Copa do Mundo

Destaque da Tunísia, Laïdouni é um meia incansável com tripla nacionalidade que parece prestes a dar um salto

O meia de 25 anos nasceu na França e estreou na Tunísia apenas ano passado, após se interessar por defender a seleção da Argélia, país de origem do seu pai

A Copa do Mundo pode ser uma plataforma importante para jogadores pouco conhecidos ganharem reconhecimento e uma transferência que muda suas carreiras. A Tunísia surpreendeu nesta terça-feira e conseguiu arrancar o empate por 0 a 0 com a Dinamarca, não apenas com uma boa atuação defensiva, sua especialidade, mas também sendo perigosa no ataque. E com Aïssa Laïdouni, um desses que parece prestes a dar um salto, se destacando no meio-campo.

Laïdouni é uma novidade relativamente recente da Tunísia. Tem 25 anos, mas estreou pela seleção apenas em março de 2021. Chegou para ficar: desde então, disputou todas as partidas possíveis, menos a Copa Árabe, geralmente completando os 90 minutos. É raro que seja substituído, como aconteceu na partida desta terça-feira – apenas aos 43 do segundo tempo, provavelmente porque havia deixado todo o seu pulmão em campo.

A demora para começar sua trajetória pela Tunísia pode ser explicada pelo excesso de opções. Nascido em Montfermeil, subúrbio de Paris, Laïdouni tem tripla nacionalidade: francesa, argelina e tunisiana. Em abril de 2016, ainda com 19 anos defendendo o Angers, foi questionado se estaria interessado em defender a Argélia na Olimpíada do Rio de Janeiro, mas disse que “preferia focar no final da temporada com o clube”. Não foi convocado.

Em outra entrevista, ao site argelino Gazette du Fennec, em novembro de 2020, admitiu que havia sido procurado pela Tunísia, mas disse que queria defender a Argélia. “Trabalho muito com o meu clube e espero ter a atenção de Djamel Belmadi (técnico da Argélia). Sei que é difícil ter um lugar, mas não coloco na minha cabeça que não possa fazer isso. Recebi uma ligação da federação tunisiana, mas quero jogar pela Argélia”, disse.

Não rolou, porém, e em 2021 ele acabou optando pela Tunísia, sem esquecer a Argélia. “Escolher a Tunísia em vez da seleção argelina foi uma escolha muito difícil”, com contornos épicos. Laïdouni disse que foi uma “grande decepção para eles” e que espera que a Argélia retorne em 2026 e faça a final da Copa do Mundo com a Tunísia.

Enquanto resolvia sua vida internacional, Laïdouni foi cavando seu espaço no futebol de clubes. Fez apenas um jogo no time principal do Angers, com empréstimos ao Chambly e ao Les Herbiers, da terceira divisão francesa, antes de sair para o Voluntari, da Romênia. Após dois anos, foi contratado pelo Ferencváros e participou de dois títulos húngaros. Ganhou experiência de Champions League também, enfrentando Barcelona e Juventus, em 2020.

Segundo seu perfil no Guardian, está de olho em uma transferência para Inglaterra ou Alemanha. “São dois campeonatos que me empolgam. Quero apenas dar o meu melhor em cada partida. Eu sempre tento avançar. Mas não há nada garantido no futebol. É por isso que você nunca deve parar de trabalhar e se superar. Esse é meu foco: continuar o embalo”, afirmou. E ele realmente joga como se nada estivesse garantido.

Basta olhar este desarme em cima de Christian Eriksen e a maneira como o comemorou. Completou 82% dos seus passes – 37 de 45 – e teve bons números defensivos, com três bolas afastadas, uma interceptação e dois desarmes. Não foi driblado e ganhou cinco dos seus seis duelos por baixo. Teve um papel importante travando o meio-campo da Dinamarca, que conta com Hojbjerg e Eriksen, e foi um dos melhores em campo para a Tunísia.

Os africanos mostraram sua principal qualidade: a defesa. Desde a Copa Africana de Nações, em janeiro, a Tunísia fez 10 partidas e foi vazada em apenas uma delas (cinco vezes, pelo Brasil). O sistema defensivo não depende apenas de zagueiros e goleiros, mas também dos meio-campistas, e Laïdouni sabe contribuir tanto atrás quanto na frente. Com mais atuações como esta, nada o impede de conseguir a transferência que deseja para a Premier League ou para a Bundesliga.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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