Copa do Mundo 2026

Mercado: Como funcionam as transferências durante a Copa do Mundo?

Enquanto jogadores representam suas seleções em campo, agentes trabalham nos bastidores para fechar negócios

Em busca da classificação ao mata-mata, os jogadores estão focados em contribuírem com sua seleção na Copa do Mundo. Entretanto, fora de campo, os empresários estão trabalhando nos bastidores para concretizarem transferências de seus agenciados durante o torneio da América do Norte.

O inglês “The Athletic” conversou com diversos agentes e figuras relevantes do mercado para entender como os negócios são fechados durante um Mundial, quando os atletas estão vivendo o maior desafio de suas vidas, e as distrações ao longo das seis semanas de competição podem atrapalhar seu rendimento nos gramados.

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— Copa do Mundo não muda muita coisa. Os agentes continuam conversando com os clubes. Os exames médicos podem ser feitos no exterior. O atleta sabe de tudo o que acontece, mesmo que diga que não — disse, em anonimato, o empresário de um jogador que pode se tornar uma das maiores vendas da Premier League.

Para proteger relacionamentos, as fontes consultadas pediram para não ter suas identidades reveladas.

As transferências de jogadores durante a Copa do Mundo

A corrente de pensamento dos agentes é que eles não devem perturbar excessivamente seus clientes antes ou durante a Copa, mas apenas mantê-los informados sobre discussões que envolvam seus futuros em outro clube. O quanto cada empresário revela para um jogador depende de sua personalidade e se a chance de uma transferência impactaria seu emocional.

No âmbito geral, os agentes conversam abertamente com os atletas antes do torneio caso exista a possibilidade de negócio e para onde ele poderia ir. A gestão das tratativas fica a cargo do staff, que tem acompanhado seus jogadores in loco nos Estados Unidos, México e Canadá, o que não impede reuniões virtuais e ligações telefônicas com pretendentes no mercado.

Bernardo Silva em atuação pelo Manchester City (Foto: Imago/Pro Sports Images)
Bernardo Silva saiu do Manchester City para se juntar ao Real Madrid (Foto: Imago/Pro Sports Images)

O atleta não se envolve a fundo nos detalhes das negociações, recebendo apenas atualizações pontuais. Temas como salário, exigências de bônus e estrutura de pagamento são discutidos entre o representante do jogador e o time comprador semanas ou até mesmo meses antes da Copa do Mundo.

Caso haja um acordo entre as partes, incluindo o aceite do clube vendedor à taxa de transferência, as únicas coisas que o atleta precisa fazer são o exame médico e a assinatura do contrato. Nesse ponto, todos os envolvidos precisam da autorização da seleção.

Os testes físicos não costumam demorar muito e, em sua maioria, são permitidos pelas delegações, mesmo durante o torneio, com o médico do clube comprador podendo ir até o hotel, por exemplo. Contudo, uma recusa comum das seleções é quando o jogador precisa deixar o centro de treinamento para realizar os exames.

— Em termos de cronograma, só estamos finalizando os detalhes com cada clube enquanto nossos alvos estão no Mundial. É diferente de estarmos no início do processo, nos reunindo com os jogadores e negociando os termos pessoais enquanto eles estão lá jogando — esclareceu um profissional de recrutamento do Big Six da Inglaterra.

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Exemplos vistos na prática

Ibrahima Konaté deixa Liverpool para jogar no Real Madrid
Ibrahima Konaté deixa Liverpool para jogar no Real Madrid (Foto: Imago/Sports Press Photo)

Antes da estreia no Mundial, representantes do Wolverhampton viajaram até o México para concluir a contratação do atacante Raúl Jiménez. Ibrahima Konaté, da França, e Bernardo Silva, de Portugal, assinaram com o Real Madrid também às vésperas do pontapé inicial de suas seleções no torneio.

Enquanto realizava sua preparação para a Copa, Victor Muñoz foi comprado pelo Liverpool, que acionou a cláusula rescisória de 40 milhões de libras (cerca de R$ 237 milhões) junto ao Osasuna. O atacante da Espanha fez os exames médicos no Tennessee, onde fica a base da seleção, supervisionado pelos profissionais dos Reds, que receberam o aval da delegação.

Situação semelhante a de Marc Cucurella, que trocou o Chelsea pelos Merengues em transferência de 55 milhões de euros (em torno de R$ 323 milhões). Em entrevista ao jornal “El Mundo”, o lateral-esquerdo espanhol elogiou a rapidez do negócio, o que foi crucial para não impactar seu futebol na Copa.

— Tudo foi feito em um dia e meio ou dois. Muito melhor, muito mais rápido, sem nenhuma dor de cabeça — resumiu Cucurella.

Foto de Matheus Cristianini

Matheus CristianiniRedator

Jornalista formado pela Unesp, com passagens por Antenados no Futebol, Bolavip Brasil, Minha Torcida e Esportelândia. Na Trivela, é redator de futebol nacional e internacional.

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