Eliminatórias da Copa

A Colômbia martelou incompetentemente e, no fim do jogo, a bola puniu com a vitória do Peru em Barranquilla

A Colômbia passou o jogo todo no campo de ataque, mas foi mal nas conclusões e um contragolpe bastou para a festa peruana

A seleção peruana conquistou nesta sexta-feira uma vitória que pode fazer a diferença na conta final dos classificados à Copa do Mundo. A Blanquirroja precisou de resiliência, mas derrotou a Colômbia por 1 a 0 em Barranquilla. O jogo se passou quase o tempo inteiro nos arredores da área peruana. Os Cafeteros insistiram muito, mas exibiam pouca inspiração no ataque e, apesar dos muitos arremates, raras eram as oportunidades reais. Os colombianos tiveram 28 finalizações no duelo, mas só duas no alvo. Melhor para o Peru, que chutou só quatro vezes, mas a única batida no alvo rendeu o gol decisivo de Édison Flores, aos 40 do segundo tempo – com frango de David Ospina. Com isso, os Incas entram no G-4.

A Colômbia deixou claro desde o primeiro minuto quem mandaria no jogo. Logo no primeiro ataque, James Rodríguez serviu Radamel Falcao García e o centroavante bateu por cima. A pressão dos Cafeteros era grande e quase sempre contava com a participação de James, muito ativo na construção. Porém, com o centro da área peruana congestionado, o caminho para os colombianos era arriscar de fora. Faltava um pouco mais de direção, sem que Pedro Gallese fizesse grandes defesas.

A Colômbia tentou marcar um gol na marra aos 28, mas o lance de Falcao acabou anulado por falta em Gallese. O centroavante também estava com vontade na tarde e desperdiçaria uma boa chance aos 34, num corta-luz de Wilmar Barrios, em que mandou de primeira para fora. A insistência dos Cafeteros prevaleceu até o fim da primeira etapa, com a pontaria deixando a desejar. Pelo volume de jogo, o empate rumo ao intervalo parecia prejuízo aos anfitriões.

O desenho do jogo permaneceu parecido no segundo tempo. Aos cinco minutos, Yerry Mina chutou de longe e provocou a primeira defesa difícil de Gallese. A Colômbia insistia nas bolas cruzadas e por vezes conseguia chegar à pequena área, mas de alguma forma o Peru se safava. Com o passar dos minutos, o cansaço dos Cafeteros também ficou evidente e Reinaldo Rueda tentou mudanças, incluindo a entrada de Miguel Borja na vaga de Falcao García. O impacto era mínimo, já que a blitz não encontrava brechas na marcação peruana.

Curiosamente, a Colômbia acordou quando quase ganhou um gol contra depois dos 30. Steven Alzate cruzou e Miguel Araújo mandou contra o patrimônio, mas Gallese salvou com a ponta dos dedos. Os Cafeteros deram mais alguns sustos nas bolas paradas, que a zaga peruana rifou. Porém, quando os colombianos chutavam, pecavam demais. Satisfeito com o resultado, o Peru tentou gastar tempo e contava com a cera de Gallese. Gianluca Lapadula saiu desgastado nessa sequência, sem fazer muito.

O Peru, ainda assim, arrancaria a vitória em uma raríssima subida ao ataque. Aos 40, Christian Cueva descolou uma ótima enfiada para Édison Flores. O atacante escapou em velocidade pela esquerda e, mesmo com pouco ângulo, finalizou no canto. Contou também com a enorme ajuda de David Ospina, que errou totalmente o movimento e falhou no tento. Na reta final, não restou nada mais à Colômbia além de martelar. Os principais chutes vinham da entrada da área, com parco sucesso. James e Juan Guillermo Cuadrado tiveram alguns tiros para fora, só que os peruanos se defenderam com competência e ainda poderiam ter feito o terceiro num contra-ataque desperdiçado por André Carrillo. Os três pontos eram bem melhores que a conta.

O Peru entra na zona de classificação para a Copa do Mundo ao final da rodada. A Blanquirroja soma 20 pontos e assume a quarta posição das Eliminatórias, deixando o Uruguai na repescagem. Já a Colômbia segue numa fase ruim e completa a sexta rodada sem vencer, com quatro empates neste caminho. São também seis partidas sem marcar gols. Os Cafeteros param nos 17 pontos, caindo à sexta posição.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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