Copa do Mundo

Descobriram só agora? Ingleses se manifestam sobre violações dos direitos humanos no Catar

Jordan Henderson foi a voz mais eloquente para se posicionar a favor de pautas humanitárias na sede da Copa de 2022

Meses antes da Copa do Mundo no Catar, os jogadores da seleção da Inglaterra parecem ter despertado para a realidade que assola o país-sede do Mundial de 2022. Em entrevista coletiva, Jordan Henderson, meia do Liverpool, descreveu o panorama do Catar como “chocante, decepcionante e horrendo”. Parafraseando um dos áudios mais célebres do podcast “Medo e Delírio em Brasília”, abrimos esse texto com a única frase pertinente a esse assunto: “Qualé, mermão, tu tava fora do Brasil? Viajou, passeou, qual foi?”

Desde o início das obras dos estádios no Catar, a mídia internacional relata questões bastante alarmantes envolvendo a segurança dos operários, apenas para começo de conversa. Além disso, o país asiático não é exatamente o mais democrático a respeito dos direitos das mulheres, dos LGBT e funcionários migrantes de outros países que estão atuando nas obras de infraestrutura para o Mundial.

Aparentemente, os ingleses não estão acompanhando com atenção o noticiário envolvendo o Catar e só se deram conta da situação com o ano da graça de 2022 em andamento. Mas antes tarde do que nunca. Henderson, assim como seus companheiros, devem emitir comunicados ao longo da semana, se posicionando contra o que acontece em solo catariano. A Football Association preparou um material que deverá ser utilizado como declaração pública por integrantes da seleção nos próximos meses.

Neste material, foram relatadas as tais violações de direitos humanos por parte do governo do Catar. Henderson, ao lado de Gareth Southgate, treinador da Inglaterra, falaram sobre a importância de tocar em um assunto tão sensível: “Quando recebemos essas orientações [da FA], vimos como é uma questão crucial. Foi chocante e decepcionante saber de tudo aquilo. É horrendo quando você olha mais de perto para os problemas que o país enfrenta e ainda irão acontecer por lá. Entendo que algumas coisas sejam culturais e religiosas, e isso será mais difícil de mudar, mas podemos usar nossas vozes como uma plataforma para trazer algo positivo”, declarou o meia.

Em outros momentos da história do esporte, países boicotaram eventos para enfraquecer a imagem das sedes ao redor do mundo. Mas esse não parece ser um movimento que as grandes seleções farão em 2022. Quem diz isso é o próprio Southgate: “Infelizmente, o maior problema não é de ordem religiosa ou cultural, e sim o que ocorreu nas obras dos estádios. Não podemos fazer nada a respeito disso. Boicotar a Copa? Não sei para que isso serviria. Seria uma grande história, mas o torneio aconteceria da mesma maneira”, afirmou o treinador.

A Inglaterra enfrenta a Suíça, em Wembley, neste sábado. Deve ser o primeiro momento em que a seleção emitirá protestos contra o Catar em suas partidas, mas ainda não se sabe se apenas em entrevistas coletivas ou com o apoio de faixas ou antes do pontapé inicial. De todo modo, é positivo que uma equipe com tanta projeção resolva se envolver (ao menos em discurso) em questões tão delicadas no campo de vista político. Resta saber se essa posição irá permanecer só no campo da fala, ou se irá escalar em atitudes no futuro.

Mostrar mais

Felipe Portes

Felipe Portes é zagueiro ocasional, cruyffista irremediável e desenhista em Instagram.com/draw.portes

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo