Copa do Mundo

Contos Russos #32: A França com o peso do mundo nas costas

Mais desigual até do que o nível técnico ou possível cansaço entre os dos finalistas da Copa do Mundo, França e Croácia diferem principalmente na responsabilidade que carregam para o jogo decisivo. É incomparável o peso de uma possível derrota para cada um dos lados – e os franceses carregam o peso do mundo nas costas, naquelas circunstâncias em que é difícil imaginar um cenário em que o time de Deschamps possa sair satisfeito com um vice-campeonato.

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Coisas do futebol, e a França tem de lidar com isso. O expediente pré-jogo não deixa dúvidas: pelo menos Pogba e Lloris admitiram que há dois anos o time viveu sim um clima de título antecipado ao passarem pela Alemanha nas semifinais da Euro. Na decisão, favoritos, em casa, e com o rival sem sua maior estrela, perderam para Portugal. Agora, mostrou firmeza, e quando a Copa afunilou ficou marcada pela capacidade de controlar as partidas diante de Uruguai e Bélgica. Só a taça interessa.

Do outro lado, o time já está na história. Luta, obviamente, não vai faltar para Modric, Rakaitic, Mandzukic, Rebic e companhia, então são o oposto: a provação já foi dada, e essa Croácia será lembrada para sempre como a equipe que venceu três prorrogações, atropelou Argentina e Inglaterra, e colocou o novo país no maior jogo do mundo.

Veremos em campo: mais que bola, às vezes é o jeito de encarar o jogo que determina a tensão da partida, ainda mais numa final.

Na véspera, vale o registo da grande Copa da Bélgica. Ganhou seis jogos, de tudo quanto é jeito: passeando, sofrendo, contra grandes, pequenos, com reservas, com titulares. Perdeu um só, um magro 1 a 0 na semifinal, e sai da Rússia muito maior do que entrou. Tivesse do outro lado da chave, possivelmente estaria no domingo, não no sábado. Hazard fez Copa espetacular e se a final tiver pouca graça pode ser até eleito o melhor do torneio.

Já a Inglaterra merece os elogios por conseguir os resultados que reconquistam um respeito perdido nos últimos campeonatos. Ainda assim, ganhou só de Panamá, Tunísia nos acréscimos e Suécia, e perdeu duas para Bélgica e uma para a Croácia (mais o empate com a Colômbia). A artilharia de Harry Kane (que jogou bem) é a síntese da Copa de 2018: gols de escanteio, pênalti e um desvio que até ele daria o gol para quem chutou.

Boa final a todos. Divirtam-se, porque a próxima é só em novembro de 2022.

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