Eliminatórias da Copa

A Argentina toma conta do jogo e arrebenta as esperanças de uma Colômbia ainda mais afundada em sua inoperância

A Argentina teve muito mais organização e contundência que a Colômbia, longe de representar um perigo, mesmo precisando do resultado

A Colômbia é a grande decepção dessas Eliminatórias. Os Cafeteros possuem um elenco renomado, mas os resultados são péssimos e os tropeços se emendam. A derrota para o Peru em Barranquilla na rodada anterior já tinha custado caríssimo. E, precisando vencer a Argentina em Córdoba urgentemente, o time de Reinaldo Rueda chegou à sétima rodada sem vitória – com três derrotas e nenhum gol marcado neste período. Mesmo garantida na Copa, a Argentina venceu com uma facilidade imensa. Mandou no jogo desde o primeiro tempo e reafirmou a consistência da equipe de Lionel Scaloni. Ángel Di María estava inspiradíssimo e colecionou grandes lances, para deleite da torcida no Estádio Mario Alberto Kempes. O placar de 1 a 0, gol de Lautaro Martínez, fica até magro pela superioridade albiceleste – assim como pelo excesso de erros dos cafeteros, que foram inoperantes e parecem ter desistido do Mundial. Agora, está bem complicado.

A Argentina podia não contar com Lionel Messi, mas sobrava qualidade na escalação. Gonzalo Montiel e Marcos Acuña eram escapes importantes nas laterais. O meio, fechado por Guido Rodríguez, tinha Papu Gómez e Giovani Lo Celso na construção. Na frente, Lucas Ocampos e Ángel Di María abriam pelas pontas, com Lautaro Martínez na referência. Já a Colômbia vinha com mudanças importantes. David Ospina e Radamel Falcao García ficaram no banco, com Camilo Vargas e Miguel Borja entre os titulares. O destaque ficava para James Rodríguez e Luis Díaz nas pontas, além de Juan Guillermo Cuadrado no meio.

A Argentina até parecia que precisava do resultado, pela maneira como se portou desde os primeiros minutos. A Albiceleste não se importava com a classificação assegurada e partia para cima, com imposição no campo de ataque. A Colômbia até buscou sair um pouco de início, mas logo se veria travada pela marcação adiantada dos argentinos. E os perigos começaram a surgir. Di María comandava as melhores ações da equipe. Quase todas as jogadas passavam pelo capitão, que encarava a marcação e emendava dribles. Seria dele a primeira boa chance, aos 16 minutos, numa batida colocada que saiu ao lado da trave.

A Colômbia transmitia ares de nervosismo misturados com apatia. O time não tinha saída de bola e era um vazio de ideias. Apesar da clara superioridade, a Argentina nem criava tantas chances de gol por seu volume. Mas marcou o primeiro tento, merecido, aos 29. Marcos Acuña cruzou pela esquerda, a defesa furou o corte e Lautaro Martínez recebeu com espaço na área. Dominou e bateu rasteiro, contando também com a colaboração do goleiro Vargas, que deixou a bola passar por baixo de sua mão. Nem isso fez a Albiceleste se acomodar. Aos 34, Di María cobrou uma falta frontal e, com desvio na barreira, Vargas operou uma defesa difícil.

A reta final do primeiro tempo ainda seria ditada pela Argentina. A Colômbia parecia não existir no jogo. Os Cafeteros teriam seu único suspiro nos acréscimos, e frustrado. Borja apareceu livre dentro da área e ficou de frente para o gol, mas demorou para chutar e viu Emiliano Martínez fazer uma grande defesa em seus pés. Na sobra, Luis Díaz ainda pode chutar com o goleiro fora de posição. Não pegou em cheio e Germán Pezzella conseguiu afastar o perigo quase em cima da linha.

A Argentina permaneceu em cima durante o início do segundo tempo. De novo empurrava a Colômbia para trás e tinha uma ideia de jogo muito mais clara. Vargas faria sua primeira defesa aos cinco minutos, num chute de Acuña de fora da área que não deu muito trabalho. A Colômbia adiantaria um pouco seu time na sequência, sem produzir muito. Logo viriam as primeiras alterações, aos 12. Victor Cantillo e Luis Suárez entraram nos Cafeteros, saindo Mateus Uribe e o nulo James Rodríguez, enquanto os albicelestes ganhavam Maximiliano Meza na vaga de Ocampos.

Se de um lado a Colômbia não produzia, do outro a Argentina precisava de uma brecha para indicar sua força. Aos 15, Di María cobrou uma falta buscando o canto e Vargas rebateu. Quatro minutos depois, num cochilo da defesa cafetera, de novo Di María pegou na entrada da área e experimentou a batida colocada, com curva. Vargas se esticou todo para desviar com a ponta dos dedos. Diego Valoyes entrou na sequência pelos colombianos, com Cuadrado recuado à lateral. Pouco depois, seria linda a ovação da torcida em Córdoba para a saída de Di María, em estado de graça. Deixou o campo ao lado de Lautaro, com Paulo Dybala e Nico González nos lugares.

A Argentina administrava a posse de bola e seguia com mais chegada no ataque. Lo Celso mandou uma pancada de fora aos 30 e assustou, por cima do travessão. Só então Falcao García veio a campo, saindo Borja, assim como Gustavo Cuéllar substituiu Wilmar Barrios. Nada que tenha gerado muito efeito. A primeira chegada perigosa dos colombianos em todo o segundo tempo veio apenas aos 40, num escanteio que William Tesillo deu uma casquinha para fora. Só então os Cafeteros acordaram para uma pressão, contra uma Albiceleste que parecia sem o mesmo acerto após as alterações. Aos 46, Emi Martínez salvou até um gol contra de Nico González, num lance que não valeria de qualquer jeito por impedimento de Johan Mojica. Mas as últimas chegadas seriam argentinas. Dybala cobrou uma falta perto do ângulo e, depois, num contragolpe, Tesillo fez o corte na hora exata, depois que Nico González serviu para Dybala. Os méritos dos anfitriões estavam expressos, e muito além do placar.

A Argentina fecha a antepenúltima rodada das Eliminatórias com 35 pontos, quatro a menos que o Brasil. Só isso ofusca a campanha fantástica do time de Lionel Scaloni, com 10 vitórias em 15 partidas e a invencibilidade intacta. Já a Colômbia se complica até para buscar a repescagem, embora tenha uma tabela mais fácil, com Bolívia em casa e Venezuela fora nas duas últimas rodadas. Com 17 pontos, fica a cinco do Uruguai no G-4 e a três do Peru, atual quinto. A decepção é imensa, depois de duas campanhas rumo aos mata-matas do Mundial. A geração envelhece, mas o desacerto do time é muito mais custoso.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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