ex-meia enfrentava um câncer no pâncreas e não resistiu, aos 49 anos; Yoo tinha sido eleito ao time ideal do Mundial de 2002

Nesta semana, a Coreia do Sul lamentou o falecimento de um dos principais jogadores da seleção semifinalista da Copa do Mundo em 2002. Dono da camisa 6, Yoo Sang-chul brilhou no meio-campo sul-coreano e chegou a ser eleito à equipe ideal do torneio – entre os 16 atletas selecionados pela Fifa. O veterano tinha 49 anos e morreu na segunda-feira, pouco menos de dois anos após ser diagnosticado com um câncer no pâncreas. E os atuais jogadores da Coreia do Sul trataram de honrar a lenda. Nesta quarta, os Guerreiros Taegeuk golearam Sri Lanka por 5 a 0 nas Eliminatórias. Durante a comemoração do primeiro gol, a camisa 6 de Yoo foi exibida.

Por clubes, Yoo Sang-chul atravessou sua carreira entre o Campeonato Sul-Coreano e o Campeonato Japonês. O meio-campista despontou no Ulsan Hyundai Horang-i, profissionalizando-se aos 23 anos, e seria considerado um dos melhores jogadores da K-League a partir de 1994. Foi campeão nacional pela primeira vez em 1996, enquanto terminou como artilheiro da liga em 1998. O jovem chegou a ser convidado para um teste no Barcelona depois da Copa do Mundo de 1998, mas já tinha assinado contrato com o Yokohama F. Marinos. Na J-League, defendeu ainda o Kashiwa Reysol, pelo qual atuava na época da Copa de 2002.

Após seu sucesso no Mundial, Yoo recebeu propostas de equipes europeias e esteve próximo do Tottenham. Porém, o contrato não foi fechado e ele retornaria brevemente ao Ulsan. A partir de 2003, o meio-campista defendeu outra vez o Yokohama F. Marinos, com o qual conseguiu ser bicampeão japonês. Por fim, retornou para sua terceira passagem pelo Ulsan e faturou novamente a K-League em 2005. Porém, aos 35 anos, o veterano precisou pendurar as chuteiras por conta de uma lesão no joelho em 2006. Seria eleito ao time dos sonhos da K-League em 2013, quando a competição completou 30 anos de sua fundação.

Já pela seleção da Coreia do Sul, Yoo Sang-chul ganhou suas primeiras chances em 1994, às vésperas da Copa, mas sem viajar aos Estados Unidos. Após o torneio, virou um nome constante nas convocações e participaria de dois Mundiais. A campanha em 1998 seria modesta, com os sul-coreanos terminando na lanterna de sua chave. Ainda assim, Yoo marcou o gol que garantiu o empate por 1 a 1 contra a Bélgica e eliminou os Diabos Vermelhos na terceira rodada. Já o ápice aconteceu em 2002, quando o camisa 6 era um dos mais experientes do grupo e um dos motores da Coreia do Sul.

Yoo seria titular nas sete partidas daquele Mundial sob as ordens de Guus Hiddink e marcou um dos gols nos 2 a 0 sobre a Polônia na estreia. Ao final do torneio, a Fifa apontou o sul-coreano como um dos cinco melhores meio-campistas da competição – ao lado de Michael Ballack, Claudio Reyna, Rivaldo e Ronaldinho. Apenas ele e o zagueiro Hong Myung-bo representaram o país no time ideal da Copa.

Versátil, Yoo Sang-chul atuou principalmente como meia-armador na Copa de 2002, embora também tenha feito o papel de volante. Valia-se da qualidade técnica para distribuir passes precisos e organizar o time – com uma visão de jogo ainda mais incrível pelo fato de que era cego do olho esquerdo, algo só revelado após sua aposentadoria. Além do mais, o camisa 6 era um dos atletas mais virtuosos que a Coreia do Sul já produziu. Seus primórdios como profissional foram como zagueiro ou lateral, mas a capacidade física e a qualidade também o botaram como atacante na época em que foi artilheiro da K-League com o Ulsan.

Além das duas Copas, Yoo Sang-chul também representou a Coreia do Sul nos Jogos Olímpicos de 2004, quando o time alcançou as quartas de final. O camisa 6 também figurou em duas edições da Copa da Ásia (1996 e 2000), em duas da Copa Ouro (2000 e 2002) e em uma da Copa das Confederações (2001). A despedida de Yoo pela seleção aconteceu em 2005. Ele totalizou 120 partidas e 18 gols pela equipe principal. É o sexto atleta com mais aparições na história dos Guerreiros Taegeuk. Depois de pendurar as chuteiras, o veterano ainda trabalhou como treinador a partir de 2011. Dirigiu times da K-League, além de ter trabalhado na equipe da Universidad de Ulsan. Em 2019, mesmo depois de descobrir o câncer, ele seguiu à frente do Incheon United e conseguiu livrar o time do rebaixamento. Afastou-se das funções em 2020 para cuidar de sua saúde, mas não resistiu à doença.

A homenagem da Coreia do Sul nesta quarta aconteceu depois do primeiro gol, anotado por Kim Shin-wook. Na comemoração, o atacante foi ao banco de reservas buscar a camisa de Yoo Sang-chul e a estendeu ao lado dos companheiros – com a presença de Son Heung-min no tributo. Depois disso, os sul-coreanos fecharam a goleada em 5 a 0. A equipe lidera o Grupo H das Eliminatórias Asiáticas, podendo empatar com o Líbano na rodada final para assegurar a classificação.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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