Copa do Mundo

Costa Rica 0x0 Inglaterra: Los Ticos saem do Grupo da Morte como líderes

A crônica

Costa Rica e Inglaterra entraram para o jogo desta terça-feira, no Mineirão, sob circunstância opostas, mas que convergiam juntas para um previsível empate. E foi isso o que aconteceu: nada de gols, um ponto para cada, e os ingleses voltam para casa de maneira nada empolgante. Já Los Ticos fecham o tal Grupo da Morte como líderes da chave, com uma campanha invicta, e agora terá pela frente o segundo colocado do Grupo C, que será definido ainda hoje.

Classificada e claramente satisfeita com o que havia feito até então no grupo, a Costa Rica naturalmente não se lançou ao ataque. A iniciativa partiu da Inglaterra, que tentava deixar a competição com alguma honra. Para o jogo final, Roy Hodgson levou um time completamente reserva, com exceção de Daniel Sturridge. A escolha do treinador acabou justificada durante a partida, com o atleta do Liverpool sendo o principal jogador dos Three Lions na partida.

Aos 12 minutos do primeiro tempo, a primeira boa chance do jogo foi de Sturridge. O jogador recebeu bom passe de Jack Wilshere na entrada da área e bateu colocado, de esquerda, mandando a bola muito rente ao gol defendido por Keylor Navas. A resposta costarriquenha veio apenas 11 minutos depois. O time não tinha nenhuma pressa ou motivação para atacar os ingleses, e até por isso sua primeira ótima chance foi em cobrança de bola parada. Celso Borges bateu falta com muita precisão, e Foster desviou bem de leve, mandando a bola no travessão. A defesa do goleiro foi tão sutil que a arbitragem sequer deu o escanteio para os costarriquenhos, assinalando, em vez disso, o tiro de meta.

A partir dos 25 minutos, depois de um pequeno domínio inglês, os Three Lions tomaram controle de vez do meio de campo e passaram a ditar o ritmo do jogo. Lampard e Wilshere faziam partida muito boa, e isso mantia os ingleses constantemente no ataque. Aos 34 minutos da etapa inicial, mais uma boa chance inglesa, mais uma vez com Sturridge: após cobrança de escanteio, o atacante cabeceou por cima do gol. A última oportunida da primeira etapa foi também da Inglaterra, com boa jogada individual de Ross Barkley, mas uma finalização boa.

Depois de um primeiro tempo tranquilo, de poucas faltas e nenhum cartão amarelo, a partida ficou mais ríspida, e os ingleses resolverem abrir a caixa de ferramentas. Com 11 minutos de segundo tempo, Barkley e Adam Lallana, dois jogadores ofensivos, levaram cartão amarelo por faltas duras no meio de campo.

Aquele fôlego inglês do primeiro tempo tinha um prazo de validade, e aos 13 minutos, após arrancada de Lallana pela esquerda e cruzamento interceptado por Navas, os comandados de Roy Hodgson pararam. O time até cercava a área constantemente, mas nada de finalizações ou perigo ao goleiro do Levante. Eventualmente, a Costa Rica, que não chegava ao ataque, começou a ganhar terreno e a assustar a defesa inglesa, sobretudo pela esquerda, lado defendido por Luke Shaw.

O último lance capaz de tirar o torcedor da cadeira no jogo foi uma finalização de Wayne Rooney. O camisa 10 havia entrado aos 31 minutos do segundo tempo e, três minutos depois, tentou um chute de qualidade, por cobertura, de fora da área, e forçou Keylor Navas a espalmar para escanteio, por segurança.

A escolha de Hodgson por jogadores reservas foi uma boa pedida, afinal esses são os nomes que possivelmente estarão em 2016, na Eurocopa da França, e em 2018, na Copa da Rússia (isso se os Three Lions conseguirem classificações para esses torneios). Gerrard entrou no segundo tempo, e ele e Lampard fizeram, possivelmente pela última vez na Inglaterra, a dupla de meio-campistas centrais. Infelizmente para o treinador, o futebol apresentado pela garotada não foi lá tão empolgante. Nem eles pareceram no espírito de aproveitar uma chance de jogar em uma Copa e dar motivos para cravarem um lugar na seleção.

FICHA TÉCNICA

Costa Rica 0x0 Inglaterra

Costa Rica

Costa Rica escudoKeylor Navas; Cristian Gamboa, Óscar Duarte, Giancarlo González, Roy Miller e Júnior Díaz; Bryan Ruiz, Celso Borges (Michael Barrantes, 33’/2T), Yeltsin Tejeda e Randall Brenes (Christian Bolaños, 14’/2T); Joel Campbell (Marcos Ureña, 20’/2T). Técnico: Jorge Luis Pinto.

Inglaterra

Inglaterra EscudoBen Foster; Phil Jones, Gary Cahill, Chris Smalling e Luke Shaw; Frank Lampard, Jack Wilshere (Steven Gerrard, 28’/2T), James Milner (Wayne Rooney, 31’/2T), Ross Barkley e Adam Lallana (Raheem Sterling, 17’/2T); Daniel Sturridge. Técnico: Roy Hodgson.

Local: Mineirão, em Belo Horizonte
Árbitro: Djamel Haimoudi (AGL)
Gols: 
Cartões amarelos: Barkley, Lallana, González
Cartões vermelhos: nenhum

O cara

Daniel Sturridge

Em um jogo de pouquíssimas chances, Daniel Sturridge, em meio a uma Inglaterra toda reserva, foi o único titular mantido em campo e foi o que mais chegou próximo de fazer um gol. Se movimentou bem, buscou o jogo e finalizou com perigo em algumas oportunidades. Ainda assim, não conseguiu furar o bloqueio da zaga costarriquenha ou o ótimo goleiro Keylor Navas.

A Tática

Costa Rica Inglaterra Campinho

Precisando apenas de um empate para ficar com a liderança do grupo, a Costa Rica entrou com cinco defensores e uma linha de quatro jogadores no meio de campo. Campbell era o mais avançado do time e se movimentava livremente para jogadas com Ruiz e Brenes. Já a Inglaterra foi com o tão usado 4-2-3-1 e jogou bastante estática. Wilshere era o que tinha mais liberdade no jogo, além de Sturridge, que ia a outras partes do campo para fazer as jogadas ofensivas funcionarem.

A Estatística

11

A Inglaterra chegou a seu 11º empate em Copas do Mundo. O número é maior que o de qualquer outra seleção na história do torneio.

Foto de Leo Escudeiro

Leo Escudeiro

Apaixonado pela estética em torno do futebol tanto quanto pelo esporte em si. Formado em jornalismo pela Cásper Líbero, com pós-graduação em futebol pela Universidade Trivela (alerta de piada, não temos curso). Respeita o passado do esporte, mas quer é saber do futuro (“interesse eterno pelo futebol moderno!”).

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo