Copa do Mundo

Como Tiago Leifert foi fundamental para a Copa do Mundo voltar ao SBT

Narrador conta à Trivela detalhes do retorno do Mundial à emissora após 28 anos

A Copa do Mundo 2026, que conhecerá seus 12 grupos nesta sexta-feira (5), será exibida em uma emissora inédita em 28 anos. Sem transmitir a competição desde 1998, o SBT confirmou em outubro que adquiriu os direitos do torneio do próximo ano. O que ninguém imaginava é que isso teve a participação, pelo menos na insistência diária, de um dos narradores do canal.

Tiago Leifert, em entrevista à Trivela via videoconferência na primeira quinzena de novembro, revelou que “encheu o saco” de seus chefes assim que foi contratado, em janeiro deste ano, para que a compra acontecesse. Para ele, a oportunidade não poderia ser desperdiçada pela emissora fundada por Silvio Santos.

— Desde que eu entrei [no SBT], em janeiro, na primeira reunião, falei, ‘pô, legal, estou muito feliz de estar aqui. [Mas] E a Copa. E aí? E a Copa?‘. Então, toda vez, toda reunião, eu falava, e eu perturbei bastante a direção da empresa com isso, porque estava ‘quicando’, estava ali, disponível — contou à reportagem.

— Não sei se eu tive um peso [para a compra dos direitos], mas eu enchi muito o saco dos caras para comprar a Copa, eu perturbei mesmo. Mas todo mundo queria, a equipe toda, meu chefe. Eu perturbei bastante. E todas as vezes que me perguntavam, eu falava, ‘a gente tem que comprar, tem que ter’.

O narrador já queria que a Copa do Mundo de Clubes, disputada entre junho e julho de 2025, tivesse sido exibida no SBT, mas “estava muito cara”. Leifert aponta a estrutura do canal, com um campo de futebol na sede em Osasco, região metropolitana de São Paulo, e o histórico da empresa pode ser o diferencial nas transmissões.

— No SBT, o esporte está lá dentro, tem um campo de grama na entrada da emissora. Você sobe uma rampa do estacionamento e tem um campo de futebol e uma quadra de futebol. […] Eu falava, ‘gente, a precisamos aproveitar isso aqui. Vamos fazer a Copa com o DNA do SBT, com um programa de auditório, com desafio, usando o campo, contando uma história legal’ — disse, empolgado.

Tiago Leifert, narrador do SBT
Tiago Leifert, narrador do SBT (Foto: Foto Rogerio Pallatta/SBT)

Será a quinta cobertura de Copa do Mundo do narrador, sendo as quatro anteriores em sua ex-casa, a Rede Globo, uma das concorrentes que transmitirão 54 dos 104 jogos. Só a CazeTV terá a competição completa, enquanto a N Sports, junto do SBT, garantiu 32 partidas, incluindo todas da seleção brasileira.

A N Sports pertence a Galvão Bueno, que fechou para narrar a Copa no SBT junto com Leifert.

— Agora temos que trabalhar muito. A gente está bem no começo, eu falo de Copa todo dia com o meu chefe, mas temos muito trabalho para fazer, porque faz muito tempo que o SBT não transmite Copa. E a gente tem concorrência, o que é legal, tem a CazeTV, a Globo, o SporTV, um monte de canal transmitindo. E vai ser bom. Vamos fazer de um jeito que eu acho que as pessoas vão gostar muito. Eu acho que a gente vai preparar algo bem especial — afirmou.

— A gente tem um jogo por dia e o nosso objetivo é que as pessoas olhem e falem assim, bom, se esse é o jogo do SBT, eu vou preferir assistir lá. E nós vamos nos esforçar muito e vamos entregar uma Copa bem bonita, você vai ver. […]. Eu acho que o SBT tem um lugar muito legal para trabalhar, para fazer esporte. Tem uma equipe muito boa, tem muita liberdade. Eu acho que a gente tem bastante espaço para crescer — completou.

Leifert diz que Seleção só precisa jogar em 3 jogos na Copa do Mundo e defende Neymar

A seleção brasileira, com um ciclo instável, não está entre as favoritas ao Mundial e vê outras na frente. Leifert, no entanto, destacou que o período de quatro anos perde a importância quando, o que vale mesmo, é o que acontece das quartas de final para frente.

— A gente vai preparar tudo isso para três jogos, que é o que acontece sempre, né? A gente tem que passar das quartas, depois, semifinal e final. Então a gente vai ficar aqui se digladiando, debatendo quatro anos para chegar lá e jogar três jogos. 270 minutos de futebol vão decidir se o Ancelotti é um gênio ou se ele foi a pior escolha e deve voltar um técnico brasileiro — criticou.

— Tem amistoso para lá, para cá, convocação para lá e para cá, mas, cara, não importa. O que vai importar é a última convocação dele para a Copa do Mundo e se a gente vai conseguir ganhar as quartas, a semifinal e a final. Só isso. Então, por três jogos, a gente fica quatro anos sofrendo.

Se o contexto é 270 minutos de futebol, então, o narrador do SBT defende que Neymar, maior craque da geração e não chamado pelo Brasil desde 2023 por conta de uma sequência de lesões, seja convocado, mesmo que não esteja bem fisicamente.

— O Neymar eu sou a favor dele ir, ainda mais que são 26 vagas. […] São só 3 jogos, não vai nem precisar dele na primeira fase, pode entrar no segundo tempo. Neymar pode bater falta, pênalti, escanteio, ele acha passe. Se, fisicamente, ele tiver 80%, 70%, até 50% [fisicamente], ele tem que ir. Se a gente quer ganhar a Copa, a gente tem que levá-lo — defendeu.

Leiferf assume que o craque santista tem estado mal e “nervoso”, precisando “acalmar” e retomar a “alegria de jogar futebol”, mas não há comparação com as outras opções do Brasil. Ele ainda aponta a dificuldade em se discutir a situação do jogador de 33 anos na internet sem que se torne tóxica.

É muito difícil você ter uma conversa saudável sobre o Neymar. Porque tem muito ódio, ele tem muito hater, que rapidamente contamina qualquer tentativa de fazer qualquer vídeo a respeito do jogador em rede social. A gente não consegue ter uma conversa séria — reclamou.

— O Neymar é o maior artilheiro da história da seleção brasileira. O país que teve Romário, Ronaldo, Pelé, Didi, Garrincha… E o cara é o maior goleador. É o maior assistente, é quem tem mais participações em gol na história da Seleção. A gente não pode tratá-lo como se ele fosse só mais um jogador. […] Você vê que todos os jogadores têm a mesma opinião. O Ancelotti tem essa opinião. Mas a internet, muitas vezes, o hater do Neymar tem uma opinião completamente contrária — finalizou.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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