Copa do Mundo

Contos Russos #25: Os craques da mini-Euro que o Brasil não tem

No fim das contas, apesar de um certo desconforto em ter os seis últimos jogos da Copa do Mundo voltados para apenas um continente, os quatro times europeus que vão à última semana do Mundial jogam bola. Com o respeito aos torneios de Rússia e Suécia, o reconhecimento do esforço de Portugal, Sérvia, Suíça, Dinamarca e Islândia, a frustração do papelão da Polônia, e a preguiça em assistir as arrastadas Espanha e Alemanha… se é para ver finais europeias, ao menos restaram os quatro times mais interessantes.

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Difícil também querer rabiscar alguma curva de domínio europeu num torneio que demora quatro anos para voltar e tão equilibrado, onde o chaveamento impõe muito das possibilidades de ir adiante. E com momentos e desempenhos muito diferentes a cada encontro. Com praticamente o mesmo time, quatro anos mais jovem, essa Bélgica não fez quase nada contra a Argentina em 2014; já o Uruguai, agora presa fácil para a França, vem de um Mundial em que bateu Inglaterra e Itália. Ciclos.

Talvez a diferença mais evidente entre os times seja a função de organização do time tão ausente nos casos de Brasil, Argentina, Uruguai e Colômbia no mata-mata. Nos sul-americanos, o craque está lá perto da área. Talvez com exceção de James Rodríguez diante da Polônia, quando fez as vezes de um verdadeiro maestro à moda antiga da camisa 10, as esperanças ficam nas definições da turma da frente com Neymar, Coutinho, Messi, Suárez, Cavani.

Sem entrar no mérito tático, já que ocupam posições e funções bastante distintas dentro do campo e do onze que completam, fico com a sensação técnica e psicológica das partidas de Griezmann, Hazard-De Bruyne, Henderson e Modric nas quartas de final. Fazem questão de carimbar todas as bolas e, quando o rival aperta, é neles que o time desafoga. Não necessariamente para carregarem o peso de um país querendo que decidam num lance, mas para fazerem o time jogar. No ritmo deles o time vai jogando, jogando, maturando os ataques, controlando os nervos. Donos do jogo e fazendo do campo apertado um latifúndio, desfrutando dos espaços. Jornadas de craque.

No Brasil, as referências técnicas são mais assistentes e finalizadores; atrás, Tite abre mão da organização e do trato com a bola para ter Paulinho, um jogador de transição, que toca e vai à área; Casemiro é ótimo, mas não chega nessa posição de líder técnico para articular as jogadas. Renato Augusto podia ser, Fred mais ainda, com o ritmo de quem joga o futebol europeu toda semana, mas as lesões os impediram. E a seleção ficou sem.

Já parece assunto velho, mas Arthur faz isso no Grêmio com uma paciência rara, e Paquetá, em outro estilo, é a cabeça e o pulmão do Flamengo ainda que tenha Diego ao lado. Porque opções para pontas e centroavantes a formação de jogadores vai continuar oferecendo a cada instante, ainda que em níveis variados. Mesmo que não sejam um Neymar ou um Ronaldo, haverá um Robinho, um Nilmar, um Bernard, um Taison; ou mesmo um Fred, um Grafite, um Jô, um Firmino – todos reservas em suas Copas. Mas e esse cara que toma o jogo para si, incansavelmente medindo cada palmo de campo para fazer o time funcionar ao seu redor?

Para 2018 já foi. Veremos daqui a quatro anos.

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