Copa do Mundo

Como era de se imaginar, Kalinic recusou a medalha que teria direito como vice-campeão

“O que estará pensando Nikola Kalinic neste momento?”, era uma das perguntas mais recorrentes durante a epopeia da Croácia na Copa do Mundo. O atacante foi excluído do elenco pelo técnico Zlatko Dalic logo após o primeiro jogo no Mundial, sob a suspeita de estar fazendo corpo mole. O centroavante voltou para casa e precisou assistir ao restante da campanha pela televisão, certamente invejando o que os companheiros protagonizavam na caminhada até a decisão do torneio. Por ser parte do elenco, o camisa 16 teria direito a uma das medalhas de prata oferecidas aos vice-campeões. Recusou, como era de se imaginar.

“Obrigado pela medalha, mas não joguei na Rússia!”, foi a resposta de Kalinic, sem rodeios, ao comentar o assunto à imprensa croata. Parte do time em todo o ciclo, Kalinic foi importante na classificação à Copa do Mundo, com gol e assistência no jogo de ida da repescagem, contra a Grécia. Os problemas com Dalic começaram durante a preparação. Durante o amistoso contra o Brasil, o centroavante se recusou a entrar em campo no segundo tempo, alegando dores nas costas. O mesmo ocorreu em um treinamento posterior. E a gota d’água veio quando a atitude aconteceu pela terceira vez, diante da Nigéria, depois que o atleta já tinha iniciado o aquecimento. “Eu calmamente aceitei o que ele disse e, como eu preciso dos meus jogadores em forma e preparados para jogar, eu tomei essa decisão de cortá-lo”, apontou Dalic, na época da exclusão.

Kalinic poderia ser um jogador útil no elenco da Croácia, oferecendo presença física dentro da área. Sem o centroavante, Mario Mandzukic e Andrej Kramaric precisaram se desdobrar na função. Difícil dizer se o substituto poderia fazer diferença em campo. Mas a Copa do Mundo certamente faria diferença em sua vida. Será lembrado como a ovelha negra no maior capítulo do futebol croata.

Dalic, por sua vez, deu abertura a Kalinic voltar, desde que admita o seu erro e peça desculpas: “Não falarei sobre isso. Esse é meu defeito. Mas eu sou católico, posso perdoar. Não perdoo algumas coisas, embora normalmente aceitaria Nikola de volta. Mas eu nunca sou o primeiro a me movimentar, eu nunca atiro primeiro”. O bonde da história, de qualquer forma, já passou ao camisa 16.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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