Copa do Mundo: Ameaças de Trump sobre sedes cria tensão e preocupa patrocinadores
Presidente dos EUA fala sobre retirar jogos de certas cidades, gera preocupação entre organizadores e afasta potenciais patrocinadores
As cidades-sede da Copa do Mundo de 2026 nos Estados Unidos enfrentam uma nova fonte de tensão: o presidente Donald Trump tem repetido, em discursos recentes, que pode remover partidas de locais que considerar inseguros.
A declaração tem causado desconforto entre executivos municipais e potenciais patrocinadores, que temem o impacto de uma possível interferência política no maior evento esportivo do planeta. Não é a primeira vez que o presidente americano faz esse tipo de ameaça.
Copa do Mundo pode perder patrocinadores por polêmicas de Trump
A incerteza gerada pelas ameaças de Trump preocupa as sedes americanas, que tentam atrair patrocinadores locais para seus festivais e eventos paralelos. Embora a Fifa detenha exclusividade sobre os contratos nos estádios, cada cidade pode buscar acordos complementares com marcas em categorias não concorrentes.
Segundo executivos ouvidos pelo site inglês “The Athletic”, sob anonimato por se tratar de discussões comerciais sensíveis, o “risco Trump” já começa a afetar negociações em andamento. Empresas demonstram hesitação em firmar contratos diante da possibilidade de mudanças repentinas de cidade.

Bob Lynch, ex-executivo do Brooklyn Nets e do Miami Dolphins, e atual CEO da SponsorUnited, explica que a instabilidade política tende a “atrasar decisões corporativas” e reduzir o ritmo de conversão em acordos.
“Quando há ameaças de sair ou desistir, as marcas preferem esperar. É o mesmo comportamento que vimos durante crises econômicas ou na pandemia da Covid. Algumas empresas já discutem cláusulas de rescisão caso algo assim aconteça. É uma forma de se proteger, como um seguro contra um terremoto”, disse Lynch.
Patrocinadores pedem estabilidade antes do torneio
Para Lynch, as incertezas políticas e o ruído em torno da presidência atrapalham o trabalho de marketing das cidades. “Qualquer pessoa na área de vendas quer o mínimo possível de interrupção. Eles gostariam que isso se dissipasse, porque esse barulho não ajuda a vender nada”, afirmou.
Com menos de dois anos para o início da Copa, as cidades-sede americanas — que dividirão o torneio com México e Canadá — enfrentam um desafio inusitado: convencer marcas e investidores de que o evento não será politizado.
O Mundial de 2026 será o maior da história, com 48 seleções e 104 partidas, mas, por ora, o discurso do presidente dos Estados Unidos adiciona um componente de incerteza a um evento que deveria simbolizar união global — e não divisão interna.
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Tensão com Trump e o posicionamento da Fifa
Embora os contratos da Fifa sejam firmados diretamente com as cidades-sede, e não com o governo americano, a entidade sinalizou que poderia acatar decisões presidenciais em caso de questões de segurança.
Em outubro, um porta-voz da Fifa afirmou: “Segurança e proteção são, obviamente, responsabilidade do governo, e eles decidem o que é melhor para a segurança pública.”
Which two nations do you want to see face off at FIFA World Cup 26? 💭
The Final Draw takes place on Friday, 5 December at The Kennedy Center in Washington, D.C. 🏆#WeAre26 pic.twitter.com/mthhURpAQn
— FIFA World Cup (@FIFAWorldCup) November 5, 2025
Por outro lado, a entidade também já defendeu que apenas a Fifa pode mudar a organização do torneio:
“É o torneio da Fifa, a jurisdição é da Fifa. Com todo o respeito aos atuais líderes mundiais, o futebol é maior do que eles e sobreviverá ao seu regime, ao seu governo e aos seus slogans”, afirmou Victor Montagliani, vice-presidente da Fifa.
Trump já mencionou nominalmente Seattle, São Francisco, Los Angeles e Boston como cidades problemáticas — todas previstas para receber jogos, ainda que os estádios fiquem em áreas metropolitanas mais amplas.
“Se eu sentir que há condições inseguras, eu ligaria para Gianni Infantino, que é fenomenal, e diria: ‘Vamos mudar para outro local’. Ele não adoraria fazer isso, mas faria com facilidade“, declarou o presidente em setembro.



